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Torero no rio Amazonas, em Belém: “Não gosto de arroubos de emoção”

Carreira
Para ser romântico
Premiado no festival de cinema de Belém
pelo filme Para Fazer um Filme de Amor,
em que escracha o romantismo, o escritor e roteirista José Roberto Torero já chorou em filmes dramáticos

Juliana Lopes, de Belém
fotos:Claudio Gatti

 

Não é nada fácil conquistar o coração de José Roberto Torero. Primeiro porque ele é casado com uma jornalista, Cecília, há cinco anos. Segundo, é tímido. Para completar, adora fazer piadas com demonstrações de amor. Nascido em Santos (SP), o escritor, cronista e roteirista, premiado por livros, obras no cinema e na televisão, Torero ensaiou suas primeiras linhas numa revista sobre química. Falava de substâncias, máquinas de misturar. Mas a química que o agradou foi a dos relacionamentos humanos – sobre os quais se mostra cético e rigoroso. Sua mãe, Litz, é astróloga e já fez um mapa astral do filho para detectar seu jeito de amar, mas ele pouco leu a respeito. "Não gosto de exageros, de arroubos de emoção", diz. Ai daquela que dissesse "eu te amo" antes da hora certa.

Seu sarcasmo está no primeiro longa-metragem que dirige, aos 40 – Como Fazer um Filme de Amor, que ganhou prêmio de fotografia e roteiro no 1o Festival de Belém do Cinema Brasileiro e estréia em circuito nacional, em julho. Com Denise Fraga e Cássio Gabus Mendes interpretando o casal protagonista, a trama é propositadamente cheia de clichês românticos. A mocinha acorda maquiada, a primeira noite é sem sexo, ele é mais rico que ela, há uma vilã que atrapalha (interpretada por Marisa Orth) e até um momento de musical hollywoodiano, onde inclusive o lixeiro canta um pedaço de uma canção de amor.

Vencedor do Prêmio Jabuti de literatura pelo livro O Chalaça, Torero roteirizou, entre outros, o longa Pequeno Dicionário Amoroso e o quadro Retrato Falado, exibido por três anos no Fantástico. Apesar do tipo sério e sarcástico, Torero tem coração de manteiga. Dançava a melosa balada “Loving You” (Utada Kiharu) nos bailinhos de garagem, estudou Letras na Universidade de São Paulo e chorou no filme dramalhão Num Lago Dourado, em que a personagem de Katharine Hepburn pede para que Henry Fonda, prestes a ter um enfarte, "não morra ainda". De cortar o coração.

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