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Entrevista

29/09/2003

   
Piti Reali

“Queria ter filhos mais velha. Minha mãe me ganhou com 17 anos. Nossa relação sempre foi boa, mas achava que ela tinha perdido um pouco da vida dela ao me ter tão nova”

CONTINUAÇÃO

Você planejava ser mãe há muito tempo?

Como vê o cinema nacional hoje?

 

Carla Camurati
“Faltava um pedaço de vida para mim”
A diretora e atriz conta como a maternidade transformou sua vida aos 43 anos, diz que a intimidade a incomoda e elogia o cinema nacional

Dirceu Alves Jr.

 
Piti Reali

Carla só volta a filmar
no ano que vem
: “São
10 semanas trabalhando
14 horas diárias, uma folga semanal. Não é o momento”

Carla Camurati, 43 anos, jogou no mundo dois rebentos praticamente ao mesmo tempo. Depois de dois anos de trabalho, ela vê chegar às telas o 1º Festival Internacional BR de Cinema Infantil, que passou pelo Rio, Porto Alegre e Brasília e chega a São Paulo, com 10 filmes de diversos países. No colo, ela carrega o pequeno Antônio, de quatro meses, fruto de seu casamento com o também diretor de cinema João Jardim, 39. “Ele é um bebezão. É o menino dos olhos azul-marinho”, define, orgulhosa. Ser mãe pela primeira vez depois dos 40 não assustou a carioca Carla Camurati, uma mulher que já demonstrou ser corajosa. Atriz reconhecida no cinema e no teatro, símbolo sexual da Globo nos anos 80, ela largou tudo para ser diretora e produtora de cinema. Com Carlota Joaquina, Princesa do Brazil, levou quase 1, 3 milhão de pessoas às salas de exibição em 1995, uma época em que coisa fora de moda era ver filmes brasileiros, e se transformou em uma das responsáveis pela retomada da produção nacional. Hoje, com outros dois longas-metragens no currículo, Carla vai se desafiar novamente. No ano que vem, promete adaptar a peça O Mistério de Irma Vap para o cinema com os mesmos Marco Nanini e Ney Latorraca que a consagraram no teatro. “Nesse ano, não dava para encarar uma produção. Afinal, já tenho três filmes e só um filho”, diz ela.

Organizar o Festival Internacional BR de Cinema Infantil tem a ver com a recente maternidade?
A idéia surgiu quando assisti a um festival de filmes infantis em Estocolmo em 2001 e vi que no Brasil não tinha nada parecido. O Antônio pintou no meio do caminho. O festival já estava sendo tocado quando engravidei.

Você planejava ser mãe há muito tempo?
Queria ter filhos. Desde sempre, mas também nunca tive pressa. As coisas acontecem no seu tempo. Quando pequena, dizia que queria ter filhos mais velha. Minha mãe me ganhou com 17 anos. Como toda filha antagônica, polarizando com a mãe, pensava em ter filho bem mais tarde. Nossa relação sempre foi boa, mas achava que minha mãe tinha perdido um pouco da vida dela ao me ter tão nova. É bom saber equilibrar isso, não se atropelar. Mas eu não vou ficar fazendo confissões sobre meus sentimentos. Para o meu analista, isso já é difícil. A intimidade me incomoda. Sou introspectiva. Posso falar sobre o como é ser mãe.

Então como é ser mãe?
É uma relação muito especial. É tão bonito ter um bebê, viver o cotidiano de um bebê. Essa convivência é deliciosa. Filho vai tendo várias idades, mas essa fase é única e muito especial. Dimensionar o que realmente significa isso é uma coisa de que a gente só se dá conta ao longo da vida.

Você ficou quanto tempo sem trabalhar depois do parto?
Fiquei os dois meses iniciais e voltei a trabalhar na produtora faz um mês e meio, bem aos poucos. Era o princípio da amamentação. E, nos primeiros meses, não dá para ficar saracoteando, passar fora de casa. Na minha produtora tem um jardim. O Antônio pode ir comigo para lá e pegar um sol, dar uma volta na praça próxima.

Como foi sua preparação para ser mãe?
Fiz todos os cursos que se pode imaginar para entender o
que é um bebê, desde o mais útil até o que pode parecer inútil. E isso muda a relação com o bebê. Muitas mães se chocam com a criança porque não estão preparadas para entendê-la. Li tudo. Tem uma série de coisas para decifrar. Bebês não falam, não sabem estabelecer códigos de comunicação. Quis me preparar para saborear esse momento. Se não, a vida pode virar um inferno.

E você está aproveitando ao máximo isso?
As pessoas dizem que uma mãe nunca mais consegue dormir, que tudo fica difícil. Não estou achando nada difícil. Pelo contrário, tudo está mais bom do que difícil. Entender esse universo torna a experiência mais saborosa. A vida é tão rápida, tudo tão efêmero, por isso é importante viver cada fase. Já me peguei não aproveitando certos momentos. E vejo muitas pessoas deixando passar momentos legais. A gente se divide muito e deixa de viver aquilo que seria o mais saboroso.

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