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03/11/2003

   
 
Fotos: Leandro Pimentel
“Não quero perder o vínculo com a minha carreira. Outros presidentes da Funarte já tiveram outras atividades’’
“Uma diferença desse governo na Cultura é o fato de artistas ocuparem órgãos públicos’’
Fotos: Leandro Pimentel
Fotos: Leandro Pimentel
“Sou um soldado que batalhou para eleger Lula nos últimos 13 anos’’
 
 

 

Antonio Grassi
“Se tivesse de optar, seria artista”
Em mais um caso envolvendo conflitos éticos no governo, o presidente da Funarte e ator da Globo diz que sua atuação em Chocolate com Pimenta não compromete sua função pública

Luís Edmundo Araújo

 
Fotos: Leandro Pimentel
Os conflitos éticos atingiram em cheio a administração Lula. A ministra da Ação Social, Benedita da Silva, teve de devolver ao governo o dinheiro da viagem a Buenos Aires no mês passado, onde esteve num encontro religioso. O ex-secretário Nacional de Segurança Luiz Eduardo Soares pediu demissão na terça-feira 21, após a revelação dos contratos de consultoria feitos com sua mulher e a ex-mulher. Dois dias depois foi o ministro do Esporte, Agnelo Queiroz, quem ressarciu os cofres públicos com quase metade das diárias de R$ 11 mil recebidas do Ministério para ir ao Pan de Santo Domingo, após vir a público que a hospedagem havia sido paga pelo Comitê Olímpico Brasileiro.

Em meio a esses embates, o ator e presidente da Fundação Nacional de Arte (Funarte), Antonio Grassi, 49 anos, foi advertido pela Comissão de Ética do Palácio do Planalto por ter cargo público e atuar na novela Chocolate com Pimenta. O ator se defende. Na opinião dele, a atual mulher, a produtora de elenco Cecília Castello, e os filhos Rita, 25, e Gabriel, 21, são os maiores prejudicados pelo acúmulo de funções. “Quase não vejo minha família. Eles é que têm sofrido com isso”, diz o ator.

Pensou em questões éticas ao entrar na novela?
Quando assumi meu cargo, enviei à Comissão de Ética um documento enumerando as chances de atividades que teria paralelas à função na Funarte. Citei meu trabalho de ator e a probabilidade mais corrente, que é a de trabalhar com a Globo, como faço há 23 anos. Não houve qualquer manifestação contrária.

O trabalho na Globo não prejudica o na Funarte?
Conversei com o Walcyr (Carrasco, autor de Chocolate
com Pimenta
) sobre o meu caso. Conseguimos conciliar minha agenda na Funarte com as gravações. Nessa sema-
na, por exemplo, só gravo na sexta-feira à tarde (a entrevista foi concedida na quarta-feira 22). Há duas semanas tive mais cenas e mudei minha agenda. Gravo geralmente à tarde. Venho para a Funarte por volta das 8h30, vou gravar às 13h e volto à noite, para arrematar o que ficou faltando. A emissora já empregou atores com cargos públicos. Antônio Pitanga foi secretário de Estado
e fez novela (O Clone, durante o governo de Benedita da Silva, mulher de Pitanga, no Rio de Janeiro).

As viagens a Brasília não sobrecarregam a agenda?
A Funarte é no Rio. Vou a Brasília porque abri uma extensão do gabinete lá, e também porque faço a programação dos filmes assistidos pelo presidente no Alvorada. Concentro minha agenda de Brasília nos dias de filme.

Duas funções não é desgastante?
Já tinha sido chamado para fazer Agora É Que São Elas (novela anterior a Chocolate com Pimenta), mas recusei porque não daria para combinar os horários. Dessa vez dava. Consultei o ministro, o presidente e avaliamos que seria bom. Uma diferença desse governo na Cultura é o fato de artistas ocuparem órgãos públicos, a começar por Gilberto Gil.

Por isso aceitou fazer a novela?
Um dos motivos que me fizeram ser convidado para a Funarte é o fato de eu ser artista. Não quero perder o vínculo com minha carreira. Outros presidentes da Funarte já tiveram outras atividades, como os escritores Ferreira Gullar e Ziraldo. Nenhum deles deixou de exercer suas atividades por isso. Claro que o fato de eu estar numa novela campeã de audiência chama mais atenção.

Por quê?
Há anos uma novela das seis não tinha tanta audiência.
Se eu estivesse fazendo Canavial de Paixões, no SBT,
será que haveria essa discussão?

E quanto à possibilidade de conflito de interesses entre a Globo e a Funarte?
Na história da Funarte não existe qualquer convênio com a Globo. E na nova estrutura do Ministério, o audiovisual está ligado à Secretaria do Audiovisual. Nesse meu caso, está acontecendo uma dificuldade de interpretação das atividades da Funarte. Por isso quero que a Comissão me ouça, para que eu possa esclarecer tudo.

Miguel Falabella agiu certo ao desistir de financiar peça própria com recursos da prefeitura carioca (o ator é gestor da rede municipal de teatros no Rio)?
A decisão foi correta. Eu não faria uma peça patrocinada pela Funarte. É uma questão de conduta.

Os casos de Benedita da Silva e de Luiz Eduardo Soares comprometem o governo?
Pelo contrário. A conduta tomada por eles não compromete em nada.

Se tivesse de escolher, com qual emprego ficaria?
Teria de pensar seriamente. Estou na Funarte porque
sou um soldado que batalhou para eleger Lula nos últimos
13 anos, desde minha entrada no PT. Mas não posso jogar fora uma carreira de ator construída há quase 30 anos. Se tivesse de optar, seria artista.

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