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Reportagens

29/09/2003

   

Revelação
A diversidade na tela
Comparado ao americano Spike Lee, o cineasta Jeferson
De, que ganhou três Kikitos em Gramado com o curta-
metragem Carolina, quer dissociar o negro da violência

Mariane Morisawa

 
Felipe Barra
Jeferson De prepara seu primeiro longa,
que participou do laboratório de Sundance
e deve ser rodado no início do ano
Sentado no banco de trás do Fusca, o menino tem a seu lado um projetor de cinema. Seu pai percorre nos fins de semana os 18 quilômetros que separam a cidade paulista de Taubaté da vizinha Caçapava, com a tarefa de buscar o projecionista que exibe filmes no clube de funcionários da fábrica onde trabalha como torneiro mecânico. Nasce ali a paixão de Jeferson Rodrigues de Rezende pela sétima arte, confirmada mais tarde, quando ele troca a faculdade de Filosofia pela de Cinema.

Jeferson De ainda não se formou. Mas seu segundo curta-metragem, Carolina, sobre a escritora favelada Carolina de Jesus, recebeu três Kikitos no Festival de Gramado. “Foi incrível, porque tanto o André Szajman, dono da gravadora Trama, quanto o rapper Mano Brown, dos Racionais, falaram a mesma coisa: esse filme tem que ser feito”, conta Jeferson, 35 anos, agora membro do Conselho Paulista de Cinema, que vai ajudar a estabelecer diretrizes para a atividade. “Todo mundo fala em diversidade. Eu sou a diversidade”, diz.

Jeferson defende um cinema feito e protagonizado por negros, mas que não se prenda à violência. “Carandiru, Cidade de Deus, Uma Onda no Ar, Madame Satã, O Homem Que Copiava são filmes com negros como protagonistas, o que me alegra”, diz. “Por outro lado, fico triste, porque em todos o negro aparece segurando uma arma”, afirma. Por causa das idéias, Jeferson é comparado a Spike Lee. “Adoro basquete, usar boné e tênis Nike”, diz. “Mas não dá para pegar o que ele faz lá para fazer aqui. A situação não é a mesma”, completa. Por coincidência, Trey Ellis, roteirista de um filme produzido por Spike Lee, é o consultor do roteiro do primeiro longa de Jeferson, Um Dia, que participou do laboratório do Instituto Sundance e deve ser rodado em 2004. “Está na hora de virar gente grande”, diz. Ficou para trás o garotinho que viveu uma história à la Cinema Paradiso.

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