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“Minha casa não tem nada. Não lido com a vida doméstica. Ela é que lida comigo”, diz Caco, que fica num flat no Rio e vive em São Paulo, onde mora sua família
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Sucesso
Galã pós-moderno

Com uma sólida carreira no cinema, Caco Ciocler conquista a preferência do público em América ao interpretar um personagem que diz muito sobre si próprio
Texto: mariana kalil
foto: Alexandre Sant’Anna
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O olhar lacrimejante que Caco Ciocler empresta ao personagem Ed de América é seu. O tom baixo e a serenidade da voz também. “Tudo nele é meu”, admite. “Ed desenvolveu minha musculatura do racional, da timidez, da doçura, da correção, da angústia. Tenho tudo isso.” Foi esse conjunto que o transformou no mais novo galã do horário nobre. Um galã diferente dos outros. Ed não faz o tipo sedutor, não tem a dureza da alma masculina, tampouco é alto e de olhos azuis. Ed é Caco na mais pura forma e espírito. “Geralmente, os galãs que exercem esse papel são heróicos e felizes”, observa. “Pensei que seria legal humanizar essa figura.”

O galã pós-moderno arrebatou os corações femininos e fez de Ed o par preferido dos telespectadores para ser feliz ao lado de Deborah Secco (a protagonista Sol). Com o sucesso, Caco não tem mais conseguido realizar uma das maiores satisfações: passar despercebido. “Está meio difícil”, sorri. Experimenta o assédio de telespectadoras de todas as idades – a maioria na faixa dos 50, 60 anos. “Acho que sou o genro que elas gostariam de ter”, brinca.

Caco nasceu Carlos Alberto Ciocler no berço de uma tradicional família judia de classe média de São Paulo. Sempre identificou dentro de si a vocação para ator, mas custou a admiti-la. Cursou quatro anos de engenharia química, enquanto divertia-se com o teatro amador. Antes de terminar a faculdade, o teatro amador virou profissional – e Caco tornou-se ator sem nunca se formar engenheiro. Nunca mais parou de trabalhar. Até o Ed de América sua maior vitrine era o cinema. Conta seis novelas e duas minisséries, mas só nos últimos cinco anos figurou no elenco de 12 filmes – O Xangô de Baker Street, Bicho de Sete Cabeças, Quase Dois Irmãos, Desmundo e Olga, entre outros. Neste último, foi Luiz Carlos Prestes em uma interpretação louvável ao lado de Camila Morgado. “Caco é um ator que se aprofunda muito em seus personagens”, elogia a atriz, que contracena com ele também em América. “Tem uma sensibilidade apurada, é muito bem-humorado e um grande amigo.”

Desde que começou a gravar América, vive sozinho em um flat na Barra da Tijuca. Expressa sinceridade desconcertante ao revelar como lida com a vida doméstica: “Muito mal. Minha casa não tem nada. Não lido com a vida doméstica. Ela é que lida comigo”. Sua casa de verdade está em São Paulo. É para lá que voa pelo menos uma vez por semana. Além da família, vivem na cidade a namorada, Vanessa, estudante de artes cênicas, e o filho, Bruno, de 8 anos, da relação de dois anos e meio com a atriz Lavínia Lorenzon. Os 33 anos de vida de Caco Ciocler concederam-lhe diretrizes muito claras sobre os tipos de relações a ser vividas. Para Bruno deseja a liberdade emocional. “Tento criá-lo para o mundo, para que seja independente”, diz. Para a próxima esposa – “casar e planejar um filho é um projeto de vida”, assume –, vislumbra uma companheira, acima de tudo, com senso de humor. “Se você não se diverte com quem você está, chega uma hora em que a relação não se sustenta.”