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Aventura
No ar, de olho nas águas
O casal de expedicionários Gerard e Margi Moss coleta
amostras de rios e lagos para analisar a qualidade da água
do País e já foi recebido por narcotraficantes armados

Carla Felícia
Foto: André Durão

 
O casal está junto há 15 anos e mora no Rio de
Janeiro: “Ela aceitou porque achou que eu não tivesse
avião nenhum”, conta Gerard, que conquistou a mulher
ao convidá-la para uma volta de avião sobre o Caribe

Ele não via a hora de levantar vôo novamente. Depois de três meses parado – esperan-
do o conserto de seu hidroavião, avariado num incidente na Chapada dos Guimarães (MT) – o aventureiro Gerard Moss, 49 anos, reiniciou na quarta-feira 12 sua mais recente expedição. Desde outubro do ano passado, ele tem percorrido as regiões hidrográficas
que abastecem o Brasil – num trajeto total de 100 mil km, o equivalente a duas voltas
em torno da Terra. Mais que uma grande aventura, Gerard tem uma meta científica a cumprir: coletar amostras dos principais rios e lagos brasileiros para um levantamento
da qualidade da água no País. “Desde jovem sabia que queria fazer outras coisas que
não se integram muito bem com uma vida normal em família”, explica Gerard.

Para concluir o projeto, batizado de Brasil das Águas, o aventureiro sobrevoará as
regiões Norte e Nordeste – o projeto não é direcionado a nenhuma instituição, mas universidades podem solicitar os dados. Serão mais oito meses decolando a cada dia
de um lugar diferente, sem perder a sensação de estar em casa. É que a seu lado,
Gerard tem a mulher, Margi, 49.

Formada em Letras, Margi documenta a aventura com fotos e escreve um diário de
bordo (disponível no site www.brasildasaguas.com.br). Momentos importantes da viagem, como o encontro com índios da aldeia Yawalapiti, na reserva do Xingu (MT), estão registrados. “Os índios estão acostumados com avião, mas não com avião que pousa
na água”, conta Gerard.

Quando e onde pousar é motivo da maior parte das discussões entre o casal. “Se dá vontade de fazer xixi, tenho que convencê-lo de que preciso descer”, diz a expedicionária, casada há 15 anos com Gerard e sem filhos. Em meados dos anos 80, ao pousarem numa pista, na Bahia, foram surpreendidos por narcotraficantes armados. “Eles estavam esperando armamentos”, conta Gerard. “Disse a eles: ‘Desculpa, pousamos em pista errada. Já estamos saindo’.”

Este é o quarto projeto dos Moss, que já deram uma volta ao mundo em um monomotor e outra em um motoplanador. Os dois se conheceram no Rio. Lá, moram desde os anos 80, quando Margi, nascida no Quênia, passava férias na cidade. Para conquistar a futura mulher, Gerard a convidou para uma volta no Caribe, num avião bem menor que o que possui. “Ela aceitou porque achou que eu não tivesse avião nenhum”, lembra o aventureiro, inglês de nascimento e brasileiro naturalizado.
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