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Na cidade de Goiás, Cláudia filmou o curta Dolores, dirigido por um amigo da filha e sem cobrar cachê

Cinema
Claudia Ohana de cabeça feita
A atriz se inspira na energia da filha de 20 anos, investe como atriz e diretora de curta-metragens e diz que, depois dos 40, sente-se ousada para viver novas experiências profissionais

Dirceu Alves Jr., de Goiás (GO)
Fotos: Felipe Barra

 
“Não sou mais adolescente. Tem horas que preciso me trancar no quarto para ver tevê e passar creme na cara”, diz Cláudia Ohana
A cena mais comum a que Cláudia Ohana assiste atualmente tem como cenário a sala de sua casa, no Jardim Botânico, no Rio. Lá estão diariamente os amigos de sua filha, a estudante de cinema Dandara Guerra, 20, discutindo roteiros, planejando filmes, com a cabeça fervilhando. Em meio à energia juvenil, a atriz carioca de 41 anos sentiu
que era a hora de experimentar coisas novas e não ficar à espera de convites. “Cada um trabalha com sua turma e, nesse momento, minha galera é a da Dandara. Estou absolutamente colegial, brincando de tudo”, diz ela, que estreará como diretora de curta-metragem no final do ano. “Vou filmar uma história de amor adolescente. Quero dizer alguma coisa além do que as pessoas esperam de mim e não ser apenas um boneco.”

Em meio a essas experimentações está Dolores, curta-metragem de Fábio Meira que rendeu o convite para Cláudia participar do 6º Festival Internacional de Cinema Ambiental, realizado de 1º a 6 de junho, na cidade de Goiás, onde o filme foi rodado. “O Fábio me chamou para fazer direção de arte e topei na hora, mas a atriz gritou alto. Estou lá na tela de cabelos grisalhos e sem ganhar um tostão, tudo na camaradagem”, conta ela, que também acaba de estrear em Brasília o espetáculo As Trinta Mais Belas Cartas de Amor e traduziu do inglês uma peça inspirada no Marquês de Sade.

Filha da montadora Nazaré Ohana, morta em um acidente em 1978, Cláudia cresceu nos sets de filmagem. “Sempre fui muito cara-de-pau e, como minha mãe era muito querida, ficava ligando para os colegas dela e me oferecendo para testes”, lembra a atriz. Hoje, a mesma determinação é sentida em Dandara, fruto de seu casamento com o cineasta Ruy Guerra, mas Cláudia reconhece que os tempos são outros. “Nesse mundo de celebridades, minha filha se empenha em aprender a fazer cinema e nem sonha em ser atriz de novela. Deixa ela... Com 20 anos, eu também pensava assim”, reconhece a mãe. Foi por insistência de Ruy Guerra que Cláudia cedeu aos apelos da Globo em 1984 para protagonizar a novela Amor com Amor se Paga em detrimento dos convites para filmar no Exterior. “Se ela queria realmente ser uma atriz brasileira precisava fazer seu nome por aqui ou então ficaria eternamente como algumas atrizes que não são nem daqui e nem de lá”, sugeriu o cineasta, até hoje o melhor conselheiro da ex-mulher.

De todas as mudanças pelas quais Cláudia passa, a mais visível ao público é o novo visual. Há três semanas, ela acordou decidida a deixar para trás a vasta cabeleira, marca registrada de seus 25 anos de carreira. O visual agreste, eternizado em 13 filmes e 11 novelas, já não condizia com a realidade. “Foi um teste de coragem. Tenho um lado moleca forte e aquele cabelão só reforçava essa imagem”, afirma ela. “Não sou mais adolescente. Tem horas que preciso me trancar no quarto para ver tevê e passar creme na cara.”

A coragem de testar nada tem a ver com segurança pessoal e profissional. “Não sei o que é isso, estou sempre insegura”, diz ela. Solteira, depois de oito casamentos, Cláudia jura que está bem sozinha e assume que vive assustada depois que completou 40 anos. “Até gaguejo na hora de falar. Minha mãe nem chegou a essa idade e, desde os 15, todos me cobram uma maturidade que não sei se tenho. O que sei é que agora me sinto mais ousada para fazer as coisas”, garante ela.

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