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Reportagens
“Levei uns dois ou três anos até me assumir como
ator. Achava que era influenciado”, conta Carlos
Revelação
Talento de família
O ator Carlos Evelyn, que é irmão de Deborah Evelyn e sobrinho de Renata Sorrah, ganha espaço na novela das oito e vai produzir
peça com a irmã

Nina Arcoverde Mansur
foto: André Durão

A-iu-me xe, pe remi’urama.
A expressão em Tupi – que significa “aqui estou, sua comida” – que para muitos não diz nada, remete Carlos Evelyn a um dos momentos profissionais mais importantes de sua vida. Protagonista do longa-metragem Hans Staden, lançado em 2000, o ator de 34 anos superou obstáculos para viver o aventureiro alemão que marcou sua estréia em cinema. Durante dois meses teve aulas de Tupi, visitou aldeias indígenas e precisou gravar várias cenas nu. “O filme mudou minha vida. De repente me vi pelado vivendo uma realidade totalmente diferente da minha”, lembra. Irmão de Deborah Evelyn, seu principal desafio hoje é fazer de Oscar, seu personagem em Celebridade, mais um passo importante em sua carreira na televisão. “Inicialmente o Oscar integraria o elenco de apoio, mas cresceu e está envolvido no mistério da morte de Lineu”, comemora.

Residindo em São Paulo, Carlos diz que a novela estreitou a relação com a irmã. É no apartamento dela e do cunhado, o diretor Dennis Carvalho, que se hospeda quando vem ao Rio para gravar a trama de Gilberto Braga. Embora evitem comentar seus papéis na novela, ele diz que em certas horas, como no jantar, é quase impossível não falar no assunto. “Comentamos como espectadores que têm informações lá de dentro. Mas é lógico que se a Deborah faz uma ótima cena eu dou os parabéns”, diz Carlos. Assim que terminarem as gravações, ele e Deborah mergulham numa parceria inédita: a produção da peça Bash. “Nunca trabalhamos juntos, embora a Deborah tenha 20 anos de carreira e eu, dez”, conta.

O orgulho de ser irmão de Deborah e sobrinho de Renata Sorrah um dia foi motivo de dúvidas na vida profissional do caçula de três irmãos. Antes de se entregar ao teatro na Escola de Artes Dramáticas da USP (EAD), em 1991, Carlos cursou períodos de jornalismo e psicologia. “Levei uns dois ou três anos até me assumir como ator. Achava que era influenciado”, conta. Após a morte do pai, em 1996, resolveu passar um ano estudando no Actor’s Studio, em Nova York. Teve aulas com os preparadores de Harvey Keitel e Michelle Pfeiffer e conheceu Al Pacino.

Em Nova York, o ator teve a companhia da atriz Graziela Moretto, a Beki de Da Cor do Pecado, amiga dos tempos da EAD. “Foi importante. Podíamos contar com o outro”, diz
ele. No retorno ao Brasil, a dupla fundou a companhia de teatro Veselka, batizada com o nome do restaurante polonês do Soho onde se encontravam semanalmente. No ano passado, criaram a produtora de vídeo Cosmo Filmes. “A parceria, que já era espiritual, formalizou-se. É um casamento”, completa a atriz. Agora, a dupla prepara um docu-
mentário sobre a Escola de Artes Dramáticas.
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