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Diversão & arte - Cinema
   

Drama
Benjamim
Paulo José e Cleo Pires brilham no filme pouco emocionante
de Monique Gardenberg baseado em livro de Chico Buarque

Mariane Morisawa

 
Divulgação
Benjamim: o protagonista topa
com a jovem Ariela, idêntica a seu
amor de juventude, e fica obcecado
Quando foi lançado, em 1995, o romance Benjamim, escrito pelo compositor Chico Buarque, foi considerado difícil. Suas idas e vindas no tempo não ajudavam o leitor. Era
esse o principal obstáculo na adaptação para
o cinema, como diz a diretora Monique Gardenberg (leia entrevista). O protagonista, interpretado por Danton Mello no passado e por Paulo José no presente, topa com Ariela (Cleo Pires), que é idêntica a seu amor de juventude, Castana Beatriz, e fica obcecado. Benjamim, o filme, é bem-sucedido em dar conta das passagens para lá e para cá no tempo. Só o excesso de música incomoda.

O problema é que o longa-metragem resulta pouco emocionante, o que é um pecado no cinema – a não ser que se busque isso. Aqui, não é o caso. Quem assiste percebe que o drama está delineado, que os personagens poderiam ser interessantes porque são muito contraditórios e humanos, mas tudo se esconde num canto pouco visível. A causa está principalmente na tentativa de dar muita leveza cômica a uma trama altamente dramática. A idéia não funciona e termina por esfriar Benjamim.

Isso acontece a despeito do esforço de seus atores principais. Paulo José é primoroso
em cada pequeno gesto e expressão. Econômico e transparente, como um bom ator
deve ser. E a aposta Cleo Pires deu certo. Além de ter uma beleza e uma presença marcantes, a filha de Fábio Junior e Glória Pires mostra um frescor e um carisma incomuns fazendo duas mulheres diferentes e difíceis. É esperar o próximo trabalho para comprovar que o talento é herança genética. Tela fria