Diversão & arte - Música  
Murillo Constantino
Marlboro lota a boate de elite Lov.e, em São Paulo, tocando funk
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Perfil / DJ Malboro
Ele é o rei do pancadão
Mariane Morisawa

Com um ano de idade, Fernando Luís Mattos da Matta não largava o disquinho que tinha o “Boogie do Bebê”. Na infância, ele se acostumou a ver o pai, policial federal, colocando as caixas de som na janela. E o avô sumia o fim de semana todo para tocar sanfona nos bares da vida. O menino, portanto, tinha música na veia. Hoje, conhecido como DJ Marlboro, é ouvido por 500 mil pessoas no rádio e costuma reunir mais de 3.000 pessoas no Scala, na zona sul do Rio, e lotar a Lov.e, no nobre bairro paulistano da Vila Olímpia.

Mas nem sempre foi assim. Marlboro – que ganhou esse apelido porque a avó morava em São Gonçalo, “Terra de Marlboro” segundo os amigos – começou a discotecar ainda adolescente. Já gostava de música black. Em 1980, foi chamado para tocar em uma casa noturna. Ali começava sua carreira profissional, ainda que seu pagamento saísse em discos.

O black evoluiu para o funk, e Marlboro acompanhou. Foi um dos grandes responsáveis pela nacionalização do batidão. Vez ou outra, o gênero imediatamente ligado às favelas e subúrbios cariocas invade a zona sul do Rio e o resto do Brasil: Black Rio, “Rap da Felicidade” (eu quero é ser feliz/ andar tranqüilamente na favela onde eu nasci), Claudinho e Buchecha, Bonde do Tigrão, Serginho e Lacraia. Agora, impulsionam o movimento o sucesso cult de Tati Quebra-Barraco e a adesão mais maciça das elites. “Os sambistas eram perseguidos. Com o tempo, o preconceito foi diminuindo”, diz Marlboro. Ajudou no processo a participação do DJ de 42 anos em festivais como o Sónar. “A fusão do funk, que vai do forró à música eletrônica, foi o que deu respeito internacional. O funk é a música eletrônica autêntica brasileira.”

Ainda assim, “a luta é grande”. Agora mesmo, tentam fechar o Scala, porque os bailes funk estão proibidos. “Se dá confusão fora do baile, é problema da polícia. Ou precisa fechar o Maracanã e o Morumbi porque tem confusão na porta”, afirma. Mas Marlboro é consciente. “Não toco proibidão (funks que falam de crime e facções), porque esse tipo de música enterra”, diz ele. “Mas acho que é um relato do que vivem as comunidades. Querer acabar com o proibidão é hipocrisia”, completa ele.