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13/10/2003

   
 
Renata Jubran/AE
Acima, Fernanda com o namorado João Paulo semanas antes do acidente e com a mãe: “Minha irmã ficava o tempo todo no sofá,
em posição fetal e agarrada a um bicho de pelúcia da Fernanda”, conta Bebel Vogel
Reprodução
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Trechos
do livro
Cinco histórias intrigantes da Fernanda

 

Exclusivo - Fernanda Vogel
Misteriosas coincidências
continuação

 
Celso Junior/AE
Integrantes do corpo de bombeiros transportam o corpo da modelo em 3 de agosto de 2001

Profissionalmente, a primeira conseqüência da tragédia foi
a licença da função que exerceu durante 23 anos. Myrian não voa desde a morte da filha e deve tirar o seguro pela perda definitiva da carteira de aeronauta. “Cada vôo é uma tripulação, são amigos diferentes. A emoção é complicada
e como chefe de equipe tenho que ter o vôo na mão. Emocionalmente instável, não posso assumir a responsabilidade”, explica. Também mudou de endereço. Deixou o sítio de Itaboraí, no interior do Rio de Janeiro, onde morou desde que Fernanda tinha 12 anos, e se instalou
num apartamento na zona sul carioca. “Lá tinha a distância da família, as recordações e os problemas de cidade pequena. Em qualquer supermercado que entrava tinha um silêncio, depois um falatório baixo e as cabeças se virando
na minha direção. Era complicado”, diz.

MENSAGEM ESPÍRITA Quando começou a se recuperar, Myrian adquiriu o hábito de navegar pela internet em busca de notícias antigas da filha, numa forma de reviver os melhores momentos da modelo e de suprir a própria carência. Foi assim que encontrou, em março do ano passado, um texto sobre Fernanda que lhe chamou atenção. Da correspondência com a autora, Tammy Luciano, surgiu a idéia do livro, do qual Myrian participou ativamente. “Isso me deu forças para enfrentar minha perda”, conta a mãe da modelo. Apesar da recobrar o ânimo, só um ano após começar a trabalhar no livro conseguiu interromper um hábito adquirido com a morte da filha: o de ligar para o celular de Fernanda para escutar o recado da caixa postal que permanecia gravado com a voz da modelo. “Era absurdo, mas eu tinha a necessidade de ouvir a voz dela”, justifica.

Outro alento veio das oito mensagens recebidas de dois centros espíritas no Rio. Em todas elas, algumas enviadas por uma professora de Fernanda na época do primário, a modelo dizia estar bem e conformada com seu destino. A comissária tem absoluta certeza da veracidade de pelo menos um dos recados, em que a filha se refere às violetas e margaridas plantadas pela mãe no peitoril da janela de seu apartamento. “Ninguém do centro tinha ido à minha casa”, afirma Myrian.

Católica, a mãe de Fernanda diz não ter coragem de presenciar as manifestações nos centros, mas as considera reconfortantes. “É um remédio para a alma. Um alívio para outros pais que perderam seus filhos, porque mostra que existe a continuidade”, afirma a comissária. É no livro, portanto, que Myrian espera passar a idéia de que a filha está bem. E para escrever a história de Fernanda, contou com a ajuda dos amigos, colegas e das pessoas mais importantes da vida da modelo.

Uma delas, o empresário Ike Cruz, que foi casado com Fernanda, é quase um filho para a ex-sogra. Desde a morte da ex-mulher, manteve o hábito de passar todo Natal na casa da família Vogel. “Me ajuda a superar a perda, saber que fiz, e ainda faço, parte de uma família. A Fernanda foi importante pra mim no campo pessoal e profissional. Saí da casa dos meus pais pra morar com ela. Ver a felicidade da Myrian hoje é prioridade pra mim”, disse Ike à Gente.

Separada desde janeiro do segundo marido, Jorge, pai de
seu filho caçula Eduardo, 14, e que cuidou de Fernanda desde os 6 anos, Myrian ainda faz duas sessões semanais
de terapia e toma remédios para conviver com a dor da
perda da filha. Ela já decidiu que parte da renda do livro
será destinada a uma instituição de caridade. É uma das maneiras que encontrou para pôr em prática seus novos objetivos de vida. “Quero agora transformar a dor em amor. Homenagear a Fernanda e fazer o bem.”

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