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Daniela celebra a Bahia, mas acena com exílio em Balé Mulato
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Axé
Balé Mulato
Daniela Mercury faz algumas experimentações em CD irregular que revisa axé music
José Flávio Júnior

Balé Mulato é o disco mais brasileiro de Daniela Mercury. Ela canta “Aquarela do Brasil”, de Ary Barroso, revisa a axé music e celebra a Bahia em melodia e verso. É também o disco em que ela desiste totalmente do Brasil, assumindo nas entrelinhas que seu lugar não é mais aqui, onde perdeu espaço no mercado fonográfico e onde a crítica musical ignora
seu pioneirismo e as subversões estéticas promovidas em quase 20 anos de carreira.

Como aceno de exílio definitivo, a cantora dedica a faixa “Eu Queria” ao povo português. “Você é o meu ouro/ Você faz o meu viver”, diz a letra de Pierre Onasis. Com um piano elétrico muito bem mandado, “Quero Ver o Mundo Sambar”, composta pela própria Daniela, explicita ainda mais a nova ordem. A baiana-estrangeira fala em ver o samba no pé do francês, do alemão... E, nominalmente, louva outro brasileiro que virou gringo, o “latino” Alexandre Pires.

Ignorando o pouco-caso da elite cultural, Daniela mostra ainda ter fôlego para experimentar. Pena que ninguém irá saber que ela trabalhou com integrantes do ultrahypado coletivo Instituto no soul esquisitão “Sem Querer”. O repertório irregular também traz a balada “Pensar em Você”, de Chico César. Essa tem potencial para entrar em novela global e reconectar a artista com seu povo. Uma artista que teve de virar Carmem Miranda para sobreviver. Brasil para gringos