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Entrevista

20/10/2003

   
     
Fotos: Claudio Gatti
“Foi com um jumento (primeira experiência sexual). Criança vai pegar quem? Brincadeira de menino no interior era ir
para o rio, empilhar
os tijolos e...”
CONTINUAÇÃO
Quando você descobriu que
gostava de cantar?
 
Você bebe, come
ou fuma mais?
 

 

Raimundo Fagner
“Fiz sucesso muito cedo
e fiquei sem chão”

continuação
 

Você lançou disco que vendeu mais de 1 milhão de cópias, lotou casas de show. Reconhece agora que
viveu um período de pouco brilho na carreira?

Sim. Ninguém fica duas décadas metendo malho (fazendo sucesso). Tem um momento em que você não precisa ficar martelando. O bom é produzir, recuar e lançar outro na hora certa. Estava sendo mais um, quando deveria ser eu mesmo. Me envolvi com pessoas do metiê que quiseram me derrubar. Tive erros táticos, lançamentos de discos e coisas que não quero ser específico. Só queria dizer que a gente teve um brilho muito grande, dos anos 70 até o começo dos 80. Depois caiu o nível dos profissionais, vieram os jabás, os interesses.

Qual a sua parcela de culpa?
Me indispus com pessoas influentes dentro do sistema (fonográfico). Não quis entrar em certas sociedades para continuar a ser escalado (para eventos musicais). Senti as injustiças porque sabia onde era meu lugar. Falou em Luiz Gonzaga, eu tenho de estar! Falou em Nordeste, eu tenho de estar! Vi que estavam acontecendo armações, escalavam outros em meu lugar. Mas me descobri artisticamente, saí
do esquema, sistema. Fiz sucesso muito cedo e fiquei sem chão. E esse rompimento serviu para eu poder me conhecer, foi talvez a minha análise. Tanto que, mesmo nos altos e baixos, nunca deixei de curtir a profissão e zelar pelos melhores profissionais.

Arrepende-se de ter brigado com Caetano (Caetano virou as costas para Fagner, quando ele conversava com Nara Leão, colocando-se entre os dois)?
Devo ter sido um pouco culpado, mas estava em ascensão na Phillips. O empresário do Caetano, na época, mandava nas coisas e estava me sacaneando e eu confundi tudo. Caetano me ligou, ano passado, para ver um show dele em Fortaleza. Era um domingo, tinha chegado cansado da praia, mas minha mãe fazia três dias que dizia: “Raimundo, Caetano está fazendo show na cidade. Por que ele não vem aqui? Você é brigado com Caetano?” Já havíamos selado a paz, quando
ele foi à minha casa no Rio, acho que em 1987, levado pelo Chico (Buarque), para fazermos uma música. Estavam lá,
eu, ele, Chico, Roberto, Erasmo e Gil. Lá pela madrugada, Caetano disse que estava com fome. Abri a geladeira e só tinha um ovo. Fiz o ovo e, quando voltei para oferecer a
ele, o Roberto falou: “Bicho, vocês brigando, mas quem te
vê fazendo um ovinho, hein?”. Aí, tocaram no assunto Caeta-
no e, como ele é muito vaidoso, começou a me esculhambar. Falei: “Ó, meu irmão, tem só esse ovo. Vai querer comer
essa p.?”. Ele comeu.

Por que nos anos 90 você se afastou do circuito musical e foi viver no Ceará?
Estava meio enfastiado. O cara que não enche o saco da profissão é um idiota. Fiz um CD (Caboclo Sonhador) no Ceará e resolvi ficar por lá. Passei a me envolver com política, desde o governo do Tasso (Jereissati), em 1987, e aprendi muito.
Tô me afastando um pouco este ano, mas a música para mim era comícios, só. Deixei de fazer programas de tevê e trabalhos de divulgação de disco, quando tinha obrigações com a política. Política vinha em primeiro lugar na minha vida, ela me afastou do circuito musical e gostei. Precisava dar um tempo. Mas não senti ausência de carinho. Me ligaram para fazer dois Rock’n’Rio. Mas queria ficar no meu sítio, nem retornava a ligação. Entrei muito cedo nessa vida e as coisas aconteceram rápido, dei muitas voltas olímpicas. Precisava fugir, reabastecer.

Como vê o governo do nordestino Lula?
O fato de romper com o coronelismo elitista é de se aplaudir
de pé. A postura, o jeito que está falando, falando errado, emocionando-se. Tudo é um estilo novo de fazer política no Brasil. Pode não dar certo com ele, mas vamos caminhar por aí. O mundo está vendo que, até que enfim, deixamos de
ter um presidente ditador, um imbecil, que foi o Collor, um da elite, que foi o Fernando Henrique, e agora reconhecem que caiu na mão do povo. Votei no Ciro, no primeiro turno, e no Lula, no segundo.

Você bebe, come ou fuma mais?
Bebo. Tomo muita cerveja, não engordo. Em Orós, bebo muito. Mas tô adorando cozinhar, apesar de ter dia em que não como. Fumar é minha maior mania. Fumo um maço por dia.

É contra jovem experimentar maconha?
Não. Os moralistas acham que podem dar o primeiro tapa e os outros, não. A vida está aí para ser experimentada. Não custa nada o pai falar: “Ó, meu filho, quer fumar maconha? Vamos dar um tapa nós dois e ver esse barato aí”. A minha primeira incursão nas drogas foi deprimente. Fumei (maconha), entrei no carro de meu primo, acelerei e fiz a curva sem tirar o pé do acelerador. Achei que não estivesse acontecendo nada. Ao contrário de Bill Clinton e FHC, eu traguei (risos).

Como foi a primeira experiência sexual?
Foi com um jumento. É sério, pô! Criança tu acha que vai pegar quem? Brincadeira de menino no interior era ir para o
rio, empilhar os tijolos e... Também tinha os cabarezinhos
em Orós. Mil histórias! Em 1969, quando cheguei no Rio, saí pela Lapa e fiquei conversando com um travesti. Depois um amigo me chamou e disse: “Raimundo, é um travesti!”. E eu:
“O que é um travesti?”

Por que nunca casou?
Não consigo me imaginar casado, com obrigações. Pode até ser que aconteça. O espaço do artista é muito invadido, então, sempre busquei estar um pouco só.

Nunca quis ter filhos?
Devo ter (risos).

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