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Entrevista

01/12/2003

   
     
Cláudio Gatti
“O modo como conheci meu marido é um conto-de-fadas, mas a nossa vida é bastante realista e de muito trabalho. O bom é que posso estar sempre ao lado dele e ajudá-lo”
CONTINUAÇÃO
Rainha come feijoada?
Como é ser responsável pela educação de uma futura rainha?

 

Rainha Silvia, da Suécia
“Falo português quando estou feliz”
continuação
 

Como é ser personagem de um conto-de-fadas na vida real?
Claro que, como todas as meninas, sempre tive esse sonho de princesa, mas devo dizer que não é bem assim. Certamente, o modo como conheci meu marido e nos casamos é um conto-de-fadas. Mas a nossa vida é bastante realista e de muito trabalho. É uma tarefa bonita, encontramos muitas pessoas interessantes, sou muito grata por ter a possibilidade de ajudar meu marido, de ajudar o povo sueco. Mas tenho que admitir que é uma rotina intensa, de muitos problemas. É um trabalho duro e lindo ao mesmo tempo. O bom também é que posso estar sempre ao lado do meu marido e ajudá-lo.

Como é ser responsável pela educação de uma futura rainha?
Temos três filhos, Victoria, 26 anos, Carl Philip, 24, e Madeleine, 21. Nós sempre tentamos dar a mesma educação para os três sem fazer distinção entre eles. Mas naturalmente a situação de Victoria é diferente. Um dia ela vai assumir as funções reais, mas não devemos esquecer que vai depender da ajuda dos irmãos. É importante que eles dividam as tarefas, de acordo com os interesses de cada um. Mas a responsabilidade da princesa Victoria será maior, sem dúvida.

Ela já está preparada?
Absolutamente. Ela é uma moça de grande coração e sensibilidade. Mas é também inteligente e leva muito a
sério os seus deveres.

Como a senhora lida com a curiosidade pública em torno de si e de sua família?
Isso é uma coisa a que não me acostumo, ser fotografada, dar entrevistas. (Risos). O que as pessoas talvez esqueçam é que o nosso dia-a-dia, pelo menos o meu e o do meu marido, é dividido em partes. A primeira é dedicada à família. Mesmo com nossa intensa programação, quando as crianças eram pequenas, eu me levantava a cada manhã às 6h30 para estar junto delas, para checar se estava tudo organizado antes de elas irem para a escola, como todas as mães fazem. Depois, temos que ir para o escritório. Só que o nosso trabalho não é das 9h às 17h. É contínuo. Trabalhamos muitas vezes à noite, com todas as recepções, jantares, congressos. É uma agenda pesada. Das sete noites da semana, em seis temos compromissos fora de casa.

Como a senhora concilia obrigações reais com os compromissos da fundação?
A fundação tem apenas quatro anos, mas teve um belo desenvolvimento. Temos escritórios não só na Suécia, como na Alemanha, no Brasil e nos Estados Unidos. Tento visitar os outros países sempre que possível. Participo de eventos especiais e encontros, como nesta visita em que presidi a reunião anual do conselho do Instituto WCF-Brasil. Acho muito importante visitar os projetos, ter contato com as pessoas
que estão trabalhando neles, mostrar que tenho confiança nelas e que quero ajudá-las. Também é essencial para ver se estamos no caminho certo para ajudar as crianças.

Quanto tempo a senhora dedica à fundação?
Nós realizamos de quatro a cinco reuniões anuais em Estocolmo. Além disso, participo de eventos e conferências. Este ano, estive no Brasil, visitei os países bálticos e fui duas vezes a São Petersburgo, na Rússia. Aproveito também as viagens oficiais com meu marido, são umas quatro por ano, para conhecer projetos sociais.

Qual a imagem que a senhora guarda dessas andanças?
Posso citar um exemplo de uma visita a um projeto apoiado por nós no interior do Estado de São Paulo, onde oferecemos bolsa de estudo para tirar crianças das ruas e colocá-las na escola. Além disso, elas aprendem também uma profissão. Aprendem a fazer sapato, a plantar tomate, tomar conta de animais. Enfim, uma série de coisas que vai lhes permitir se profissionalizar. Nessa visita conversei com uma menina e disse para ela: “Você agora aprendeu tudo, sabe cozinhar, plantar, costurar, então agora pode casar”. Ela me respondeu: “Não, não quero isso. Eu quero ser médica”. Foi fantástico ouvir isso, porque seguramente ela será a primeira pessoa na família dela que poderá ir adiante. Os pais eram muito pobres, os avós certamente foram, não tiveram oportunidade de estudar. Mas ela finalmente terá condições de quebrar essa corrente.

Como a senhora se sente vendo o resultado prático deste trabalho?
É dever de todos nós, como pais, professores e sociedade, ficarmos de olhos abertos contra a abuso e a exploração sexual de crianças. Temos que ajudar essas crianças, ter coragem de denunciar e não ficar naquela postura “deixa prá lá, não é com meu filho”. Isso é o pior que pode acontecer. Temos que modificar nosso modo de agir, pois estes problemas existem em todos os níveis sociais e em todos os países.

Quais foram as suas impressões ao ter contato com meninas vítimas de exploração sexual atendidas pelo projeto Camará, em São Vicente?
Aquelas jovens meninas passaram por situações de vida terríveis, mas estão recuperando sua auto-estima. Ver como estão bem, saber que contribuímos para que elas conseguissem transpor momentos difíceis, me deixa muito feliz.

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