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Entrevista
   
Wellington Cerqueira
“Me olhava no espelho, ao lado de uma bra-
sileira, e levava susto. Sentia vergonha, não queria ser japonesa. Só me resolvi como nissei em Gaijin
CONTINUAÇÃO
Como impõe autoridade a um ator?
E a Xuxa atriz? 

Tizuka Yamasaki
“Não faço novela na Globo”
continuação

 

Seus filhos vêem os pais?
O pai da Naína é diferente do pai do Ilya. O Fábio não tem pai. O Ilya morou um tempo com o pai em Nova York. Os dois têm uma relação bacana. O pai da Naína se afastou durante muito tempo, houve uma aproximação agora e os dois estão se paquerando. Mas não crio filhos precisando de pai. E nem crio dizendo que sou supermãe, que sozinha posso tudo ou que o pai é um f. d. p. Não obriguei os caras a terem uma relação comigo. Avisei o pai do Ilya que estava grávida, que queria ter o filho, mas ele não queria. Hoje, os dois se adoram. Com a Naína, eu não estava querendo ter filho, mas pensei: “Se for mulher?”. Já tinha dois meninos e vivia a experiência do Fábio. Tudo o que queria era uma menininha para colocar no colo.

Você foi a típica menininha?
Não. A preocupação dentro de casa era de que eu era muito masculina. Minha avó, nas discussões sobre virgindade, não se importava se eu ia dar ou não. Ela dizia: “Tenha filho. Se não quiser se casar, não case”. Os casamentos não foram um parâmetro de felicidade para nós. Minha mãe se preocupava porque ninguém iria querer se casar comigo. Eu não era pro-
tótipo da menina que se preparava para casar. Era mal-edu-
cada, xingava, andava com meninos. Sempre tive mais amigos homens do que mulheres. Não brincava de boneca, brincava de bang-bang com os meninos. Pegava réguas de costura da minha mãe e as distribuía para brincar de espadachim. Não me achava bonita e não me importava. Com 12, 14 anos tinha óculos horrorosos e fazia um penteado que parecia um ninho de passarinho. Tinha tudo para ser sapata! Peguei minha mãe fazendo enxoval para mim, mas aí ela desistiu.

Gostava de ser japonesa?
Me olhava no espelho, ao lado de uma brasileira, e levava susto. Sentia vergonha, não queria ser japonesa. Só me resolvi como nissei em Gaijin. Assumi o que não tinha coragem: sou descendente de japonês. No lançamento de Gaijin estou de cabelo encaracolado; foi a última vez que fiz permanente. Na época, tinha vergonha de ter cabelo liso. Hoje – como as coisas mudam –, minha filha, que tem cabelo ondulado, me fez pagar um alisamento japonês para ela.

Surpreendeu-se com o rompimento de Xuxa e Marlene Mattos?
Acabaria acontecendo. Por melhor que seja a sociedade, uma hora cada um quer um caminho. A Marlene dizia tudo que tinha de ser feito, às vezes eu brincava que queria uma Marlene Mattos na minha vida. É uma delícia! Mas a Xuxa tem 40 anos, vai ficar uma eterna menininha? Acho bacana ela virar e romper. Fiquei sabendo que ela quer saber de tudo, quer ver tudo. Antes, não sabia de nada. Sempre teve uma pessoa para fazer para ela. Foi bom para as duas.

Como era trabalhar com a Xuxa?
A Xuxa é uma criançona. Tínhamos uma relação boa, não de grande intimidade. Lembro que dizia: “Xuxa, você está querendo ter filho? Vai lá e tenha. Fica adiando, porque tem de fazer filme, nunca vai ter tempo para ter filho. Vai e faça um, pô!”. Ela ficava meio assustada. Ela é muito responsável, profissionalmente. Sabia que ficar grávida alteraria todo o esquema profissional em torno dela. Eu falava: “Esquece isso, menina. Vai fazer o que quer na vida! O resto, já fez tudo”.

E a Xuxa atriz?
A Xuxa não é atriz, sabe que não é, mas é melhor do que muitas atrizes que conheço. Ela se propõe a trabalhar e saca muito de câmera. Quando rodei Lua de Cristal, pensei: “Agora, vem porrada”. Não fui para a coletiva de imprensa, porque tive de viajar. Mas fiquei esperando o jornal chegar e ler a crítica dizendo que eu havia me vendido. Li todos e não vi uma matéria falando mal da direção. Falavam mal da Xuxa, de não sei o quê, mas não de mim. Fiquei frustrada (risos). Estava com filhos pequenos em casa, então era fácil fazer filmes infantis. Meu moral em casa ficou alto.

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