24 de janeiro de 2000
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Música - Latina

Ares de Havana
Selma Reis surpreende cantando boa música cubana

Música é mania nacional em Cuba, talvez só superada pela política. A cantora brasileira Selma Reis, em seu disco Ares de Havana, se permitiu essa expressão sonora de "cubanía", como se diz na ilha. Assessorou-se de músicos locais seletos - entre eles o pianista Frank Emílio, um dos grandes do afrojazz cubano - e fez um belo disco, o melhor de sua carreira em 12 anos de altos e baixos. Os ritmos não explodem: o que prevalece é sutileza. Todo o repertório sugere um filtro por certa linha de interpretação cultivada em Cuba a partir dos anos 50, quando eclodiu o "fílin", um gênero do qual o lendário cantor Bola de Nieve (1911-1971) foi precursor e Adolfo Guzmán, presente em duas faixas e autor da intensa "Libre de Pecado", um dos principais compositores.

Para o cubano, "fílin" (do inglês "feeling") quer dizer isso mesmo: sentimento em estado puro, sem sentimentalismos. É estilo de música, e também de vida. Não mais boleros sofridos, mas uma expressão intimista, sustentada por harmonias complexas de acordes suspensos e letras que cantam a delicadeza das paixões sublimadas.

Selma Reis juntou-se à confraria, e à maneira dos autênticos "filineros" deu leitura nova a temas que perpassam décadas - de um velho mambo de Benny Moré - cantor e band leader conhecido nos anos 40 como "el barbaro del ritmo"- à incisiva "música de emergência" de Pablo Milanés e Sílvio Rodriguez - ainda hoje militantes da Nueva Trova cubana que brotou ao calor da Revolução.

Do repertório imortalizado na voz castiça e inimitável de Bola de Nieve - esse intérprete único que fez do canto a arte de "falar" música -, Selma vence "Ay Amor" (dele mesmo, Ignacio Villa), "No Puedo Ser Feliz" (de Guzmán) e "Drume Negrita" (Grenet). E se consagra sem vestígios do ídolo em "Babalu" (Lecuona), tema afro aqui revestido de modulações sofisticadas, com súplicas ingênuas de um ser apaixonado a um preto velho de terreiro.
Bons ares da ilha

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