14 de fevereiro de 2000
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A urgência da notícia e o esmero da reportagem

Foto: Piti Reali

Na confecção semanal de Gente, existem reportagens levantadas com a paciência de um monge budista e outras realizadas a toque de caixa, premidas pela urgência do fato. Duas histórias que estão na capa desta edição ilustram esta diferença. Na manhã de segunda-feira 7, o repórter Rodrigo Cardoso mal teve tempo de chegar à redação e foi despachado para Uberlândia, onde o cantor Alexandre Pires atropelara um motoqueiro. Em menos de 24 horas, ele ouviu familiares do cantor e da vítima, policiais e testemunhas que ajudaram a reconstituir a noite de Alexandre na véspera do acidente. E ao meio-dia de terça-feira 8 despachou para São Paulo o relato que está à página 78.

No outro extremo, faz dois meses que a chefe da sucursal do Rio, Adriana Barsotti, e a repórter Rosângela Honor obtiveram a informação de que o escritor Paulo Coelho tinha se tornado o segundo autor mais vendido em todo o mundo, o que justificaria uma boa reportagem. Receptivo, Paulo Coelho ficou de marcar uma entrevista, mas seus compromissos internacionais a adiaram seguidamente, até que no final de janeiro ele agendou o encontro com a revista. Por telefone, quis saber previamente quanto tempo a entrevista e a sessão de fotos consumiriam. Também quis se informar se Rosângela tinha lido a sua obra.No dia marcado, Paulo Coelho foi pontual. Antes de iniciar a entrevista, pré-determinou o lugar em que a repórter se sentaria, na cabeceira da mesa. Quinze minutos antes do término previsto, advertiu: "Olha o que combinamos. Seu tempo está acabando". Ele próprio desrespeitou o limite diante da fluência da conversa. Terminada a entrevista, a equipe desceu para a praia para completar a sessão com o fotógrafo André Durão.

Foto: Leandro Pimentel

Mas a reportagem ainda teria mais um capítulo. Na quarta-feira 2, Paulo Coelho estava na Suíça, participando do Fórum Econômico de Davos, e acabara de se encontrar com Bill Clinton. Recebeu então um recado de Rosângela de que precisaria contar mais esta história para finalizar a reportagem, com o aviso de que poderia ligar a qualquer hora para a casa da repórter. Já passava de meia-noite, horário do Brasil, quando ele fez a ligação. "Estou exausto, tive um dia cheio e só vou falar por alguns minutos", anunciou. Os poucos minutos viraram meia hora.

Luciano Suassuna
Diretor de Redação

 

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