24 de janeiro de 2000
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Exposição - Escultura

Amílcar de Castro
O maior escultor brasileiro vivo mostra a arte de domar o ferro

Foto: Sérgio Amaral/AE

Ligia Canongia

O artista mineiro Amílcar de Castro é considerado o maior escultor vivo do Brasil e, aos 80 anos, demonstra um vigor surpreendente. Sua obra foi construída nos anos 50 a partir do contato com o artista suíço Max Bill e, desde então, desenvolve-se como transformação sensível da geometria.

A unidade original de trabalho é o plano, justamente o elemento que contradiz a essência da escultura, que é a tridimensão. Mas, é a partir do plano, de dobras e cortes nele efetuados, que Amílcar suspende o objeto, com uma simplicidade genial - que o escultor romeno Brancusi dizia bastar para captar toda a complexidade do mundo. A exposição que Amílcar de Castro está apresentando no Rio de Janeiro divide-se em dois lugares: esculturas de médio porte e telas no Centro de Arte Hélio Oiticica, e esculturas monumentais na Praça Tiradentes.

As esculturas partem de uma intervenção mínima realizada na chapa de ferro - o corte, a dobra ou ambos - para fazer nascer formas de extrema expressividade. Com um único gesto, o artista tira a matéria de sua inércia e a transforma em um espaço ativo. Amílcar doma o ferro, retira seu peso e sua densidade originais, descobrindo nele uma leveza e uma docilidade inesperadas. Clareza e despojamento são os atributos dessas peças, que acompanham o esforço moderno de desmaterializar o volume. São desenhos no espaço.

Quanto às telas, que o artista não reconhece como pintura, apesar de usar o linho e a cor, apresentam-se também como desenhos, só que "pictóricos". É ainda o gesto direto e a precisão da linha que as orienta. Parece, porém, que o traçar imediato desse gesto e dos recortes espaciais no plano não se realiza com a mesma desenvoltura dos desenhos propriamente ditos. O tempo riscado da tinta é outro e, mesmo que Amílcar use vassouras para pintar, para que a linha direta se cumpra mais rápida e integralmente, expondo os rastros do instrumento, nunca é tão eficaz quanto o movimento do nanquim sobre o papel. Alguns retoques de tinta, visíveis, traem a pureza dessa operação.

A alma mineira do ferro
Até 26 de março - Centro Cultural Hélio Oiticica - Rua Luís de Camões, 68 - Rio de Janeiro

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