24 de janeiro de 2000
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Sexo
Segundo livro de André Sant'Anna é escatológico e excelente

Foto: Piti Reali
Geraldo Mayrink

Tudo o que você queria saber sobre sexo, e tinha vergonha de perguntar, está neste desconcertante texto de André Sant'Anna, mineiro de 34 anos, autor de Amor (1998), que a orelha de Sexo (Viveiros de Castro Editora, 143 págs., R$ 18) define como "cultuado e quase secreto". Se for tão bom quanto este, os leitores não sabem o que estão perdendo. Pornográfico, escatológico e muitas vezes chulo, Sexo é um patético e hilariante desfile de personagens sem nome, identificados apenas pela aparência, e seus desencontros entre quatro paredes. Lá estão O Executivo de Óculos Ray-Ban, O Executivo de Gravata Vinho com Listras Diagonais, O Negro que Fedia, A Secretária Loura Bronzeada pelo Sol, A Jovem Mãe com seu Bebê Babando e muitos outros. Todos fazendo sexo ou pensando nisso.

Para uma narrativa tão curta, chega a ser prodigiosa a concentração de pequenas histórias envolvendo essa gente que - logo se percebe, com um fascínio de horror - nada tem de humana. Sant'Anna é um escritor antitrágico e descarnado mesmo quando descreve, com detalhes luxuriantes, o trajeto de líquidos seminais e vaginais "no milenar movimento de vai-e-vem de um macho audaz sobre sua fêmea no cio". Henry Miller, Céline, o Marquês de Sade e outros Titãs da Prosa Sexual ficariam com suas faces róseas de satisfação com a policromática descrição dos países baixos da anatomia feminina. Como manual tira-dúvidas, o livro atinge um dos seus pontos mais brilhantes ao traçar o destino do Bebê que Babava, que do seu berço assistia às relações sexuais dos pais: "Um dia, o trauma edipiano o levaria ao homossexualismo, já que a falta de desejo de seu pai, por sua mãe, ficaria gravada no seu inconsciente e o inconsciente é foda".
Prosa sexual de primeira

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