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Fotos: Arquivo Pessoal
Fotos: Arquivo Pessoal
Claudio Gatti
Daniella, aos cinco anos, (no alto) com a avó Maria de Fátima e o avô, já falecido, em Lavras. A mãe, Yara (ao centro), casou-se grávida de três meses e as famílias não se davam bem. “Eles nunca gostaram da gente”, diz Maria de Fátima (acima). No dia do casamento, houve duas festas – uma com a família do noivo, outra com os Cicarelli. “Só vi os pais dele uma vez: na igreja”, diz ela sobre a família do ex-genro
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Revelação
Vovó Cicarelli

Maria de Fátima Cicarelli, a avó que Daniella acusa
de tê-la desprezado na juventude, lembra da infância
da modelo e acha que ela foi “mimada demais”
Cecília Maia, de Lavras (MG)

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Claudio Gatti
Maria de Fátima: “Ela se parece mesmo é com a minha
mãe, que tinha os mesmos olhos grandes e azuis”

No domingo 20, a modelo Daniella Cicarelli ligou de Madri para a mãe, Yara Cicarelli, 48 anos. “Mãe, a vó vai dar entrevista na televisão?”, perguntou apreensiva. A modelo temia que Maria de Fátima Duque Cicarelli, 71 anos, a quem não vê e não conversa há 11 anos, piorasse ainda mais a situação delicada que vive desde a noite de seu casamento, na segunda-feira 14. “Eu fiquei sabendo do casamento pela televisão, e depois me disseram que até o cachorrinho dela foi!”, reclamou a avó, que, ao lado dos demais familiares por parte de mãe, não foi convidada. No último Domingão do Faustão, Daniella retrucou: “Fazia 15 anos que minha avó nunca apareceu. Não ligava no Natal, em aniversário e, em vez de ligar, vai no programa de tevê e fala: ‘Eu não fui convidada’”. Mas nem sempre avó e neta viveram às turras. Enquanto os pais de Daniella moraram juntos em Belo Horizonte, até a menina completar seis anos, eles passavam todas as férias na pequena cidade mineira de Lavras.

“Eu me acostumei com a ausência dela”

 
A senhora ficou muito triste por não ter sido convidada?
Eu não iria mesmo ao casamento, mas acho que não está certo deixar a família de lado. Fiquei triste sim, mas desejo que ela seja muito feliz.

Ela passava as férias aqui e depois nunca mais falou com a senhora. Sente falta?
Já senti muita saudade, mas me
acostumei com a ausência dela.

A senhora acha que ela seria mesmo capaz de expulsar alguém da festa?
Oh! se não!!!! Ela é geniosa mesmo. Isso
tá errado, eu jamais expulsaria alguém
da minha casa.

O que a senhora acha do marido dela, o Ronaldo?
Ele parece um rapaz simples, humilde, não é como ela não...

Como assim?
Ela não tem humildade, uai!

A avó se lembra de fritar batatinha o dia inteiro para satisfazer a vontade da neta. “O Cicarelli, meu marido, vivia com ela na rua comprando pirulitos e balas ou então levava a Dani para a nossa chácara, onde ela se sujava de terra e brincava muito”, lembra. Hoje, Maria de Fátima diz: “Ela foi mimada demais por isso ficou assim geniosa e de nariz empinado. O que ela fez com a babá do filho do Ronaldo (que teria ficado do lado de fora da festa) foi uma humilhação”. Daniella tem semelhanças físicas com a avó. Como a neta, Maria de Fátima é magra e alta, mede 1,70 metro de altura. “Olha o meu braço comprido, ela também tem”, demonstra, rindo, porque é a parte do corpo de que menos gosta. O jeito ligeiramente curvado de andar e o sorriso largo com os lábios bem delineados de ambas são parecidos. “Mas ela se parece mesmo é com a minha mãe que tinha os mesmos olhos grandes e azuis”, diz. Daniella conviveu com a avó depois da separação dos pais. Ela e a mãe continuaram morando no apartamento que estava em nome dos avós paternos, no bairro Gutierrez, em Belo Horizonte. Yara vivia da pensão do ex-marido e dos cachês de Daniella como modelo mirim.

Aos 12 anos a menina já era conhecida em BH. O primeiro trabalho fora da capital foi em Lavras. “Havia fotos dela espalhadas pela cidade e eu gritava para todo mundo dizendo que era minha neta”, lembra Maria de Fátima. Depois da morte do avô, há 11 anos, ela nunca mais voltou à cidade. Aos 15 anos, desfilava no Rio e em São Paulo e aos 18 anos, por decisão própria, foi morar com a avó paterna. “Ela não veio por guarda judicial. Tentamos buscá-la uma vez mas o juiz não quis dar a guarda. Ela preferiu ficar com a mãe e ficou”, disse a avó Fausta ao jornal Extra, desmentindo a informação de que Yara batia na filha e por isso ela teria saído de casa.

Segundo a família materna, Fausta pediu de volta o apartamento onde Daniella morava com a mãe, que foi para casa de amigos. Yara arranjou emprego como caixa de uma loja e mudou-se para o popular Edifício JK, que tem 3.090 apartamentos. “Há dois anos Daniella comprou um apartamento de dois quartos no bairro Anchieta, de classe média, e deixou a Yara morar lá”, conta Eduardo Cicarelli, 51 anos, tio da modelo. Os problemas entre Yara e os ex-sogros teriam sempre existido, desde a época do casamento.

Filha de mecânico e vendedora de sucata que cursara até a quarta série, Yara conquistou o coração do melhor partido de Lavras, Antônio de Pádua da Silva Lemos, filho único de Fausta e Francis da Silva Lemos, que era gerente do Banco do Brasil. Não era o casamento sonhado para o filho, mas a união aconteceu na Igreja Nossa Senhora Auxiliadora na noite de 15 de abril de 1978, com Daniella já na barriga de três meses da mãe. “Eles nunca gostaram da gente. Só vi os pais dele uma vez: na igreja”, diz a avó.

Nem na recepção do casamento os Lemos apareceram. “Depois ficamos sabendo que eles tinham feito outra festa na casa deles!”, conta Eduardo. Para agradar aos dois lados, os noivos ficaram numa festa e depois na outra. “Na hora de ir embora o Pádua deu um show porque não encontrou a chave do carro. Achava que alguém havia pego. Foi um grande constrangimento. Por fim ele encontrou a chave no bolso da calça”, lembra Eduardo. As mágoas cresceram depois de Daniella tornar-se mais distante. Mas a avó ainda tem esperanças de um dia rever a neta: “Nós amamos a Daniella, queremos que seja muito feliz”, afirma. “Rezo todos os dias e sei que quando for a hora vou rever a minha Dani”, diz a avó, que é budista.

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