28 de fevereiro de 2000
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Música

Theo tem mil e uma utilidades
Ator, cantor, guitarrista e DJ do programa O+, Theo Werneck planeja disco-solo para o fim do ano

Ramiro Zwetsch

Foto: Pio Figueiroa

Era primeiro semestre de 1986 e Marcos Theobaldo Werneck dava aulas de educação artística em um colégio de primeiro grau, em São Paulo. Aquele era seu primeiro emprego desde que tinha se formado em Artes Plásticas na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap). Um dos alunos, desconcentrado da aula, brincava com um skate na sala e o professor interveio: "Ou você pára, ou eu vou te ensinar como se anda nisso aí!", conta Theo Werneck, hoje com 38 anos. O aluno não parou e Theo não teve dúvidas: pegou o skate e exibiu algumas manobras na própria sala de aula. O episódio lhe rendeu popularidade entre os alunos e uma demissão depois de três meses de trabalho.

Hoje, ele não tem mais tempo para se dedicar à prática de skate e o diploma de Artes Plásticas está bem guardado na gaveta. De segunda a sexta, Theo aparece na tela da Rede Bandeirantes no programa O+, do qual é DJ - atividade que começou a exercer na época em que cursava a faculdade. Em todas as festas a que ia, levava fitas cassete gravadas, com seleção musical dançante. "Por causa dessas fitas, começaram a aparecer os primeiros convites para fazer som de festa", conta o paulistano, nascido no bairro do Tucuruvi.

Algumas dessas festas ficaram famosas, como as que aconteciam no Teatro Mambembe. "Quem discotecava era eu, o Humberto (DJ Hum, que atualmente acompanha o rapper Thaíde), o Skowa (vocalista da extinta banda Máfia) e o Nasi (vocalista do Ira!)." Um dos freqüentadores, ainda desconhecido, era o jovem compositor pernambucano Chico Science. "Foi depois de uma daquelas festas que ele voltou para Recife com a idéia de formar a Nação Zumbi", lembra Theo. Enquanto ganhava algum dinheiro com as festas, surgiu o convite para integrar a banda Luni, na qual sua namorada Marisa Orth era cantora. "A gente se conheceu debaixo de uma lona de circo", conta ele. "Estávamos trabalhando em uma feira da UD, no Anhembi, como atores".

Theo já tocava violão desde os 10 anos e entrou para o Luni como guitarrista e cantor. O grupo durou três anos - quase o mesmo tempo de vida do namoro. Em 1991, Marisa foi chamada para fazer sua primeira novela na Rede Globo e Theo foi excursionar com a companhia de teatro Boi Voador, da qual André Abujamra, líder do grupo Karnak, era diretor musical. O grupo viajou pela Europa e o DJ participava da montagem como sonoplasta, músico e ator - atividade aperfeiçoada durante as gravações do programa Telecurso 2000, da Rede Globo.

A coroação pelo trabalho cênico veio em setembro de 1999. Ele atuou no curta-metragem E no Meio Passa um Trem, dirigido por Fernando Meirelles, que concorreu no Festival de Gramado. "Eu já tinha feito vários comerciais com o Fernando e topei fazer o filme na hora." Na noite do festival, Theo estava fazendo o som de uma festa em Joinville. No dia seguinte, Fernando Meirelles ligou para o celular do DJ, anunciando: "Você ganhou o prêmio de melhor ator!". Do outro lado da linha, a surpresa: "O quê?". E no Meio Passa um Trem foi premiado ainda como melhor curta e melhor direção de curta.

Envie esta página para um amigoAtualmente, Theo está mais envolvido com a música do que com o cinema e dedica boa parte do seu tempo às gravações no estúdio que mantém junto com André Abujamra e seu irmão Márcio. Ele está produzindo o primeiro disco da banda de rap Z'Africa e planeja lançar seu primeiro disco-solo até o fim do ano. Ele ainda participa do grupo Caboclada, do qual seu irmão Márcio é o líder. Com o alcance nacional do O+, os convites para fazer som de festa multiplicaram. "Tenho festas agendadas em todos os sábados até junho." Ainda assim, o ator-músico-DJ encontra tempo para atividades beneficentes. Ele participa do projeto Nosso Jardim há sete anos, que oferece refeição e cursos de arte para 60 crianças carentes, de 4 a 18 anos.

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