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20/10/2003

   

Esporte / Gil de Ferran
Bandeirada final
Mais bem-sucedido piloto brasileiro da era pós-Senna, o
corredor que fez carreira nos Estados Unidos anuncia
retirada oficial das pistas, mas pode ir para a F-1 em 2004

Jonas Furtado

 
Luca Bassani
Gil de Ferran não gostaria que os
filhos virassem pilotos: “Não sei se
eu teria estômago para agüentar”, diz
Foi um final de semana – e, talvez, de carreira – perfeito para Gil de Ferran. No domingo 12, o mais bem-sucedido piloto brasileiro da era pós-Senna despediu-se do automobilismo norte-americano com uma vitória na última etapa da IRL em 2003, sagrando-se vice-campeão da temporada. Em 160 corridas disputadas desde 1995, quando estreou na Fórmula Indy, categoria na qual ele conquistou dois títulos, em 2000 e 2001, esta foi a 12ª vitória de Gil de Ferran. O segundo melhor piloto brasileiro no período, Rubens Barrichello, venceu sete vezes nas 146 corridas que disputou na F-1, e chegou ao máximo com um vice-campeonato, em 2002.

Brasileiro, mas nascido em Paris, há 35 anos, Gil de Ferran cresceu em São Paulo e fazia faculdade de Engenharia quando decidiu seguir para a Inglaterra, em 1988, para dedicar-se exclusivamente ao automobilismo. Foi lá que conheceu a mulher, Angela, inglesa, com quem é casado há dez anos e tem dois filhos: Anna Elizabeth, 8 anos, que nasceu na Inglaterra, e Luke, 6 anos, nascido nos Estados Unidos, para onde Gil mudou-se em 1995 para disputar as categorias baseadas no país.

Na América, conquistou títulos e vitórias – uma delas nas 500 Milhas de Indianápolis
deste ano, que lhe valeu o prêmio de US$ 1,3 milhão –, mas ficou longe de seu sonho de correr na F-1. Sonho que ele pode realizar no ano que vem: apesar de anunciar sua retirada das pistas e negar oficialmente um retorno, nos bastidores o piloto e seu empresário negociam um acordo, com a ajuda da Petrobras, para que ele dispute pela equipe Jordan a temporada da F-1 em 2004.

“Estou chegando num platô como piloto”
Por que você decidiu deixar as pistas?
A pergunta se eu deveria continuar a correr ou não surgiu na minha cabeça antes de a temporada começar. Interpretei isso como um sinal muito ruim, uma vez que em corridas de automóvel ou você está 100% dentro ou 100% fora. Não pode existir meio termo. Além disso, sinto que estou chegando num platô como piloto, minha evolução não é tão íngreme quanto era anos atrás. Pela minha maneira de ser, teria muita dificuldade de lidar com um período de declínio, e não sei se isso vai acontecer amanhã ou daqui a cinco anos. Vou buscar outros desafios, outras montanhas para tentar subir.

Qual foi o melhor momento da sua carreira?
É claro que as vitórias nos campeonatos e a vitória nas 500 Milhas de Indianápolis são difíceis de esquecer. Mas o que mais vai ficar marcado são algumas pessoas que passaram pela minha vida e me ajudaram a me tornar aquilo que sou hoje.

Não ter corrido na F-1 foi uma opção ou é uma frustração?
Não corri na F-1 por motivos diferentes em épocas diferentes. Algumas vezes achei que as oportunidades que estavam me oferecendo nos Estados Unidos eram melhores, em outras o timing do negócio não funcionou. Como um amigo meu sempre disse, minha estrada é diferente, tem outras curvas, e sempre fiz o que pude para dirigir o melhor possível nela. É claro que era um objetivo, um sonho meu originalmente, mas não aconteceu. Mas enquanto converso com você agora, não tenho nada pesando no meu estômago, nada atravessado na minha goela. Estou satisfeito e realizado com a minha carreira como piloto. Sou um cara novo ainda, tenho uma segunda carreira pela frente.

Seus filhos nasceram e estão crescendo longe do Brasil. Como você faz para mantê-los em contato com a cultura brasileira?
A gente tenta equilibrar, vai para o Brasil pelo menos uma ou duas vezes por ano.
Minha mãe vem para cá toda hora. Tive uma infância maravilhosa no Brasil e gos-
taria de proporcionar para meus filhos um pouco dessa experiência, que é difícil de
ter em qualquer outro lugar. Para minha filha, o português é a nossa língua secreta,
nossa língua-código. Ela adora.

Eles já correm com kart?
Não, graças a Deus. Mas se eles quiserem correr, ou tentarem fazer qualquer outra
coisa, o meu papel como pai é dar o maior suporte possível para que tomem boas decisões, estar lá para o que der e vier.

Gostaria que eles fossem pilotos?
Não sei se eu teria estômago para agüentar. Mas se decidirem pelo automobilismo,
vou fazer o máximo para ajudá-los, sempre procurando estar um passo atrás deles e nunca na frente.

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