Reportagens  

Personalidades do ano 2004

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“A minha independência é minha maior conquista. Sou geminiana, detesto as pessoas mandando, falando o que eu tenho de fazer” Ana Beatriz Barros
Segunda de três filhas de um engenheiro aposentado e uma dona de casa, a modelo mineira Ana Beatriz Barros termina
2004 faturando US$ 2 milhões, o dobro do ano passado. Foram 50 desfiles, 43 editoriais, 16 capas de revistas, 12 campanhas e
58 viagens a trabalho. Com 1,79m e 57 quilos, tem 22 anos de idade e 9 de carreira
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Capa - Personalidade do ano 2004
Ana Beatriz Barros

Aos 22 anos, modelo mineira fatura US$ 2 milhões em 2004, é estrela da Victoria’s Secret, L’oréal e da grife de Jennifer Lopez e recebe seis convites para atuar no cinema americano
texto: Rodrigo Cardoso
fotos: edu lopes

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Ana Beatriz Barros passou a maior parte da infância dentro de apartamentos. Segunda de três filhas de um engenheiro aposentado e uma dona de casa, ela nasceu mineira, em Itabira, cidade de 80 mil habitantes, mas morou em Araxá, Uberaba, Belo Horizonte e no Rio de Janeiro por conta das constantes transferências do pai. Além da criação nômade, outros fatos marcaram a fase pueril de Ana Beatriz. “Meus pais cortavam as asinhas das três filhas. Eu nunca dormi em casa de amiguinhas, não podia descer para o playground e, para ir à praia, meu pai tinha de me levar e buscar”, lembra. “E não podia sair de casa sem sutiã. Meu pai passava a mão nas minhas costas para ver se eu estava sem.”

Descendente de uma tradicional família mineira, Ana Beatriz estudou em colégio de padre – onde era proibida de vestir saia – e sonhava em ser médica. Em muitas histórias, porém, passado e presente não conversam. Assim aconteceu com Ana Beatriz: quem poderia imagi-
nar que a menina reclusa de Itabira ganharia o mundo como modelo?

Hoje, aos 22 anos, nove de carreira, ela raramente passa dois dias em casa e não raro é requisitada para revelar em campanhas, desfiles e editoriais de moda, os dotes que, no passado, ficavam escondidos – tem 1,79m de altura, 57 quilos, 88 cm de busto e 90 cm de quadril. “Ana está em ascensão e, hoje, figura na categoria que seria a Fórmu-
la 1 das modelos”, atesta Olivier Daube, diretor-geral da agência Elite.

Para fechar o melhor ano de sua carreira faturando US$ 2 milhões – o dobro de 2003 –, Ana Beatriz fez 58 viagens, 12 campanhas e 50 desfiles. “Para uma grande modelo, os melhores trabalhos são um contrato com uma empresa de cosmético, fazer a campanha da Victoria’s Secret e fotografar para a Sports Illustrated”, conta Ana, que, este ano, fez os três. “Antes, eu era uma boa modelo fashion. Agora, o público me reconhece. No Google (site de busca na internet), tem 120 mil páginas com meu nome. É engraçado quando chego numa festa e os paparazzi falam: ‘Ana, Ana’.”

Dois trabalhos contribuíram para a popularização da modelo. No início do ano, se tornou o rosto da L’Oréal para a Europa e América do Sul – nos comerciais de tevê seu nome tem tanto destaque quanto a nova coloração de seus cabelos: loira. E, em junho, quando esteve no Brasil para a São Paulo Fashion Week, foi procurada pela cantora e atriz americana Jennifer Lopez, que ligou meia dúzia de vezes para o celular da modelo para convencê-la a fotografar para a sua grife de roupas e lingerie por um cachê menor.

Ana Beatriz posou para J. Lo, que dirigiu pessoalmente o trabalho, mas não reduziu o cachê. “Nas fotos, a J. Lo insistia para eu arrebitar o bumbum. Ela viaja! Acha que somos parecidas, mas não tenho esse bundão todo”, conta a modelo, que viu sua foto num pôster em Times Square e o making of do trabalho na famosa loja de departamentos Macy’s. “Escolhi a Ana porque ela se parece comigo e com o ideal da mulher que usa minha grife. É a melhor representação da mulher latina, de pele dourada, e muito sexy, como eu”, disse à Gente Jennifer Lopez por e-mail. O pai da brasileira, Reinato Barros Júnior, 56, diz que a família se diverte quando a filha é apontada como sex symbol. “A gente morre de rir. Eu digo: ‘Sexy? Não é possível. Ela é magra, alta, um palito’.”

Reinato confirma ter sido “linha-dura” na criação das três filhas e que o jogo de cintura, no início da carreira de Ana Beatriz, ficava por conta da mulher, Sônia. “Eu não sabia nada desse troço de modelo, trabalhava com peão o dia todo”, conta o pai. “Um dia vi na televisão uma mulher pelada num banheiro. Ela falava que era modelo. Aí, gravei uma fita e mostrei para minha esposa para ela ver onde nossa filha estava se metendo.”

Ela está comprando um apartamento em Nova York, construído por Donald Trump, por US$ 1,4 milhão, e
foi contratada por Jennifer Lopez para uma campanha. “Escolhi a Ana porque ela se parece comigo e com o
ideal da mulher que usa a minha grife”, disse Jennifer

Hoje, além de torcer pelo sucesso da filha, Reinato contribui diretamente para isso. “Às vezes, ela me liga dos Estados Unidos e me pede para eu acordá-la no dia seguinte para um trabalho. Virei o despertador dela.”

Ana Beatriz mora de aluguel em Nova York e não quer se dar ao luxo de atrasar nos compromissos para não protelar um antigo sonho. “Quero um loft no West Village. Ainda não achei o que quero. Sabe quanto custa? US$ 3 milhões”, conta ela. “O (Donald) Trump está construindo um na rua 65 com a 8ª avenida. Tô comprando um na planta por US$ 1,4 milhão. O apartamento fica pronto em outubro de 2005. Aí, vai estar valendo US$ 2 milhões. Vou vendê-lo e tentar comprar o loft que quero.”

Em território nacional, a modelo comprou um apartamento em Niterói para a irmã mais nova, mantém um outro montado em São Paulo e não esconde o desejo de ter uma casa na praia. “Mas a minha independência é minha maior conquista. Sou geminiana, detesto as pessoas mandando, falando o que eu tenho de fazer.”

Solteira – ela vive uma fase vai-não-vai com um marchand americano –, Ana Beatriz diz que sente falta da família. Do namorado, nem tanto: “De vez em quando eu o vejo, está bom”. Independente desde os 17 anos, quando passou a morar sozinha, ela festeja Nova York pelo fato de tudo funcionar 24h por dia. Tem prazer em cozinhar para amigos ou sair para saborear a culinária chinesa. Na condição de estrela da Victoria’s Secret, possui um cartão que lhe dá carta branca para gastar US$ 2 mil todo dia em qualquer loja da marca no mundo.

No Brasil, ela é estrela do Iguatemi, o shopping mais chique de São Paulo, e lançou uma linha de moda praia em parceria com Amir
Slama (Rosa Chá e Sais) – é a primeira vez que assina um produto.
E, inesperadamente, como diz, caiu nas graças de diretores de cinema. “Este ano tive seis convites para cinema e, não estou brincando, só gente top.”

Luc Besson, diretor americano que lançou a modelo ucraniana Milla Jovovich em O Quinto Elemento, foi um dos que a procuraram. Denzel Washington, representado por um produtor, e os irmãos Cohen fizeram sondagens na agência da brasileira. “Nunca pensei em atuar, mas, agora, que modelo vai falar não para esse tanto de gente? Para eu em-
barcar nessa, tenho de parar a carreira por um mês e fazer um curso.”

Ex-menina desengonçada, de aparelho nos dentes e que comia uma lata de leite condensado num dia para ganhar peso, Ana Beatriz fez do estilo magricela seu passaporte para o mundo. E, há um ano, confir-
mou a vitória dentro de casa ao convencer o pai a tatuar, como ela, as irmãs e a mãe, uma Lua e uma estrela, como marca dos Barros.

Reinato conta que por cinco anos foi pressionado pela mulher e as filhas. “Tomei duas doses de uísque e fui para São Paulo tatuar”,
conta ele. “Tatuei no peito do pé para não aparecer muito. Um ho-
mem de 50 e tantos fazendo tatuagem? Os amigos podiam ficar enchendo o saco. Mas doeu, Nossa Senhora!” Para Ana Beatriz,
foi uma agradável surpresa. “Ele venceu uma barreira e demons-
trou carinho e união familiar.”

Produção: Camila Cury, Bianca Cury, Patrícia Nesse, Mariana Sabbagk (Imagem-Consultoria)
Agradecimentos: Best Body, Clube Chocolate, Schutz, Sais, Acervo Imagem, Jaques Janine (Shopping Eldorado)
Cabelo: Láyon S. Maquiagem: Teka Costa
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