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Reportagens

27/10/2003

   
 
Reprodução
Nos anos 50, ela apresentou o primeiro programa exclusivamente feminino da tevê: O Mundo É das Mulheres
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Ao viajar para Nova York, em meados dos anos
50, ela ficou encantada com as loiras e tingiu
os cabelos escuros:
“Vou morrer loira”
Dois abortos naturais foram o estopim de uma crise conjugal
que tirou Hebe da televisão por imposição do marido

 

Gente Fora de Série
Hebe Camargo
Capítulo 2
Ela alcança popularidade na tv
Apresentadora do SBT deixou de cantar o hino
de inauguração da Tupi, primeira emissora de tevê da América Latina, para namorar, casou-se de rosa porque não era mais virgem e deixou o comando do primeiro programa feminino da televisão para tornar-se dona-de-casa

por Rodrigo Cardoso

 

Resumo do capítulo 1
Ao mudar-se de Taubaté, onde nasceu, no interior de São Paulo, para a capital, Hebe Camargo lavava pratos e arrumava a cozinha de uma tia rica para ajudar os pais. Foi contratada pela rádio Tupi, aos 15 anos, e passou a se apresentar em outras cidades, sempre acompanhada pela mãe, que vigiava a virgindade da filha.

A tevê foi a grande novidade dos anos 50 no País. Hebe Camargo foi uma das poucas artistas que encararam a caravana pela rodovia Anchieta rumo ao porto de Santos para receber os equipamentos que dariam origem à TV Tupi Difusora São Paulo. Foi junto com Assis Chateaubriand, dono de um império de comunicação – incluída aí a rádio Tupi na qual ela trabalhava –, que inaugurou a primeira estação de tevê da América Latina. A Estrelinha do Samba, assim como sua amiga La Salerosa, como era conhecida a cantora de músicas espanholas Lolita Rodrigues, teria de encarar testes se quisesse escrever o nome na história do novo veículo de comunicação. Em dias específicos, lá pelas 15h, 16h, começava a avaliação de quem era bom de câmera. Hebe foi testada e traída pela silhueta, seu grande cartão de apresentação. As sobrancelhas grossas, os cabelos compridos, o busto avantajado não conversaram com as câmeras e sua imagem saiu borrada:

– Acho que não vai dar, não. Não, ela não tem imagem para televisão – disse o diretor de tevê Cassiano Gabus Mendes.

– Meu Deus, como? – surpreendeu-se a bela.

Mas os técnicos e diretores, que até então trabalhavam
no rádio e iniciavam a carreira na tevê, constataram um defeito na iluminação e Hebe recebeu sinal verde para a carreira de artista de tevê na primeira emissora brasileira. “Todo mundo torcia um pelo outro. A gente tomava cafe-
zinho no bar do Jordão, passava o dia lá”, lembra Hebe.
“De vez em quando a gente namorava uns e outros. Eu, namorei, me apaixonei pelo Ribeiro Filho, que era locutor,
era bonito. Éramos três apaixonadas: eu, a Lia de Aguiar
e a Vida Alves. Todas pelo mesmo homem. E ele casou com uma que não era da tevê, a Silvia.”

Na Tupi, não teve programa de auditório, mas participava de todas as atrações. Por morar atrás da emissora, no Sumaré, em São Paulo, encampava o espírito de companheirismo. “Teve um pianista famoso que não quis participar porque sabia que a emissora não pagaria cachê. Aí, mandei uma pessoa que trabalhava em casa ir lá buscar o dinheiro e o paguei”, conta Hebe. Em 18 de setembro de 1950, dia da inauguração da Tupi, Hebe faltou. Escalada para cantar o hino da tevê, avisou Lolita que não iria.

Hebe tinha coisa mais importante a fazer do que cantar uma letra difícil. Escondeu a verdade durante anos, dizendo que uma gripe muito forte a fez perder a voz. O fato é que ela havia ido namorar. Hebe e Luís Ramos, dono da Folha de S. Paulo, encontraram-se num evento no Teatro Cultura Artística e viveram um romance por oito anos. “Eu sabia que ele me amava, era desquitado da primeira mulher, mas me traía muito”, disse Hebe à revista IstoÉ, em 1993.

Ela chorou um ano inteiro, depois de constatar a traição e romper ainda amando. “Luís foi o primeiro amor da minha vida, o homem que eu amei muito”, diz ela. Luís, pelo mesmo período, implorou uma reconciliação, fez os filhos tentarem demovê-la da decisão, procurou os pais da amada, as irmãs. Hebe já não era a mesma, pelo menos na aparência. A morena ficou loira e seus cabelos nunca mais voltaram ao tom original. “Vou morrer loira”, disse em entrevista à revista Imprensa, em 1998. Hebe havia visitado Nova York e só teve olhos para as loiras que desfilavam pelas avenidas. De volta ao Brasil, passou a oxigenar o cabelo. Mais tarde, clareou e só os escureceu um pouco quando casou. “Minha mãe tinha um Impala branco e meu pai comprou um carro igualzinho para paquerá-la”, conta Marcello Camargo, 38 anos, explicando o início do romance entre os pais dele, Hebe e o empresário Décio Capuano.

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