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Embora inspirado em
fato real, livro de Andrea Camilleri é pura fantasia
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Romance
O Rei de Girgenti
Autor italiano trata a desigualdade
social com humor

Adriana Morelli

 

Roteirista e diretor de cinema e teatro, Andrea Camilleri, 79, estreou tarde na literatura, mas logo conquistou milhões de leitores com as aventuras do comissário Montalbano. Agora, com o delicioso romance O Rei de Girgenti (Record, 382 páginas, R$ 44,90), o autor revisita sua terra natal, Agrigento, quando esta ainda se chamava Girgenti, no século 17. Inspirado em um episódio real, Camilleri conta com muito humor e ironia a história de Zósimo, um camponês autoproclamado rei.

Embora baseada em um fato histórico, a biografia de Zósimo é pura fantasia. O personagem já sabia falar aos três meses e, logo, aprende a ler em latim. Em meio a feudos povoados por nobres e clérigos corruptos, Zósimo torna-se líder popular, defendendo a idéia de que “quem tem fome tem sempre razão e quem neles atira, mesmo por necessidade, está sempre errado”.

Apesar de ambientado séculos atrás, o romance de Camilleri cabe como crítica à desigualdade social dos tempos atuais. Zósimo cria suas próprias leis e, em uma delas, diz que “além da abolição da nobreza queria aquilo que chamava de ‘desigualdade discreta’, obtida ‘com uma proporção mais prudente entre pobreza e riqueza’”. Tirando sua força de uma narrativa ágil, permeada por tiradas inteligentes, o romance lança mão do fantástico para tentar redimir a miséria. Dias iguais