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Suspense
A Intérprete
Sydney Pollack conta com boa atuação de Nicole Kidman em thriller com referência disfarçada aos atentados de 11 de setembro

Marcelo Lyra

Divulgação
Nicole Kidman vive uma tradutora da ONU
envolvida na trama de um assassinato

A atuação de Nicole Kidman é o principal trunfo de A Intérprete, thriller político com toques românticos dirigido pelo especialista Sydney Pollack (A Firma e A Noite dos Desesperados). Ela faz uma tradutora da ONU que acidentalmente se envolve numa trama para matar um líder africano, coincidentemente do mesmo país em que ela nasceu. Sean Penn é o policial encarregado de proteger o político. Apesar da antipatia inicial, como sempre acontece nos filmes românticos, a dupla acaba se envolvendo. O problema é que o policial descobre que a intérprete teria motivos de sobra para estar envolvida na conspiração e passa a desconfiar dela.

Embora de forma disfarçada, a trama carrega inevitável referência aos atentados do 11 de Setembro. O país africano é imaginário e seu líder também. Mas a maneira de agir dos terroristas, incluindo o atentado, alude aos terroristas da Al-Qaeda. A cena da explosão do ônibus no centro de Manhattan é perturbadora, pois lembra os aviões em choque com o World Trade Center. O trauma sofrido pelos americanos explica também a mensagem pacifista discretamente embutida no roteiro.

A burocracia complicou a produção. Houve dificuldade em obter autorização da ONU para filmar em suas dependências. Quando conseguiram, perceberam que era um presente de grego.

Por conta da paranóia pós-11 de Setembro, entrar no prédio era um desafio para a equipe. Todos eram revistados e o equipamento, checado por cães farejadores. Além disso, só era possível rodar as cenas à noite e nos finais de semana. Isso fez com que as filmagens se arrastassem por cinco meses.

O veterano Pollack conduz o suspense com mão segura, como nos filmes do gênero dos anos 70. O resultado é uma obra envolvente que carrega nas doses de suspense. O maior empecilho é acreditar que uma ativista de um país conturbado pudesse trabalhar na ONU circulando livremente em meio às principais autoridades mundiais. Mas Nicole Kidman esbanja talento e torna essa questão irrelevante, compensando a atuação apagada de Sean Penn. Flertando com o inimigo