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Drama
Dogville
Lars von Trier deixa clara sua desesperança na humanidade

Mariane Morisawa

 
Divulgação
Nicole Kidman em Dogville: filme
com três horas de duração foi
rodado em estúdio, quase sem cenários
O cineasta dinamarquês Lars von Trier adora
uma provocação. Foi um dos fundadores do Dogma, que proibia música que não fizesse parte da narrativa, para em seguida fazer o musical Dançando no Escuro. Quando anunciou que filmaria uma trilogia USA e lançou Dogville, parecia claro que se tratava de uma crítica aos Estados Unidos. Não é bem assim.

O filme tem alguns momentos que se assemelham a ataques ao país, mas é muito mais geral. Von Trier já tinha demonstrado que não acredita no ser humano. Aqui, ele não poupa ninguém. O nome do filme é também o nome de uma cidadezinha fictícia, perto das Montanhas Rochosas, durante a Depressão. Grace (Nicole Kidman), que foge de gângsteres, chega como uma graça aos habitantes do lugarejo, interpretados por um elenco de peso. Oferece seus préstimos, aceitos com relutância no início, mas acaba sofrendo cada vez mais abusos. O que não significa que seja uma santa.

Dogville foi filmado num estúdio, quase sem cenários, e as casas e ruas são indicadas com giz no chão. É intrigante no início, dando a impressão de conto de fadas, acentuada pela narração e a divisão em capítulos. Mas, à medida que o tempo passa – e são três horas de filme, que mal se sentem –, não se presta mais atenção nisso e, sim, no que está na tela. É impossível desviar a atenção daquilo que o diretor propõe, uma visão desesperançada do ser humano. Rosnando e latindo