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Fernanda, a estrela, sofre com os percalços de Bang Bang: a novela perdeu seu autor logo no início, e o público estranha os nomes, em inglês, dos personagens
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Especial - Record X Globo
O fracasso de Fernanda Lima

Com atuação sofrível, a ex-modelo personifica o mau desempenho de Bang Bang, que perdeu Ibope para Prova de Amor, da Record, será encurtada em 30 capítulos, tem três intervalos comerciais a menos que sua antecessora e abriu caminho para a emissora paulista brigar pela audiência do Jornal Nacional
texto: Mariana Kalil
foto: carlos ivan/ o globo
Colaborou: Clarissa Monteagudo
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Na festa de lançamento de Bang Bang, há quatro meses, o autor da novela, Mário Prata, fez um prenúncio para o folhetim que iria ao ar às 19h. “Dizem que nesse horário 35 de Ibope é a média. Bang Bang não vai dar isso”, previu. “Ou dá 40 ou mais, ou 30 ou menos. Nem eu, nem a Globo sabemos no que vai dar, mas estamos nos divertindo.” A diversão terminou rápido. Desde sua estréia, em 3 de outubro, a novela não conseguiu superar os 28 pontos de média – sete a menos do esperado para o horário. Apresentada como o sopro de inovação na teledramaturgia da Globo, Bang Bang também colocou na linha de tiro a modelo e apresentadora Fernanda Lima. Sem nenhuma experiência em novelas, Fernanda estreou como protagonista e não convenceu. No papel principal da pistoleira Diana, personifica o fraco desempenho da novela das sete.

A escolha de Fernanda contou com o aval do diretor artístico da Globo, Mário Lúcio Vaz, e do diretor da novela, Ricardo Waddington. Fernanda entrou com força. Sugeriu da maquiagem à trilha sonora da personagem. Com a novela no ar, as críticas à sua atuação se somaram à atenção sobre sua vida amorosa. No fim de 2005, ela acabou uma relação de dois anos e meio com o ator Rodrigo Hilbert. Depois foi vista algumas vezes em companhia de Ricardo Waddington. “Ela precisa ir levando a vida e deixar a crítica passar, sem cara amarrada, sem briga. Não pode ficar agressiva”, aconselha o publicitário Lula Vieira. “Fernanda é verde, mas não é ruim”, opina o autor Carlos Lombardi, autor de sucessos como Uga-Uga, que foi chamado às pressas para salvar a novela, abandonada por Mario Prata logo no início por problemas de saúde.

O pedido de socorro a Lombardi se deu após uma reunião da cúpula da emissora em novembro. A fim de conter a fuga de espectadores para a novela Prova de Amor, da Record, ficou decidido encurtar os capítulos em 15 minutos. Bang Bang tem três intervalos comerciais a menos do que a sua antecessora A Lua me Disse, segundo o mercado publiciário, o que significa uma redução de faturamento de até R$ 15 milhões por mês. Pesquisas apontaram que o público não se identifica com o universo do faroeste e com os nomes em inglês misturados às gírias cariocas. Lombardi teve 15 dias para tentar botar ordem na casa. Diante do caos, cogitou uma tragédia. “Sugeri um terremoto”, conta.

O tropeço de Bang Bang rendeu também um corte no número de capítulos. Dos 200 originais, terminará com 170. Com estréia prevista para 24 de abril, Cobras e Lagartos, de João Emanuel Carneiro (autor de Da Cor do Pecado, de 2004, último grande sucesso do horário das 19h), ganhará ares de superprodução já no primeiro capítulo gravado em Angra dos Reis e terá um orçamento maior do que o destinado às novelas deste horário. Já Fernanda Lima recebeu há poucos dias a promessa de Mário Lúcio Vaz de que a Globo acredita no seu talento e vislumbra uma próxima novela para ela no ano que vem.