24 de janeiro de 2000
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Teatro - Drama

Boca de Ouro
Nelson Rodrigues é encenado pela primeira vez no Teatro Oficina

Marcos Bragato

Pela primeira vez, em mais de 40 anos de existência do Teatro Oficina, o diretor José Celso Martinez Correa vasculha o rico e intrigante universo do dramaturgo carioca Nelson Rodrigues (1912-1980). A peça Boca de Ouro, considerada pelo autor uma de suas "tragédias cariocas", expressa em linhas gerais a violência do abandono e da solidão. Agora, a peça conta com o conhecido ingrediente do Oficina: o teatro como um ritual carnavalizado.

Boca de Ouro é a história de um bicheiro carioca, o típico contraventor da desassistida zona norte. A sua vida é marcada pelo nascimento na pia de um banheiro de gafieira e pelo abandono da mãe, dançarina de cabaré, a quem nunca conheceu. Todo o esforço desse "herói" criminoso irá se consumir na desesperada busca de transformar em ouro as agruras de seu passado.

Ao arrancar todos os dentes, trocando-os por uma dentadura de ouro, o "Boca" tenta esquecer a origem humilde. Mas, como diz o psicanalista Hélio Pellegrino, amigo do autor, "acabou mal esse belo e sinistro, terrível e ingênuo herói, tão grande e miserável na sua revolta contra a condição humana".

A encenação de Zé Celso amplifica o horror ao imprimir um tom sarcástico aos diálogos. O espetáculo se afirma justamente sobre os mútuos escárnios trocados entre os habitantes do universo de Nelson Rodrigues. A zombaria é o motor dessa interessante visão cênica, mantida sob constante tensão. Mas vale um registro contra a gritaria e as desembestadas corridas que comprometem, às vezes, a atmosfera introspectiva dos personagens centrais: o Boca de Ouro (Marcelo Drummond), Dona Guigui (Sylvia Prado), Leleco (Fernando Coimbra) e Celeste (Camila Mota).

Nelson Rodrigues em versão carnavalesca
Até 27 de fevereiro - Teatro Oficina - Rua Jaceguai, 520 - São Paulo

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