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29/09/2003

   
 
Divulgação
No domingo 21, sem Gugu Liberato no ar, o SBT viu o Ibope no horário despencar
para 12 pontos,
metade do habitual
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Governo -
Gugu e Globo
na mira

 

Capa
Pega na mentira
Como uma entrevista com falsos criminosos, produzida por apenas R$ 3 mil, tirou Gugu do ar, gerou prejuízos estimados em R$ 1 milhão ao SBT e pode terminar com o indiciamento do apresentador por apologia ao crime

Rodrigo Cardoso
Colaborou Fábio Farah

 
Wellington Cerqueira
“Tudo foi preparado pela produção do Domingo Legal, através do comando de seu apresentador Augusto Liberato’’
Alberto Pereira Matheus Jr.,
delegado que investiga o caso
Pela primeira vez em dez anos, desde que foi ao ar em 17 de janeiro de 1993, o programa Domingo Legal não foi exibido. A tradicional guerra de audiência entre os apresentadores Augusto Liberato, do SBT, e Fausto Silva, da Globo, não aconteceu por determinação judicial. O Ministério Público Federal obteve uma liminar suspendendo o programa no domingo 21, como punição pela (falsa) entrevista com membros do PCC – chamados de Alpha e Beta –, encapuzados e empunhando um revólver, veiculada no domingo 7. A cena, segundo os procuradores, gerou terror na população pelas ameaças de seqüestro e assassinato de autoridades e apresentadores de outras emissoras.

Parecia o pior capítulo da trama em que Gugu Liberato se meteu ao veicular a falsa entrevista, mas noutro lance o apresentador foi intimado a comparecer à polícia para prestar depoimento, às 13h30 da quinta-feira 25. Ele será aguardado por delegados, promotores do Ministério Público e representantes da Comissão de Segurança Pública da Assembléia Legislativa de São Paulo, no Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic), em São Paulo. Gugu terá de explicar se sabia da farsa armada pela produção do Domingo Legal. “Temos indícios fortíssimos de que Gugu sabia previamente da matéria”, diz o delegado do Deic, Alberto Pereira Matheus Jr., que preside as investigações. “Gugu pode responder por apologia ao crime.”

A fraude começou a ser desmontada logo no dia da sua exibição. “Tenho outros hábitos para relaxar do que assis-
tir à televisão. Mas no dia 7, por acaso, via o programa
do Gugu ao lado da minha esposa. Assim que a matéria foi
ao ar, pensei: ‘Esses caras não são do PCC’”, lembra o delegado. Em 1997, a delegacia de roubo a bancos na
qual Alberto trabalha foi a primeira a instaurar um inquérito contra o PCC porque a liderança da facção era composta
por ladrões de bancos.

Desde então, o delegado e sua equipe acompanham e estudam os passos da organização, conhecem toda a hierarquia, quando e como um membro dela se manifesta. “Na gravação, Alpha e Beta deixaram vários indícios da falsidade. Eles se referem à organização como PCC, mas os membros de verdade dizem ‘partido’”, explica Alberto. “E o Alpha segura a arma com o dedo fora do gatilho e em proteção de defesa, o que não corresponde ao comportamento de um criminoso.”

Na segunda-feira 8, dia seguinte ao Domingo Legal, um inquérito foi instaurado no Deic para apurar os fatos. Ameaçado na falsa reportagem, Marcelo Rezende, da Rede TV!, chamou Gugu de irresponsável. “Um programa que mostra siliconadas rebolando não deve falar sobre profissionais de respeito”, disse. Outro citado, o
apresentador José Luiz Datena, da Bandeirantes, disse
que seria melhor Gugu “continuar dançando a música
do Piu-Piu ao invés de se meter em armações”. Na tevê, Alpha e Beta também lançaram ameaças sobre padre
Marcelo Rossi, o apresentador da Record, Oscar Roberto
de Godoy, o vice-prefeito de São Paulo, Hélio Bicudo, e o governador paulista Geraldo Alckmin.

Gugu manteve-se em silêncio por mais de uma semana. Decidiu falar pela primeira vez no programa de Hebe Camargo, na segunda-feira 15. No sofá da loira, garantiu não ter assistido à reportagem antes de ela ir ao ar, mas assumiu uma parcela da culpa e pediu desculpas aos envolvidos. “Dar voz a bandido é um erro quase que imperdoável, mas fui enganado por tabela”, disse. O apresentador sustenta que não acompanhou o processo de produção da falsa matéria. Alegou que, naquela semana, seu pai fora operado às pressas após uma embolia e sua mãe teve uma diverticulite (inflamação que afeta o intestino grosso) diagnosticada.

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EDIÇÃO 217
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