7 de fevereiro de 2000
Home
Home
Semana
Diversão e Arte
Outras Edições
Outras Edições
Fale Conosco
Assine
Assine
Assine
Assine
Assine
Assine
Busca
 



 

MorumbiFashion

Foto: Pio Figueiroa

Uma tigresa de unhas negras
Estrela da Ellus, Alek Wek deu de ombros à polêmicanos bastidores e esbaldou-se com arroz e feijão

Alvo de críticas por ser estrela nas passarelas de um país predominante negro, a modelo sudanesa Alek Wek pouco se importou com os comentários maldosos nos bastidores do VIII MorumbiFashion Brasil, o maior evento de moda da América Latina, que aconteceu entre a quinta-feira 27 e a segunda-feira 31, em São Paulo. Aos 22 anos, a modelo sudanesa tem seus próprios conflitos para administrar. Ela não é apenas a top model que já desfilou para grifes como Fendi, Gucci e Chanel e foi eleita a mais bonita da década pela revista inglesa i-D. Tampouco é apenas uma refugiada que aos 14 anos fugiu do conflito que já matou quase 2 milhões de pessoas em 15 anos de guerra civil em seu país. “Ela é as duas coisas, uma condição atrai a atenção sobre a outra”, diz o gerente de comunicação da grife Ellus, Marcelo Sebá. Tanto que Alek integra o conselho deliberativo do comitê norte-americano para refugiados. Por onde ela passa, a questão sudanesa emerge. Como no desfile para a Ellus, na quinta-feira 27, grife que a contratou com exclusividade. A estrondosa recepção do público chegou a assustá-la. Alek é uma das poucas negras a fazer sucesso nas passarelas da moda. “Essas modelos têm uma limitação de mercado difícil de vencer”, explica Paolo Zampolli, presidente da agência americana ID Models. Ela mesma não parece disposta a colaborar para derrubar tais limites. “Prefiro não falar sobre minha condição racial”, diz. “Sou o que sou não por causa da minha cor, mas porque tenho talento e as pessoas gostam de meus traços.” O caminho até tornar-se uma das poucas a chegar ao topo foi tortuoso. Quando chegou à Inglaterra, onde se refugiou, teve de enfrentar um mundo tão incompreensível quanto o que deixara para trás. “Eu não sabia falar uma palavra de inglês”, lembra. No Sudão, ela não tinha televisão e jamais havia visto escadas rolantes ou condicionadores de ar. Descoberta aos 19 anos, quando caminhava pelas ruas de Londres, a modelo encantou-se com o Brasil. Aqui, reviveu um pouco de sua infância - e sem guerra: “Comia muito arroz e feijão no Sudão e não sabia que era uma comida típica brasileira”, diverte-se.


 
Foto: Silvana Garzaro

Estrelas da última noite
Thiago Lacerda e Claudia Raia monopolizaram as atenções no encerramento do evento

Se o estilista Ricardo Almeida só fizesse roupas femininas, talvez não houvesse tantas mulheres na platéia de seu desfile na segunda-feira 31, que encerrou a VIII MorumbiFashion Brasil. A notícia de que Thiago Lacerda, 21 anos, estaria na passarela, espalhou-se como fogo no feno. As arquibancadas foram pequenas para a tietagem. “Fiquei cego na hora, foi a primeira vez que desfilei”, disse ele, ao final. Thiago só se recusou a desfilar sem camisa, como fez o modelo Paulo Zulu, outro dono de um fã-clube sem limites. “Estou um pouquinho fora de forma”, justificou Thiago.

Foto: Silvana Garzaro

Em plena forma, mas com um figurino que não permitiu à platéia masculina ver nada, estava Claudia Raia, 29 anos, estrela de Lino Villaventura, o outro desfile de encerramento da noite. “Cheguei em cima da hora e nem acreditei que, ao provar o vestido pela primeira vez, ele ficou perfeito”, encantava-se a atriz, que chegou a comparar Lino ao estilista francês Christian Lacroix.


 
Foto: Pio Figueiroa


 

A libertação de Ranimiro
Modelo faz striptease, mostra a prótese e sai como herói da queima do paletó

Se a intenção foi chocar, o estilista Carlos Miéle conseguiu. Mas apenas à platéia. Ao colocar na passarela de sua grife, a M. Officer, seu conceito de “libertação masculina” na quinta-feira 27, ele expôs ao público um striptease nada convencional do modelo Ranimiro Lotufo. Ele despiu-se e, diante de um silencioso público, queimou o paletó. A versão parodiada para o ano 2000 da queima do sutiã feminino nos anos 60 foi o ápice de um desfile que mostrou de tudo, de Hermeto Pascoal à prótese de Ranimiro, que, sem se importar com os olhares curiosos dos espectadores, sorria orgulhoso pelos corredores ao final de seu show.


 
Foto: Silvana Garzaro

Um dourado flagrante
Bronzeada, Ana Hickmann mostra mais que seus olhos azuis nos bastidores

Presença cada vez mais freqüente no Brasil, a modelo Ana Hickmann, 19 anos, que vive nos Estados Unidos, foi uma das estrelas do evento de moda que agitou São Paulo. Contratada com exclusividade para apenas um desfile, ela mostrou nos camarins muito mais que seus belos olhos azuis. Exibiu na quinta-feira 27 um bronzeado invejável, reforçado pelas dez horas de fotos a que se submetera dois dias antes na Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso, sob as lentes de Gui Paganini.


 
Foto: Silvana Garzaro

Chicotada de Tiazinha
O encontro de Suzana Alves com o vanguardista Alexandre Herchcovitch

Foi uma cena digna de registro. O modernésimo Alexandre Herchcovitch quase perdeu o fôlego ao ver quem vinha em sua direção. Era Suzana Alves, a Tiazinha, que não só viu seu desfile, na sexta-feira 28, como fez questão de cumprimentar o estilista. “Adorei as calças cheias de pregas e os vestidos. Com certeza, vou usá-los neste inverno”, rasgou-se em elogios sem perceber a preocupação de Herchcovitch em ver um dia a musa dos chicotes desfilando pela rua suas vanguardistas criações.


 
Foto: Silvana Garzaro

Ninguém se lembrou dela
Luciana Gimenez reclama de ter ficado fora das passarelas do evento

Exibindo medidas invejáveis - 59 quilos em seu 1,81m de altura -, Luciana Gimenez disse que está com saudade das passarelas. Foi ao MorumbiFashion, mas não desfilou. “Não sei por que não me chamaram, estou morrendo de vontade de desfilar”, dizia, desapontada. “Não tem problema, de 12 a 18 de fevereiro vou para a Austrália participar de uma semana de moda. Vou ganhar uma boa grana”, comentou. Luciana vai passar o Carnaval no Brasil e depois volta para Nova York, com o filho Lucas, de 8 meses.


 
Foto: Silvana Garzaro

Um empurrãozinho a mais
Descobridora de talentos, a inglesa Isabella Blow compra dez vestidos de Fause Haten

Quem ficou atenta ao desfile do estilista Fause Haten foi a editora de moda do The Sunday Times e diretora da Vogue inglesa, Isabella Blow. Sua especialidade é reconhecer e garimpar novos talentos. Encantada com o trabalho do brasileiro, Isabella levou dez peças da nova coleção, além de uma calça dourada e uma blusa roxa que fez questão de vestir na hora. Para alegria do brasileiro, Isabella disse que vai recomendá-lo a todas as suas amigas que trabalham com moda.


 
Foto: Silvana Garzaro

Coitadinha de Alice
Gorete Milagres leva filha ao mundo fashion e fala sobre seu programa

Depois de gravar o primeiro programa da versão 2000 de seu Ô Coitado!, que vai ao ar em 7 de abril, Gorete Milagres, 36 anos, foi com a filha, Alice, 5 anos, conferir o desfile da Patachou - e, de quebra, o empurra-empurra das filas dos desfiles. “Tenho que prestigiar a moda da minha terra”, disse a mineira com sua assustadinha filha. Gorete revelou que, na nova fase de seu humorístico, ela vai interpretar, além da empregada Filó, a radialista Zulurdes e a atriz Marlete Vilares, entre outros personagens. Segundo ela, o programa agora se passa num condomínio.


 
Boletim Assine Fale Conosco Outras edições Home Boletim Assine Fale conosco Outras edições Home