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Reportagens

20/10/2003

   
 
Reprodução
Hebe com um ano e meio
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Sucesso como a Estrelinha do Samba nos anos 40, com a orquestra da Rádio Tupi. “Nós somos pobretes, mas alegretes”, dizia Ester, mãe de Hebe, à filha
Ela quase foi registrada como Beatriz. Virou Hebe, a deusa da juventude na mitologia grega, por influência de amigos

 

Gente Fora de Série
Hebe Camargo
Capítulo 1
Nasce uma estrela do rádio
A apresentadora do SBT teve uma infância
pobre, estudou só até a 4ª série do ensino fundamental, trabalhou na casa de uma tia rica antes de começar a cantar no rádio e tinha
sua virgindade vigiada de perto pela mãe

por Rodrigo Cardoso

 
 
Na juventude, ela formou com a irmã Estela
a dupla caipira Rosalinda e Florisbela
O ano de 1929 ficou marcado em Taubaté pela estréia dos filmes falados. A novidade obrigou o Politeama, cinema da cidade paulista, localizada no Vale do Paraíba, a dispensar os músicos que tocavam para a platéia durante as exibições. Por obra da novidade, Sigesfredo Camargo, um violinista casado com Ester Monteiro Magalhães Camargo, perdeu o emprego. Com cinco filhos para criar (Lourdes, Cicida, Paulo, Feguinho e Estela), Fego, como Sigesfredo era carinhosamente chamado entre os familiares, e Ester conviveram com tempos difíceis naquele ano. O pior deles, meteorologicamente falando, foi a madrugada de 8 de março de 1929. Taubaté foi tomada por uma tempestade. A chuva de granizo, os ventos e as trovoadas deixaram Fego mais ansioso do que de costume. Ele só retomou a fleuma pouco antes do raiar do dia, quando sua filha caçula, Hebe Maria Camargo, veio ao mundo.

Morena, a nova integrante da família quase foi registrada como Beatriz. Por influência de amigos, os Camargo resolveram batizá-la de Hebe, a deusa da juventude na mitologia grega. Foi como premonição. “Hebe sempre foi alegre, desde o tempo em que andava de bonde. Mesmo em horas tristes, nunca se deixava abater. Nunca foi derrotista e sempre achava que as coisas iam melhorar”, diz a cantora e atriz Lolita Rodrigues, 74 anos, dois dias mais nova que Hebe.

Hebe e Lolita se conheceram aos 15 anos, em São Paulo, para onde os Camargo mudaram quando Hebe estava com 6. Um convite a Fego, que fazia bicos em quermesses de Taubaté, para integrar a orquestra da Rádio Difusora os colocou no caminho da cidade grande. “Fomos morar na rua Rui Barbosa, perto do Morro dos Ingleses. Nessa casa tinha escorpião, foi a primeira vez que ouvi falar em escorpião. Depois, fomos para a rua Treze de Maio onde tinha uns coqueiros grandes. Não tinha escorpião, mas tinha morcego”, lembra a apresentadora do SBT.

A mudança não veio acompanhada de bonança e, em seguida, a família viveu num porão na rua São Joaquim. A abundância de ternura compensava a solidão do arroz na mesa da família. Era comum Fego acordar os rebentos tirando acordes de valsas de seu violino.

Hebe fazia sua parte. Da residência de uma tia rica, Irene Andrade, para quem lavava pratos e arrumava a cozinha, ela levava para o lar dos Camargo alguns trocados. “Também aproveitava para comer os bolinhos que sobravam do almoço”, conta ela. Hebe queria derrubar o reinado do arroz, ou melhor, socializá-lo com feijão, carnes, salada e frutas. Do mesmo jeito, quis colocar voz nos sons que o pai produzia. Assim, aos poucos, nasceu a cantora Hebe Camargo, apresentando-se em programas de auditório das rádios paulistanas. Tomada por afazeres e com poucos recursos, Hebe abandonou os estudos no 4º ano do ensino fundamental. “Nós somos pobretes, mas alegretes”, costumava dizer Ester à filha caçula.

Era certo que com um talento dentro de casa – Hebe ganhou muitos prêmios em auditórios que foram revertidos para o sustento da família – os Camargo iam melhorar de condição, o que de fato aconteceu quando mudaram para uma casa na rua Arthur Azevedo, em Pinheiros. Lá, Hebe se divertia passeando de bicicleta pelos terrenos baldios do bairro. Era nessa casa que Lolita Rodrigues, a sétima filha, como dizia Fego, dormia, quando retornava com a amiga dos bailes da vida. “Hebe estava sempre namorando”, conta Lolita. “Ela ficou noiva umas três ou quatro vezes.”

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