Reportagens  
Revelação
Marisa monte foi minha madrasta
Filha de Nando Reis, Sophia Reis estréia no cinema em Meu Tio Matou
um Cara
, fala da infância com os Titãs e da relação com Marisa Monte
texto: Jonas Furtado
foto: Claudio Gatti

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“Na minha primeira cena de beijo, estava
muito insegura’’ Sophia Reis, de 16 anos,
que perdeu 60 dias de aula para fazer o filme

O final de ano da atriz Sophia Reis foi atribulado. Para não ser reprovada na escola, ela cortou todos os compromissos sociais e, entre as aulas regulares, no colégio, e as particulares, em casa, estudava até dez horas por dia. A maratona da filha do cantor e compositor Nando Reis teve final feliz (pegou apenas uma recuperação e foi aprovada) e uma causa nobre: devido às filmagens de seu primeiro longa-metragem, ela perdeu dois meses de aula em 2004 – tempo no qual morou sozinha em Porto Alegre, onde foi rodado Meu Tio Matou Um Cara, de Jorge Furtado.

“Foi diferente de tudo o que já tinha vivido, não só profissionalmente, mas pessoalmente”, diz Sophia, que fez sete anos de teatro, mas só atuara em peças amadoras. “Sempre morei em São Paulo, na mesma casa, e nunca tinha ficado tanto tempo fora.” A estréia no cinema trouxe outros percalços inéditos. “Na minha primeira cena de beijo, estava muito insegura”, conta a atriz de 16 anos, que foi tranqüilizada pelo colega Renan Gioelli, tão jovem quanto ela, mas com bagagem em cenas desse tipo. “Ele já tinha beijado a Beth Faria”, diverte-se Sophia. Para o diretor Jorge Furtado, sua aposta em Sophia foi acertada: “Fiz testes com mais de cinqüenta meninas. No teatro, o ator controla totalmente a ação, enquanto no cinema há também outros elementos, e é preciso saber dosar sua interpretação. Sophia demonstrou essa capacidade logo de cara”, afirma.

Segunda dos quatro filhos de Nando e da psicóloga Vânia Passos, hoje separados, Sophia diz que o pai lhe proporcionou uma infância inusitada. “Nasci no meio dos Titãs, era como se fossem meus tios. Programa de fim de semana era acompanhar meu pai nos shows”, lembra, antes de classificar como “normal” a convivência com famosos em casa. “Meu pai namorou a Marisa (Monte), ela foi minha madrasta durante um tempo. Para mim, ela era a namorada do meu pai, não a Marisa Monte.”

Apesar da intimidade com o meio artístico, ela ressalta que Nando sempre deu espaço para que escolhesse os próprios caminhos. Tamanha liberdade, aliás, custou caro ao compositor, apaixonado por futebol e são-paulino fanático. Numa família tricolor, Sophia causou uma crise ao assumir-se como torcedora do Santos há dois anos. “No início, meu pai ficou arrasado, meu irmão chorou. Me senti uma traidora, mas amor a gente não escolhe. Hoje, ele já aceitou e até me apresentou o Robinho. Digo que o São Paulo está no sangue e o Santos no coração.”

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