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Entrevista

27/10/2003

   
André Durão

“Não sinto necessidade de fazer um espetáculo que
não tenha graça. Acho uma bobagem, um desperdício do meu talento”, diz ele

“Gosto de beber, adoro birita. Já tomei vários grandes porres. E fumo há anos, mas ninguém sabe. Fumo só de noite, em casa, sozinho, antes de dormir, vendo tevê”
CONTINUAÇÃO

Incomoda ser visto como um comediante?

Nunca pensou
em casar?

 

Luiz Fernando Guimarães
“Sou um bon-vivant”
O ator, que protagoniza o filme Os Normais, volta ao teatro após um hiato de três anos, revela que fez implante de cabelo e conta que gosta de gastar dinheiro em viagens com os amigos

Carla Felícia

 

O ator Luiz Fernando Guimarães admite: adora se meter em tudo. E mostrou isso durante os ensaios da peça O Caso da Rua ao Lado, que estreou no Rio na quinta-feira 16. Dava palpites no cenário e na luz, sugeria mudanças no posicionamento dos atores no palco. Resquício do tempo em que fazia de tudo um pouco no grupo de teatro Asdrúbal Trouxe o Trombone, um dos ícones culturais dos anos 70.
Foi ali que deu os primeiros passos para se transformar num dos melhores comediantes do País. Carioca, 53 anos, Luiz Fernando é o segundo de três irmãos. Chegou a exercer a profissão do pai, que era bancário, e diz ter herdado o jeito
de falar da mãe, uma poetisa e pianista, hoje com 86 anos. Com o espetáculo dirigido por Alberto Reanult, ele volta ao teatro, depois de três anos dedicando-se ao Rui, seu personagem em Os Normais, seriado que acaba de ganhar
uma versão para o cinema.

Por que esperou o fim de Os Normais para voltar ao teatro?
Estava querendo voltar desde o ano passado, mas queria ter tempo para isso. Fazer Os Normais e uma peça ao mesmo tempo seria muito desgastante. Gravando terça e quarta e estando no palco de quinta a domingo, ficaria sem tempo de cuidar da vida, de viajar, algo de que gosto muito. Só teria aquela segunda-feira, que você separa para dentista e médico. Não gosto de vida assim.

Concordou com o fim do seriado?
As coisas têm que acabar e recomeçar. Tem hora que, por mais criatividade que tenha, o artista tem que dar um tempo. Paramos no auge. Além disso, não ficaria bem estrear o filme e continuar com o seriado na tevê. É torrar a imagem. Encerramos um ciclo, não há possibilidade de volta.

Acha-se parecido com o Rui?
O personagem já tinha algumas características e outras tantas foram contribuições minhas. A vontade do Rui de constranger as pessoas, uma certa maldade interior, não é minha. Mas ele é um cara que se constrange com facilidade, como eu. Acho bom quando alguém confunde ator e personagem porque fica claro que seu trabalho está sendo verdadeiro. Mas não sou aquilo. Não faço graça o tempo todo, não sou artista na vida, não sou o centro das atenções fora do palco. Não que eu seja tímido, introvertido. Tenho humor, mas sou mais quieto que os meus personagens, mais do que as pessoas imaginam. O Rui é o Luiz Fernando com uma lente de aumento. Todos os meus personagens são assim, um Luiz Fernando exagerado.

Incomoda ser visto como um comediante?
Não. Acho comédia uma coisa maravilhosa. É dificílimo, tem que ter intuição, dom, tem que trabalhar seu talento. Comédia não é só escorregar na banana. Tem que pensar junto com o espectador e agir um segundo antes dele. É matemático, trabalhoso. Sou comediante, sim. Não sinto necessidade de fazer um espetáculo que não tenha graça. Acho uma bobagem, um desperdício do meu talento, que é para isso. Acho que a minha ligação com o público é essa, fiz minha carreira assim e me orgulho muito disso. Tenho muitos amigos que sentem a necessidade do outro lado, como se esse não fosse suficiente. Para mim, ele é.

É cobrado para fazer trabalhos mais dramáticos?
No início da minha carreira, muita gente me disse: “Acho que é o momento de você fazer, o público vai querer”. Fiquei até em dúvida, me perguntando se havia essa necessidade. Mas depois respondi para mim mesmo que era bobagem. Não, não posso fazer o que o público quer, senão não ando. Posso até vir a fazer, mas não seria bom para mim. Sempre fui da festividade, sempre gostei da alegria, do bom humor. Acho o lado violento da vida uma chatice. Não vejo filme violento. Gosto de filmes alegres, emotivos, profundos. Choro para caramba em cinema.

Pensa em voltar às novelas?
Não tenho mais vontade. Não que eu não gostasse ou que tenha decidido não fazer mais. Não cheguei a encher o saco porque só fiz duas (Vereda Tropical e Cambalacho). É que meu caminho na Globo virou outro, com a TV Pirata, o Programa Legal. Então não tenho por que ficar oito meses recebendo roteiro todo final de semana na minha casa, decorar capítulo. Minha vida mudou. Teríamos que conversar, se eu voltasse, para que minha vida não virasse uma porcaria.

Sempre quis ser ator?
Antes, queria ser arquiteto. Gostava muito de desenhar. Cheguei a fazer cursos técnicos, mas quando descobri a perspectiva, perdeu o encanto para mim. Gostava simplesmente de desenhar, era uma fuga. Não queria aquilo para a minha vida. Quando começou a ficar chato, parei. Aí meu pai me arrumou um emprego numa financeira. Eu queria ter a minha grana e também me relacionar com as pessoas, vencer minha timidez. Lá, fiz isso. Via os problemas das pessoas e tentava resolver. Foi meu primeiro emprego.
Larguei para me dedicar ao Asdrúbal (grupo de teatro
Asdrúbal Trouxe o Trombone
).

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