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Entrevista
Fotos: Felipe Barra
Luciano em Pirenópolis (GO), cidade onde nasceu: “Eu era muito arrogante”
CONTINUAÇÃO
O sucesso o deixou arrogante?
Dá conselhos para a Wanessa Camargo?

Luciano
‘‘Amo Dostoievski’’
O cantor fez aulas de violão só para tocar
para a esposa, se diz leitor assíduo de filosofia
e do autor de Crime e Castigo, tentará reverter vasectomia para ter mais filhos ou partirá
para um bebê de proveta

Urgente: Os bastidores do filme de Zezé Di Camargo e Luciano Diversão e Arte: Caixa celebra carreira da dupla

Daniel Bergamasco, de Goiânia

 

Em um dos sets de gravação de Dois Filhos de Francisco – filme que narrará sua história ao lado do irmão Zezé Di Camargo – o cantor Luciano (Welson David, de batismo) faz os técnicos gargalharem, especialmente quando imita uma garota aspirante a Wanessa Camargo. “Eu sou Uaaaanessa! Uanessa Camargo”, brincava, com voz de menina adolescente, e emendava sob o olhar atento de Zezé. “Vou ficar famosa, ter minha melissinha, meu batom!”. Sob uma das tendas do set (que simulava uma arena de rodeio), o cantor que já vendeu mais de 20 milhões de discos relembrou momentos difíceis e reconheceu alguns erros. Hoje, aos 31 anos, está feliz ao lado de Flávia Fonseca Camargo, 25, com quem está casado há um ano. Vivendo o terceiro casamento e pai de Wesley, 15, Natan, 9, e da filha adotiva Talita, 29, Luciano planeja reverter a vasectomia feita em 1998 na clínica Roger Abdelmassih, onde também mantém sêmen congelado. Se a reversão não der certo, o cantor planeja um bebê de proveta.

Por que contar a história da dupla no cinema?
Nossa história é a de muitos brasileiros, mas nem todos
podem fazer um filme. É uma história de muita batalha, exemplo de dois heróis verdadeiros.

No filme, a atriz Natália Lage interpreta Cleu, sua primeira mulher (Antônia Cleurileide, que se casou grávida, aos 14 anos, com Luciano, que tinha 15).
Como foi esse flash back?

Quando me casei, aquilo foi um presente de Deus. Depois que me separei, um ano depois, minha relação com a Cleu virou um inferno. A carga negativa era muito grande. Nunca respondi à altura as ofensas dela, nem aquelas que ela fez na televisão, quando foi ao Programa do Ratinho dizer que eu tinha me negado a dar um teclado ao Wesley – e ele nunca tinha me pedido um. Hoje ela é madura, podemos conversar. Até porque temos um filho de 15 anos e ele, como todo adolescente, tem problemas e precisa de apoio.

Vocês conversam, sem problemas?
Conversamos! Não falo e não cumprimento os pais dela.
Ele (o pai) brigava comigo por coisas banais, me culpava
pela gravidez. Pedi para o pessoal (os roteiristas do filme)
não mostrar minha relação com eles, porque moramos todos juntos e sofri muito. Era uma relação conturbada.

Você cresceu em Goiânia, longe do Zezé, que já batalhava pela carreira em São Paulo. Como você
via essa luta dele?

Sempre fui fã do Zezé e acreditava que ele era famoso em São Paulo, o maior sucesso! Via ele chegando de Maverick para visitar a gente naquele nosso mundinho, na periferia de Goiânia, ficava encantado! Só entendi quando me mudei pra São Paulo (para formar a dupla, em 1990) e vi as dificuldades.

Quais dificuldades?
Muitas vezes, vi faltar coisas para comer em casa. Ele ganhava pouco como compositor. Mas tudo bem, eu não desanimei, porque sentia que eu estava lá para somar e fazer sucesso, sabia que aquele período seria curto. E foi mesmo. Em cerca de um ano começamos a fazer sucesso.

Já se sentiu à sombra do Zezé?
Já, isso é natural. Em algumas entrevistas, o Zezé fala e eu fico observando. Muitas pessoas já falaram que eu sempre estive à margem do Zezé, mas isso nunca me incomodou. Somos como uma empresa, que pode ter mais de um conselheiro, mas só um presidente. Eu dou a minha opinião, mas ele decide.

Como foi despontar para a fama aos 18 anos e ter
muitas mulheres querendo sair com você?

(Enfático) Foi horrível! Hoje, olho para trás e vejo que,
como pessoa, foi ruim, porque me veio a arrogância.
Hoje, eu entendo que o que me faz bonito é a música
e não o meu corpo.

O sucesso o deixou arrogante?
Nossa Senhora! Com todo mundo, com as fãs... Eu era
metido demaaais!! Me achava o bonitão, a bola da vez. Eu queria estar cada dia, cada show com uma mulher diferente. Mas isso nem foi o pior, o ruim era o jeito que eu tratava as pessoas. Depois de três anos de carreira, veio o equilíbrio. Você viaja o Brasil e o ser humano vai ensinando muita coisa. Você vê o contraste do País. Via gente me pedindo ajuda e pensava: eu, que um dia sonhei ser alguém e conquistei isso, estou aqui com uma pessoa que se sente um ninguém tendo em mim uma esperança.

Você é muito emotivo?
Quando eu conheci o Thiago (Mendonça, que interpreta no filme Luciano no início da carreira) me emocionei muito. Eu me vi nele. A gente se abraçou forte e chorou muito. As pessoas tinham me falado: “Esse menino é como você, é pura emoção”. Quando vejo meus pais contando nossas histórias, por exemplo, me emociono. Se vejo um cachorro sofrendo na rua, eu choro, cuido dele. Sempre me questiono: será que o ser humano foi dotado desde o princípio dos tempos de inteligência e razão? Será que a emoção não foi fabricando a razão?

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