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Riscos do “tanquinho”
Febre entre famosos, injeções de polifenóis de alcachofra que “secam” abdome são mais um temeroso milagre estético sem base científica

Bogdana Victoria Kadunc

Claudio Gatti

Victoria: perigo de efeitos lesivos

Médicos que se intitulam dermatologistas mas não possuem título de especialista na área têm recomendado na mídia injeções locais de polifenóis de alcachofra para “secar” a gordura da parede do abdome. O apelidado “tanquinho” virou febre no País e ganhou adesão de pessoas, algumas famosas, interessadas em ter a barriga sarada com menos esforço. Publicações científicas sobre esta substância, trazem alguns relatos pouco convincentes sobre propriedades antioxidantes e preventivas de acidentes cardiovasculares após sua ingestão oral. Inexistem citações médicas sobre o uso em injeções subcutâneas que, portanto, não devem ser utilizadas até que pesquisas científicas comprovem a sua eficácia e segurança.

Vivemos um forte movimento por melhor qualidade de vida, cujo objetivo é a manutenção da vitalidade e o prolongamento da vida útil. Infelizmente, por incompreensão e desejo de imediatismo, criou-se uma compulsão para melhorar rosto e corpo que leva pessoas a cometerem extremismos preocupantes. Ao que surge novo “milagre” estético, desconsidera-se o rigor científico e a novidade passa a ser rapidamente adotada, sem receio de possíveis efeitos negativos. É um retrocesso em relação à moderna medicina baseada em evidências. Por que não exigir para tratamentos estéticos a base científica que se adota para uso de qualquer tratamento médico? Estas drogas são absorvidas pelo corpo tal qual antibióticos, antidepressivos ou hormônios. Não se conhece seu metabolismo, toxicidade e efeitos a médio e longo prazos. Em nome do que aceitar tratamentos sem respaldo científico expondo ao risco nossa saúde pelo simples apelo estético?

Candidatos a tratamentos estéticos devem ter um organismo sadio. É uma afronta aos preceitos básicos da Medicina (primo non noscere) que tais tratamentos lhes desencadeiem doenças ou anormalidades. Amargos exemplos deixaram lições: as injeções de fosfaditilcolina (o famoso Lipostabil), que teriam a mesma função das de alcachofra, têm hoje o seu uso proibido pela Agencia de Vigilância Sanitária, pela falta de comprovação científica e por desconhecimento de efeitos colaterais, além de complicações que seu uso causou. No Brasil, há 5 anos, uma substância para preenchimento de rugas, oriunda da França, deformou faces. Constatou-se depois: era um produto com ação detergente que, um ano após a aplicação, destruía o tecido gorduroso local.

Medicamentos e procedimentos estéticos novos, seguros e eficazes, não são tão numerosos como nos fazem crer as notícias da mídia que se antecipam à ciência. São necessários anos de estudos até que se revelem seguros. Não condenamos os tratamentos estéticos, os apreciamos e praticamos. Mas necessitam de pesquisa e aprovação científica antes da adoção. A saúde e a beleza do corpo resultam de um conjunto de fatores que envolve, além da genética, hábitos ligados à boa qualidade de vida física e mental. A ciência médica, em suas especialidades, investe nesta meta. Destoa do contexto da medicina não fazer diferença entre o rigor científico e o exagero não fundamentado ao abordar uma nova substância com potencial clínico.

Bogdana Victoria Kadunc é presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional São Paulo
Quando exercícios e poder público andam juntos

Coordenador de Área da Secretaria de Esporte e Lazer de Curitiba, o Profissional de Educação Física José Carlos Benvenutti (CREF 001212-G/PR), 53 anos, é um dos responsáveis pelo projeto da prefeitura local que incentiva a atividade física entre adultos, crianças e idosos. "Trabalhamos com crianças de 4 a 86 anos. Quanto mais saudável for a população de uma cidade, melhor para todos", diz o ex-técnico de basquete e de vôlei, hoje especialista em administração esportiva.

Qual o papel da atividade física na educação de uma criança?
A atividade física é fundamental na sociabilização da criança. Nosso projeto, por exemplo, leva o garoto que mora num apartamento à praça, para praticar esportes. Lá, ele convive com meninos de todas as faixas sociais, com o filho do gari e o filho do empresário. Incentivar a prática de esportes também é uma boa maneira de reduzir a evasão escolar, porque faz com que a criança fique mais saudável. E um aluno com energia tem mais disposição para tudo, inclusive para ir à escola.

Poder público e Educação Física podem caminhar juntos?
O poder público pode e deve incentivar o hábito de se exercitar em todas as camadas da sociedade. O rico pode ir ao clube, mas o trabalhador de classe média nunca tem tempo. Quando consegue se programar, vai na hora do almoço ou depois do expediente. É bom que se crie facilidades para isso, até para criar o hábito dos exercícios desde cedo na população.

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