24 de janeiro de 2000
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Música - MPB

O Ser da Tempestade
CD duplo festeja 40 anos de carreira de Jorge Mautner

Guga Stroeter

Para quem gosta de MPB autêntica e ousada, a Dabliú Discos está lançando o CD duplo O Ser da Tempestade, numa coletânea que reúne 28 gravações de canções compostas ao longo dos 40 anos da carreira de Jorge Mautner.

Em um CD estão as remasterizações dos originais de Mautner, que incluem desde a sua estréia nos estúdios com a balada de rock "Não, Não, Não", em 1965, até hits como "Samba dos Animais" e "O Relógio Quebrou".

No segundo CD estão outras tantas melodias com as interpretações de nomes consagrados da MPB, como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gal Costa, Lulu Santos e Chico Science. A audição desse álbum ratifica a relevância de Mautner como uma das personalidades mais interessantes das artes brasileiras nas últimas décadas. Em suas canções percebemos a evolução de um artista comprometido com a expressão independente e sensível de seu conceito personalíssimo de mundo. Seu comportamento estético como escritor, filósofo, pintor e cineasta obedece aos mesmos critérios: Mautner nunca abre mão da essência libertadora da criação poética.

Sua obra mistura erudição, humor, o nonsense surrealista e a crônica cotidiana, para nos remeter a um mundo onde as possibilidades da surpresa ocorrem com naturalidade. É bom saber que em algum período histórico a cultura brasileira teve o privilégio de produzir artistas que souberam conduzir a carreira profissional sem a preocupação prioritária de compactuar com qualquer forma de intimidação formal, seja ela de natureza comercial ou intelectual. Mautner preserva o ato da criação como um exercício de liberdade, e essa trajetória tem até lampejos proféticos: "Maracatu Atômico" migrou da condição de manifesto utópico para se tornar um símbolo da nova geração de músicos e poetas brasileiros.
Trajetória sinuosa


Ping-Pong
Jorge Mautner

Como se sente com o lançamento dessa coletânea?
Muito bem. Eu fico muito satisfeito em saber que muita gente jovem se interessa em conhecer meu trabalho, motivados em parte pela regravação do Chico Science & Nação Zumbi para "Maracatu Atômico".

Tem algum material inédito nesse disco?
As minhas gravações eu considero praticamente inéditas para o grande público, pois meus discos nunca venderam bem e várias músicas ainda são desconhecidas. Mas todo o material foi compilado de discos já lançados.

Qual é a sua música preferida no disco?
Como pai, não tenho preferência por nenhum dos meus filhos. Mas a mais emblemática e bem-sucedida é, sem dúvida, "Maracatu Atômico". Também não tenho predileção pelas versões dos outros artistas. Todas me surpreenderam e me causa espanto o olhar pessoal de cada um deles sobre minhas composições.

Você tem projetos em outros territórios artísticos?
Eu vou publicar um livro de ensaios no meio do ano, que deve se chamar Floresta Verde Esmeralda, e no fim do ano deve sair a primeira parte da minha obra literária completa - que já tem 12 volumes. Também vou participar do programa Musikaos, da Rede Cultura, como presidente vitalício do júri que avalia as atrações culturais. Além disso, estou expondo as minhas telas na Funarte em São Paulo.

E os planos musicais?
Quero lançar um CD inédito até o fim do ano.

(Ramiro Zwetsch)

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