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Reportagens

10/11/2003

   
 
Fotos: Edu Lopes
“Sou um pai superausente”, admite Alexandre em relação à filha, Ana Caroline, de 11 anos, que ele só veio a conhecer em 1997. Acima, como o já falecido rapper Tupac Shakur
 

 

Ensaio
Alexandre Pires
O Rei das Américas
continuação

 
Fotos: Edu Lopes
o ex-jogador de basquete Dennis Rodman, em campanha dos fabricantes de leite da Califórnia

O próximo passo será cantar em inglês. “Nenhum outro artista teve culhão de fazer o que fiz e deixar o próprio terreiro”, diz.

“O fato de ser um compositor, cantor e instrumentista e a performance de palco do Alexandre levaram a BMG latina
a apostar nele”, afirma Luís Felipe Couto, gerente de promoção da BMG no Brasil. “Ele é um artista na acepção da palavra. Em um show de uma rádio para 12 mil pessoas no Madison Square Garden, em Nova York, uma fã invadiu o palco e foi dominada por uns quinze seguranças. Alexandre empurrou os caras, educadamente, colocou a menina sentada no meio do palco e cantou uma música deitado
no colo dela. Pelo telão, só se via pessoas chorando. Para eles, aquilo não existe”, completa.

As razões do triunfo de Alexandre Pires em um mercado tradicionalmente difícil para os brasileiros, porém, vão além de seu talento como cantor. “Ele tem uma pronúncia perfeita do espanhol, além de ter apelo como cantor e como homem. O sex appeal dele é indiscutível. Esses fatores, aliados a
um repertório muito bem escolhido, contribuíram muito”, explica Luiz Oscar Niemeyer. Alexandre tem sua própria vi-
são. “Nenhum outro artista teve culhão e tanta vontade de fazer o que eu fiz, que é deixar o próprio terreiro para ir ciscar em outro. O Brasil tem artistas vinte vezes melhores do que eu, mas não aconteceram pelo fato de não acreditarem neles mesmos.” João Carlos Ribeiro, o Joca, empresário do cantor desde o início da carreira, endossa: “Alexandre é extremamente dedicado. Bastou a gente dizer que o ‘portunhol’ dele não o levaria a lugar nenhum para
que ele se dedicasse a três anos intensivos de aulas de espanhol com uma professora particular.”

Tamanho sucesso levou Alexandre a ser um dos artistas convidados para uma apresentação na Casa Branca, em Washington, durante a cerimônia da Descendência Hispânica, em 2 de outubro. Na ocasião, cantou “Garota de Ipanema” e um trecho do Hino Nacional Brasileiro. Ao abraçar o presidente George Bush, Alexandre foi às lágrimas. Na mente, imagens relembravam os passos para chegar ali, da infância humilde e das brigas com o pai para ser cantor ao estouro do pagode com o Só Pra Contrariar. “Eu não seguro choro”, avisa. “Ter saído de Uberlândia, no interior de Minas Gerais, e fazer parte de uma celebração como aquela...”, emenda ele, que ainda ganhou de Bush um beijo no pescoço antes de ouvir o presidente americano dizer-lhe ao pé do ouvido: “Gostei do seu espírito”.

O episódio valeu ao cantor uma saraivada de críticas no Brasil. Ele se defende e diz ser vítima de preconceito. “Quando o cara quer falar mal de você, não consegue disfarçar. Ele não fala de seu trabalho. Às vezes não aceita o fato de você ser negro, de família pobre, não ser uma pessoa de cultura tão elevada, ter nascido no interior de Minas Gerais e não no berço da bossa nova ou do samba. Será que se eu fosse filho do Milton Nascimento a história seria diferente? No dia da apresentação na Casa Branca, o Arnaldo Jabor (cineasta e comentarista do Jornal Nacional) disse que Tom Jobim e Vinícius de Moraes estavam sacudindo nos caixões. Já que ele falou de mim, mando um recado para ele: é cada macaco no seu galho. Ele entende de cinema, e olhe lá”, dispara. “Na cabeça deles, o que está acontecendo comigo deveria estar acontecendo com outra pessoa. Para esses tolos, talvez eu não tenha o perfil ideal para representar o Brasil lá fora.” Procurado por Gente, Jabor não quis comentar a declaração.

Alexandre não acha que o acidente de carro no qual se envolveu em 6 de fevereiro do ano 2000 ajudou a afetar sua imagem no Brasil. “De jeito nenhum. Arte, valores, caráter não se vende nem se compra. Tenho minha consciência tranqüila até porque ficou provado na Justiça.” Na ocasião, acompanhado do irmão Fernando, Alexandre passou a noite na boate Coliseu, em Uberlândia, de onde saiu direto, já pela manhã, para o aeroporto. No caminho, atropelou o representante de vendas José Alves Sobrinho, que teve traumatismo craniano e fraturas múltiplas no tórax e nas pernas e veio a falecer três dias depois. O cantor foi inocentado pela Justiça e fez um acordo com a família da vítima, à qual pagou cerca de R$ 250 mil. Embora não acredite que o acidente influencie seus críticos, as marcas que ele deixou no próprio cantor são definitivas. “Até o acidente, ele tinha aquela visão de que era iluminado por Deus e que nada de mal aconteceria a ele. E ele viu que não, que ele era um cara sujeito a qualquer desgraça, como todo ser humano”, atesta seu empresário. “Alexandre nunca mais teve ou dirigiu um carro. Cassou a carteira por conta própria e quase nunca vai a festas.”

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