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Sucesso
A virada da miss

Catarinense considerada o patinho feio da família na infância, Carina Beduschi é coroada a miss Brasil 2005, com 1,19 metro de pernas e 250 ml de silicone nos seios
texto: Clarissa Monteagudo
foto: Leandro Pimentel
“Minha tia teve uma crise de riso quando me viu recém-nascida. Minha mãe jurou que um dia eu seria muito bonita”, diz Carina, 20 anos
Passava das três horas da madrugada de sexta-feira 15 quando a catarinense Carina Schlichting Beduschi, 20 anos, chegou ao seu quarto no Hotel Glória, no Rio, portando a sonhada faixa e a coroa de miss Brasil 2005. Nos corredores, os funcionários não ficavam indiferentes à imponente loura de 1,80m e reverenciavam a moça, atônita com a conquista. Ao entrar no quarto, a estudante de Arquitetura viu as roupas, maquiagem e bijuterias espalhadas na cama e na cômoda. Ao lado, uma foto com as outras 26 misses no Pão de Açúcar – ponto turístico do Rio. Só aí acreditou no sonho concretizado. Sua reação foi uma longa crise de choro, abafada desde o momento da coroação, no Copacabana Palace, quando só conseguiu sorrir aos jurados.

Carina evitou a emoção até o último momento. Nos doze dias anteriores à noite da vitória – quando as candidatas ficaram concentradas no Hotel Glória –, ela focou no concurso para atenuar a saudade da família e do namorado, o empresário Antônio Rafael Ramos, 23. Em vez de fotografias, levou na mala o livro de auto-ajuda Nunca Desista dos Seus Sonhos, de Augusto Cury, complexo vitamínico para vencer o cansaço, um arsenal de produtos de beleza, vestidos e, claro, saltos altos para realçar o 1,19 metro de pernas – apenas 1 cm a menos do que a modelo Ana Hickmann.

O empenho de Carina surpreendeu a família. Os Beduschi nunca imaginavam que a filha magrelinha, capitã do time de handebol no colégio, ganharia o título de mulher mais bonita do País. Mais do que isso, ela realizou o sonho de juventude da mãe, a advogada Helena Márcia Schlichting Beduschi, que quando jovem foi impedida pelo pai de se tornar miss Florianópolis. E pensar que, quando nasceu, Carina foi considerada um neném medonho. “Minha tia teve uma crise de riso quando me viu recém-nascida. Minha mãe jurou que um dia eu seria muito bonita”, conta.

Aos 15 anos surpreendeu as amigas do handebol ao voltar de férias transformada: a mascote da turma tinha se tornado um mulherão. Aos 18, Carina convenceu o pai a deixá-la implantar próteses de silicone de 250 ml nos seios e se livrou dos sutiãs de enchimento. “Achávamos que a nossa filha mais velha, a Cris, poderia seguir esse caminho. A Carina correu por fora”, conta o pai Domingos Sávio Beduschi.

Fã de Gaudí e aficionada por História da Arte, a catarinense quer retomar a faculdade depois dos compromissos como miss Brasil. O primeiro deles é representar o Brasil no concurso Miss Universo,
na Tailândia, em 30 de maio. Entrar em um reality show, como outra miss, Grazielli Massafera, não está nos planos: “Não saberia lidar com a exposição. Não estou atrás de fama. Miss, eu serei a vida inteira”.