Veja também outros sites:
Home •• Revista ••• Reportagens  
Reportagens

18/08/2003

   

Música / Marcus Vianna
Na trilha do cinema
Depois de conhecer o sucesso de público com um hit
na novela O Clone, o compositor mineiro Marcus Vianna
prepara a trilha sonora do longa-metragem Olga

Dirceu Alves Jr.

 
Claudio Gatti
O violinista despertou para a música sob influência do pai, o maestro Sebastião Vianna: “Ele foi meu grande incentivo e principal obstáculo”

Nas últimas semanas, o compositor mineiro Marcus Vianna só tem olhos e ouvidos para canções alemãs da primeira metade do século, cantigas infantis russas e toneladas de papéis que contam a história de Olga Benário. Está em suas mãos a tarefa de compor a trilha sonora de Olga, filme dirigido por Jayme Monjardim a partir da trajetória da companheira de Luiz Carlos Prestes. “Sempre que rezo para uma coisa, ela acontece.
E, como agradecimento, me entrego. Olga é o meu presente de aniversário”, diz Vianna, que completou 50 anos em 3 de agosto.

As preces de Vianna, autor das trilhas das novelas Pantanal, Terra Nostra e O Clone e
das minisséries Chiquinha Gonzaga e A Casa das Sete Mulheres, todas dirigidas por Monjardim, pediam uma chance para testar a criatividade em uma área inédita em sua carreira, o cinema. E ele foi contemplado em dose tripla. Depois de Olga, a música do violinista, uma fusão do universo pop com o erudito recheada de influências de new age e world music, vai embalar os filmes O Brilho das Coisas, de Helena Soldberg, e Os Filhos do Vento, de Joel Zitto. É o começo promissor de um novo caminho. “Estava cansado de produzir para a tevê, onde, às vezes, a gente se obriga a fazer coisas que não quer. Precisava migrar para a intensidade do cinema”, afirma.

Marcus Vianna é daqueles artistas que traçam a vida sem a exatidão. “Até para compor preciso ouvir passarinho verde”, brinca. O interesse pela música cresceu à medida que ele se espelhava no pai, o maestro Sebastião Vianna, 87 anos, e fugia da formação acadêmica. Aos 10 anos, Vianna tentou aprender piano, mas, já com a miopia avançada, não enxergava as notas. Depois, dedicou-se ao violino sem paciência para completar curso algum. “Sou um autodidata, intuitivo. Por isso, sei que nunca vou ser tão bom como meu pai”, diz ele. “Meu pai foi meu grande incentivo e principal obstáculo. Ele jamais quis que eu mexesse com música para não ter a mesma vida sofrida, sempre sem dinheiro”, lembra o artista, que tentou fugir da sina, cursando três anos de Direito.

Durante grande parte da vida, Vianna viu que seu destino também seria trabalhar hoje
para pagar o que devia amanhã. Tocou com os músicos Beto Guedes e Lô Borges e na Orquestra Sinfônica de Belo Horizonte e formou a banda de rock progressivo Sagrado Coração de Jesus sem engordar a conta bancária. Foi ao conhecer o trabalho do Sagrado Coração que Jayme Monjardim o chamou para fazer a trilha de Pantanal, em 1990, na Manchete. O estouro de audiência não significou lucro para o criador daqueles acordes quase sinfônicos que fugiam da média do que se ouvia nas novelas. “Não percebi a grandeza do sucesso de Pantanal. Perdi dinheiro, deveria ter oferecido meus shows para
o empresário Manoel Poladian ganhar dinheiro às minhas custas”, diz o compositor, que, para sustentar os filhos Olívia, hoje com 12 anos, e João Pedro, 8, e a mulher Ana Carla, viu-se obrigado a criar jingles publicitários por anos a fio.

Os ventos mudaram com O Clone. Além do trabalho exaustivo de criar uma trilha equivalente a 30 CDs para a trama de Glória Perez, ele saiu dos bastidores e interpretou a música “Somente por Amor”, tema que embalou os encontros e desencontros de Jade (Giovanna Antonelli) e Lucas (Murilo Benício). “Vi que ninguém melhor do que o autor para defender a obra, como faz o Chico Buarque. Cantei para 60 mil pessoas. Nunca imaginei isso”, conta ele. Vianna teve o trabalho executado nos 130 países em que O Clone foi exibido e, já escaldado, correu atrás dos direitos autorais. Garante estar longe da tranqüilidade financeira, mas tem direcionado tudo o que ganha para o selo Sonhos e Sons, fundado em 1991, que já lançou mais de 50 discos, além dos 37 gravados por Vianna. No catálogo figuram uma antologia de poemas interpretados pela atriz Letícia Sabatella, o mais recente CD da banda Uakti e Ernesto Nazareth 2 – Mestres Brasileiros, da pianista Maria Teresa Madeira, indicado ao Grammy Latino de CD clássico de 2003. “Faço pelos outros músicos aquilo que sempre quis que fizessem por mim. Enquanto tiver dinheiro em caixa, estou investindo neles e sei que vai dar certo”, afirma, com a mesma tranqüilidade de
quem se tornou músico por intuição.

Comente esta matéria
 
 

Clique para vê-la ampliada
EDIÇÃO 211
ENQUETE
Na sua opinião, quem é a pior apresentadora da televisão brasileira?
:: VOTAR ::
QUEM SOU EU?
 
FÓRUM

Você é noveleiro?

 BUSCA

Aniversário

Colocamos as principais notícias do ano que você nasceu em uma home page.
RESUMO DAS NOVELAS
Saiba o que vai acontecer durante a semana na sua
novela preferida
• Fale conosco
• Expediente
• Assinaturas
• Publicidade
 
| ISTOÉ | ISTOÉ DINHEIRO | PLANETA | EDIÇÕES ANTERIORES | ESPECIAIS |
| ASSINE A NEWSLETTER | ASSINATURAS | EXPEDIENTE | FALE CONOSCO | PUBLICIDADE | AVISO LEGAL
© Copyright 1999/2003 Editora Três