14 de fevereiro de 2000
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Romance

Conquistas de Tônia Carrero
A atriz, que pediu a Marluce Dias para voltar à Globo, diz que Rubem Braga ameaçou suicídio por ela, conta que namorou Paulo Autran e que roubou seu segundo marido de Cacilda Becker

Viviane Rosalem

Foto: André Durão

Nas ruas de Paris, em 1947, com o marido, o cenógrafo Carlos Thiré, a professora de educação física Maria Antonieta Portocarrero esbarrou com o escritor Rubem Braga. Surpresa, horas depois soube que o encontro não fora casual. "Ele estava completamente apaixonado por mim e me seguiu até lá", conta. Tônia se rendeu ao escritor, com quem teve um romance por seis meses. "Nos encontrávamos numa garçonniére de um amigo dele", lembra. Caminhando com ela na praia do Leblon, Rubem fez um soneto. E ameaçou se suicidar caso ela o abandonasse, dizendo que se jogaria na frente de um carro. A história, real, é uma das que a atriz revelou na peça Amigos para Sempre, que esteve em cartaz em São Paulo até domingo 6.

Foto: Prensa Três
Com o escritor Rubem Braga, que ameaçou se matar se Tônia o deixasse

Aos 77 anos, Tônia só deixou os palcos para retornar à tevê. Nos próximos dias, ela volta em Esplendor, nova novela das seis da Globo, como a atriz francesa Mimi Melody. Na emissora, sua última novela foi Sassaricando, em 1990. Depois, fez Sangue do Meu Sangue, em 1998, no SBT. Sem trabalho há dois anos, bateu à porta da Globo e conversou com a diretora-geral, Marluce Dias da Silva, e o diretor de criação, Daniel Filho. "Adoro fazer novela", diz. A primeira na Globo foi Pigmaleão 70, em 1970. Em 1980, brilhou em Água Viva.

Tônia começou no teatro, a contragosto do marido Carlos. "Ele não queria que eu fosse atriz. Quando atendia ao telefone, dizia que Tônia Carrero não existia", diz. Nos palcos, conheceu Paulo Autran. Os dois namoraram por quase dois anos, no início dos anos 50. "Me apaixonei e ainda estava casada com Thiré. Mas nossa grande paixão foi o teatro", conta. Autran não detalha o romance, mas exalta a amiga. "Nos palcos, fazia brincadeiras para o público e nem sempre me segurava", conta. "Mas Tônia não ria. Era impossível fazê-la rir. Ela sabia se controlar."

A mãe da atriz, a dona-de-casa Zilda Portocarrero, também achava um absurdo a profissão da filha. "Depois que ela morreu, descobri debaixo da sua cama recortes de jornais e revistas sobre tudo o que eu fazia", conta. Quando criança, Tônia nem podia fazer balé. "Ela alegava que eu acabaria no palco." A paixão pelas artes ficou mais forte quando Tônia conheceu, através de amigos do marido, os poetas Carlos Drummond de Andrade, Paulo Mendes Campos e Vinícius de Moraes, que passaram a freqüentar seu apartamento em Ipanema. "Cantávamos a noite toda com Vinícius, que não largava o violão", lembra. Deslumbrado com sua beleza, o poetinha escreveu versos para Tônia, que viraram a música "Formosa".

Ao contrário de Vinícius, Drummond virou o rosto ao ser apresentado à atriz, nos anos 40. "Depois, ele me disse que era difícil me encarar no auge dos meus 21 anos", conta. O rosto e o corpo de Tônia, chamada pelos amigos de Mariinha, impressionavam. Em 1952, seu perfil foi reproduzido nas moedas de dez cruzeiros. "Tinha 30 anos e fiquei lisonjeada", conta. Tônia estrelava os filmes da produtora Vera Cruz e encantou o diretor de teatro Adolfo Celi, seu segundo marido por 11 anos. Apaixonado, deixou Cacilda Becker, com quem mantinha um caso havia um ano, para se casar com a atriz. "Cacilda levou a história a sério e paramos de nos falar", lembra Tônia. Só 11 anos depois, separada de Celi, se reconciliou com a colega. "Disse a ela que ficara com Celi porque, no fundo, queria ser ela", conta Tônia. "E Cacilda disse: 'Sempre soube disso'."

Foto: Reprodução
Em 1961, em Ipanema: musa de poetas e escritores

Com o terceiro marido, o engenheiro César Thedim, viveu 15 anos. "Nelson Rodrigues nem acreditou quando soube que me casaria de novo", lembra. "Disse que eu era mulher de um amor só." Com mais de 20 peças no currículo, nos anos 50 Tônia montou, com o ator Paulo Autran e Adolfo Celi, uma companhia de teatro. "Após sete anos, Celi e Autran saíram e eu continuei", diz. Ela ainda mantém a companhia, TAC - Tônia, Autran e Celi -, da qual o filho Cecil Thiré, 56 anos, é sócio. "Mamãe é uma mulher exuberante", diz o ator. "Concentrada no trabalho, não dá papo. Fora isso, é acolhedora e generosa."

Tônia não quis mais ter filhos. Nem tentou. "O Thiré não queria e ficou furioso comigo quando soube da minha primeira gravidez", conta. A atriz escondeu do marido até o terceiro mês de gestação. "Depois, acabou aceitando", conta. Hoje, ela se orgulha ao ver o filho e dois de seus quatro netos, Luíza, 28 anos, e Carlos, 27, seguindo sua carreira. Eterna vaidosa, Tônia - bisavó de Vítor, 6 anos, e Juliana, 3, filhos de Luíza - é a favor dos recursos para cultivar a beleza. "Plástica para mim é uma questão de higiene, de amar a si próprio", diz. A atriz se submeteu a três cirurgias para suavizar rugas. "É mais simples e bonito a pessoa que conserva seu rosto do que aquela que se entrega."

Envie esta página para um amigoEla mantém a forma com aulas de alongamento três vezes por dia. Quando jovem, foi sondada para posar nua, mas não quis. "Minha formação era outra", diz. Recentemente, concorreu ao título de mais bela do século num concurso do Fantástico. Sobre a eleita, a atriz Maria Fernanda Cândido, Tônia faz elogios, mas atribui muitos deles ao sucesso em Terra Nostra: "Tomara que daqui a 50 anos ela tenha a vontade de vencer como eu tenho agora."

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