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Reportagens

29/09/2003

   
 
Ele e Marieta Severo, como Lucinha Araújo
André Durão
“Não esqueço das vezes em que meu pai levava a família toda para um piquenique à beira do
Rio Eufrates”, diz Daniel, que morou no Iraque
nos anos 80
“Ando nu até a cozinha, onde a
gente começa a se agarrar e a se
beijar, de verdade.
Acabamos no sofá’’

Daniel Oliveira, sobre
uma cena no filme
de homossexualismo

 

Carreira
Jogado aos pés de Cazuza
O ator Daniel Oliveira recuperou cinco dos
onze quilos perdidos para viver o músico no cinema e incorporou características dele
como a ironia, os palavrões e o cigarro

Carla Felícia

 

Quase duas semanas depois do término das filmagens de Cazuza – O Tempo Não Pára, Daniel Oliveira, de 26 anos, já não exibe a semelhança física com o cantor que levou às lágrimas a mãe do músico, Lucinha Araújo. Recuperou cinco dos 11 quilos perdidos para viver Cazuza em seus últimos meses de vida. Os efeitos do bronzeamento artificial e do relaxamento nos cabelos também não existem mais. Porém, muito da personalidade do compositor ficou: o jeito sacana, muitas vezes irônico, os palavrões e o cigarro. “São características do Cazuza, ele que me soprou”, diz o ator.

O “jeito Cazuza” de Daniel impressionou de cara os diretores do longa, Sandra Werneck e Walter Carvalho, ainda nos testes para o papel. Numa das etapas, os candidatos se viam diante do resultado positivo de um exame de aids. “A maioria ficava triste e chorava. O Daniel se emocionou, amassou o papel e o colocou na boca como se fosse engoli-lo”, conta Sandra. “Foi um dos únicos que mostrou uma atitude Cazuza.” Durante a preparação para o filme, o ator também surpreendeu a fonoaudióloga Marise Müller, encarregada de dar a ele, um ator mineiro, um sotaque mais carioca. Professora de Cazuza e até hoje amiga da família, Marise se emocionou ao notar que Daniel chegava a seu consultório da mesma maneira que o antigo aluno: subindo os degraus de dois em dois, correndo. Ouvindo histórias contadas por ela e também por Lucinha, o ator se espantava com a espontaneidade de Cazuza. “Ele falava o que vinha na cabeça e vivia abertamente seus desejos.”

Daniel adianta que isso estará bem claro no filme, como numa cena de amor com o ator Eduardo Pires, que vive um namorado do músico. “Ando nu até a cozinha, onde a gente começa a se agarrar e a se beijar, de verdade. Acabamos no sofá”, conta ele, que se prepara para os comentários que virão. “Mas o pior já passou: enfrentar aquela saliva de macho”, brinca. A única mulher com quem Cazuza se relaciona no longa é vivida por Débora Falabella, namorada de Daniel há quase três anos. “É urucubaca dela”, diz. “Na tevê fiz um padre, agora faço um gay. Quando vou beijar uma garota, é ela?”, diverte-se. Brincadeiras à parte, ele assegura que foi a melhor escolha. Débora também. “Somos tão íntimos que isso transparece na tela.”

O casal deverá voltar a trabalhar junto em breve, na minissérie Um Só Coração. Será o terceiro trabalho do ator na Globo, depois de A Padroeira (2001) e Malhação (2000). Os dois têm planos ainda de encenar uma peça juntos. “Imagina poder viajar pelo Brasil com um espetáculo ao lado dele”, exclama Débora, que convidou o namorado para passar parte de suas férias com ela no Nordeste, onde está a trabalho. Antes de se juntar a ela, Daniel visita outras duas paixões em Belo Horizonte: a mãe Aurora e a irmã Iolanda. Seu pai, Geraldo, faleceu há sete anos. O ator lembra dele com carinho. Principalmente do que viveu a seu lado no Iraque, em razão de um emprego de almoxarife que Geraldo conseguira numa empresa brasileira. “Tinha oito anos, mas não esqueço das vezes em que ele levava a família toda para um piquenique à beira do Rio Eufrates.”

Daniel nunca abriu mão de seus sonhos. Aos 21 anos, deixou a família em Minas Gerais e mudou-se para o Rio de Janeiro sozinho e sem dinheiro. Tinha convite para atuar em Brida,
na extinta TV Manchete, mas a emissora faliu antes mesmo de a produção ir ao ar. “Pegava água num museu próximo de casa e com o que economizava comprava miojo, cenoura e ovo”, lembra ele, que hoje, com seu trabalho, consegue ajudar a mãe e a irmã.

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