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Carreira
Um passado de paixão e drama

Em cartaz com a peça Baque, Deborah Evelyn revela que um professor foi o único homem que ela desejou e não conseguiu namorar e diz que, por isso, passou a sofrer de anorexia aos 14 anos
Carla Felícia
foto: George Maragaia
“Nunca tive mulher tão companheira como ela”, diz o diretor da Globo Dennis Carvalho, que vive com Deborah há 17 anos, depois de 6 casamentos desfeitos
Deborah Evelyn impressiona ao surgir no palco do Centro Cultural dos Correios, no Rio, para encenar o terceiro ato da peça Baque, de Neil LaBute, dirigida por Monique Gardenberg. Numa atuação emocionante, a atriz, de 40 anos, faz uma releitura de Medéia, clássico de Eurípedes: encarna uma mulher que confessa ter assassinado seu próprio filho. Um ato de vingança, depois de ter sido abandonada pelo pai da criança – um professor, que a seduzira quando ela tinha apenas 13 anos de idade. A tragédia grega, cheia de conflitos morais, parece não ter nada em comum com a história de Deborah, esposa do diretor Dennis Carvalho há 17 anos, mãe de Júlia, de 12. Mas tem. “Eu também me apaixonei por um professor, aos 14 anos. Engraçado, né?”, pergunta ela.

Não foi uma paixão qualquer. Muito pelo contrário. Platônica, ela levou a atriz a uma anorexia. Aos poucos, Deborah parou de comer, definhou e, estima, pesava abaixo dos 40 quilos – ela tem 1,64 metro de altura. Até mesmo o ciclo menstrual foi interrompido em decorrência da deficiência nutricional. “Minha mãe ficou maluca, desesperada. Foram três anos de luta, me obrigando a comer, levando a médicos. Ela envelheceu uns 10 anos”, conta Deborah, que só aos 17 admitiu a doença. Foi quando passou a fazer análise – prática que a acompanha até hoje – e, assim, livrou-se do problema. “A terapia me trouxe equilíbrio, me ajudou a aceitar mais as coisas como são. Tenho tendência a fazer drama com tudo, sou muito dramática.”

Da experiência traumática da anorexia, restou uma característica, invejada pela maioria das mulheres. Gordinha na infância, ela nunca mais recuperou a tendência para engordar – afirma não saber quanto pesa, porque não se preocupa com a balança. O corpo esguio, as roupas discretas e a pele alva passam longe do perfil de mulher fatal. A atriz, porém, mais uma vez surpreende: “Namorei praticamente todo mundo que eu quis. Só não tive aquele professor”.

Exercitando o lado sedutor, Deborah logo enrubesce. Em seguida, hesita em apontar a razão do sucesso com os homens. O marido, Dennis Carvalho, de 57 anos, opina: “Deborah é uma mulher irresistível porque tem personalidade forte mas ao mesmo tempo é muito doce”. Eles se conheceram no remake de Selva de Pedra (1986), do qual ele era diretor-geral e ela fazia o quarto trabalho na tevê.

“Mas ela se fez de difícil”, brinca Dennis, que precisou recorrer à ajuda da amiga Renata Sorrah, tia da atriz, para conseguir que ela atendesse seus telefonemas. O diretor encontrou em Deborah a mulher que acalmou sua movimentada vida amorosa, que já contava com seis casamentos desfeitos. Foi ao lado dela que Dennis superou a morte de um filho em 1991 e a conseqüente dependência das drogas. “Nunca tive mulher tão companheira como ela.”