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O diretor enfrentou a perda precoce de suas duas
mulheres e considera-se
pai e mãe dos dois filhos

Carreira
Cineasta afinado
Walter Lima Jr. completa 40 anos de
dedicação à sétima arte e fala do
esforço de sua geração em novo filme

Dirceu Alves Jr., de Goiás (GO)
foto: Felipe Barra

A determinação do niteroiense Walter Lima Jr., 65, em fazer cinema esbarrou em vários obstáculos. O primeiro surgiu na adolescência, quando enfrentava seu pai e matava aulas para assistir a filmes. A instabilidade da profissão e os cachês jamais recebidos foram apenas outros problemas que o realizador de A Lira do Delírio e Inocência enfrentou para manter-se firme no propósito. “Se não concretizasse meu sonho, seria um amargurado, ficaria como muitos caras que vejo por aí”, diz ele, que passou de assistente de Glauber Rocha em Deus e o Diabo na Terra do Sol direto para a direção do primeiro longa, Menino de Engenho, em 1964.

Em dezembro, o cineasta começa a rodar Os Desafinados, um filme que está na sua cabeça há sete anos, desde que lançou A Ostra e o Vento. “É a história de músicos que, nos anos 60, tentam a sorte nos Estados Unidos para conquistar o Brasil. Um pouco dessa nossa geração que botou a cara no mundo para provar que podia dar certo”, afirma o diretor, que escalou Rodrigo Santoro e Murilo Benício para o elenco. Os longos jejuns entre um filme e outro foram driblados com documentários para o Globo Repórter e séries de tevê, que determinaram a versátil filmografia do diretor. “Nunca me preocupei com gênero. Faço o trabalho que aparece pelo prazer do momento”, completa ele, que, em 2003, estreou no teatro com Dois na Gangorra, dirigindo Murilo Benício e Giovanna Antonelli.

Superar a eterna crise do cinema foi fácil perto da morte de suas duas mulheres, a atriz Anecy Rocha, em 1977, com quem teve Jorge, 27, e a cantora Telma Costa, em 1989, mãe de Branca, 24. “Sou pai e mãe deles e temos uma relação muito estreita”, diz Lima Jr. “Fazia Globo Repórter com o Jorge no meu colo. Viajava pelo Brasil e pagava camareira para ficar de olho nele, que ficava plantado na frente da tevê com um pacote de biscoitos. Deve ser por isso que Jorge se desliga do mundo quando vê tevê.”
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