24 de janeiro de 2000
Home
Home
Semana
Diversão e Arte
Outras Edições
Fale Conosco
Assine
Assine
Assine
Assine
Assine
Assine
Busca


Biografia

Memórias da banheira
Luiza Ambiel, ex-garota da Banheira do Gugu, diz em livro que Jô Soares pediu-lhe para afogá-lo e que Marcelo de Nóbrega, do SBT, tirou seu biquíni

Rodrigo Cardoso

Foto: Edu Lopes

Muito antes de ir ao ar em rede nacional e provocar gemidos em marmanjos e adolescentes, os atributos físicos da modelo Luiza Ambiel já se destacavam na roda de amigos de Barra Mansa, no interior do Rio. Chamavam-na de Branca de Neve, girafa e saúva. O primeiro, por causa da pele clara; girafa, pela estatura (1,76m), e o último deve-se ao tamanho do bumbum (98cm). Luiza torcia o nariz para Branca de Neve. Mas o saúva, apelido com o qual menos se importava, a tirou do anonimato.

Lançada para a fama em 1994, a saúva da turma transformou-se na garota da banheira que, "coberta" por um minúsculo biquíni, atracava-se com celebridades dentro de um tanque cheio de água e sabonete, no programa de Gugu Liberato, no SBT. Foi então que o Brasil confirmou que os amigos da moça enxergaram bem, mas cometeram um pequeno engano. A saúva (uma formiga macho), na verdade, era uma tanajura (nome da fêmea, popularmente definida por "mulher de cintura fina e quadris muito desenvolvidos"). Agora, aos 25 anos, Luiza está completando dois anos longe da banheira que a fez símbolo sexual, e promete apresentar algumas surpresas. Na sexta-feira 14, estreou, em São Paulo, na peça Uma por Todas e Salve-se Quem Puder, dirigida por Nicole Puzzi. É seu primeiro trabalho como atriz. "Faço a Duane, uma maria-vai-com-as-outras meio louquinha", define ela. Seu grande trunfo, porém, será o lançamento do livro As Banheiras de Luiza Ambiel, previsto para março. "Vou contar quem foi o artista mais engraçadinho, quem me cantou, quem me passou a mão, quem é chato e quem é bacana", diz. "Sei que vou precisar de um advogado depois." O "afogamento" de Jô Soares será descrito no livro. Luiza lembra que, pela admiração ao humorista, não iria segurá-lo, como fazia sempre. "Mas eu vi que ele queria. O Jô me falava: 'Mas e aí, e aí!?' Afoguei o homem e ele gostou." Luiza lembra que, em volta da banheira, as pessoas gritavam: "Ela vai matá-lo. Tira ela!".

Com poucos dias de SBT, Luiza logo viu que a banheira seria sua vitrine. Por três anos, ela fez shows com o tal tanque Brasil afora. Cobrava, no mínimo, R$ 4 mil para armar seu circo e se banhar com dois felizardos. Luiza se apresentou até no Japão. Num evento, chegou a entrar na banheira sete vezes por dia, durante onze dias seguidos. De seus banhos, emergiram uma chácara, um automóvel, um apartamento e uma casa para os pais. Ao deixar o SBT, Luiza diz que ficou mais conhecida: "Lá, não falava. Só afogava." E como era difícil controlar os impulsos da moça. A produção do programa pedia aos convidados para não fazerem gracinhas com a modelo. "Se colocassem a mão em mim, a coisa ficava feia", confirma ela. Foi o que aconteceu com o diretor do A Praça é Nossa, Marcelo de Nóbrega, 35 anos. Segundo Luiza, Marcelo desamarrou seu biquíni. E a moça virou macho quando viu a micropeça boiando na água. Enquanto Gugu pedia calma, Luiza gritava que iria matar Marcelo. "Dei um soco e um chute nele e quase fui despedida", conta. Marcelo diz que, antes de entrar na banheira, cochichou a Luiza: "Pega leve. Vamos fazer uma brincadeira. Eu sou o artista que deve aparecer." Luiza se enervou com a "ousadia" de Marcelo. "Ela me fez engolir água e não conseguia respirar", conta o diretor. "Reagi. Não apanho da minha mulher, por que iria apanhar dela?" Da turma dos arrogantes, ela destaca Fernando Pires, irmão de Alexandre Pires, do grupo Só Pra Contrariar: "Explicava a brincadeira, mas ele não dava atenção."

Em 1998, Luiza cansou-se de "tomar banho de banheira" profissionalmente. Ao retornar de férias, comunicou à direção de Gugu que estava farta de ser chamada de garota da bacia pela rua. "Aquilo que eu fazia não tinha nada de talento." Com o corpo à mostra todos os domingos, as cantadas partiam de todos os lados. Ela diz que o homem é mais discreto e a mulher, mais abusada. "Mulheres famosas pediam para me tocar, me beijar", conta. Certa vez, caminhando pelo estacionamento do SBT, foi surpreendida por uma adolescente que a agarrou pelas costas. Os fãs do sexo oposto agiam diferente. Um empresário paulista ofereceu R$ 70 mil só para olhar Luiza nua na banheira da casa dele. "Meu irmão perguntou se poderia ir no meu lugar", diz ela.

Envie esta página para um amigoLuiza começou a trabalhar aos 9 anos como babá. Deu duro na linha de produção de uma fábrica de tecelagem, em escritório de contabilidade, numa confecção e como esteticista. Quando tinha tempo, brincava de carrinho de rolimã com os garotos. "Dizia a eles que um dia trabalharia na tevê", lembra. Acertou quem apostou na saúva. Hoje, a ex-garota da banheira faz aulas de canto e diz que, em março, lançará um disco dance. Quer fazer sucesso com uma música de Rita Lee, cujos versos parecem nostálgicos: "Que tal nós dois numa banheira de espuma...".

Luciane André (Produção), Lúcia Webb (Make up);
Agradecimentos: Studio A, Ana Brasil e Any Any

Boletim Assine Fale Conosco Outras edições Home Boletim Assine Fale conosco Outras edições Home