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Reportagens

18/08/2003

   
 
Alan Rodrigues

 

Gente Fora de Série
José Genoino
Último capítulo
Da oposição ao governo
Ele fez a primeira campanha para deputado federal sem carro ou telefone, levou 15 anos para contar para a família que tinha uma filha fora do casamento e não entra em elevadores sozinho por trauma dos tempos de prisão

Cecília Maia

 

Resumo dos capítulos 1, 2 e 3
Genoino trabalhou na lavoura e só foi para a escola aos 11 anos. Um padre de esquerda o fez se interessar por política. Entrou para o movimento estudantil, foi para a guerrilha e em 1972 foi preso e torturado. Passou cinco anos na prisão, e lá começou a namorar a mulher Rioko. Livre, deu aulas em cursinho. Ninguém sabia de seu passado. Os alunos descobriram sua história pelo jornal.

Fotos: Arquivo Pessoal
‘Foi o momento mais difícil da minha vida’ José Genoino, sobre a revelação para a família, há três anos, de que teve uma filha fora do casamento
O silêncio da turma que começava a desvendar o passado do professor de história tinha motivo. No final dos anos 70, a propaganda anticomunista ainda era intensa e a imagem de terroristas e guerrilheiros não era das melhores. Naquela segunda-feira, Genoino mediu cada palavra para falar sobre sua história de vida. “Eu não podia idolatrar o movimento para não incentivar a meni-
nada e ao mesmo tempo queria combater o preconceito que havia em torno do assunto”, conta. Os alunos tiveram as mais diversas reações. Alguns choraram lamentando as tristezas vividas pelo professor, outros ficaram nervosos. “Tive uma aluna que chegou com as mãos geladas e me disse: ‘Te achava tão normal!’.”

Aos poucos, Genoino foi falando mais. Conversava longamente com os alunos mais curiosos e acabou por tornar-se amigo deles. Paralelamente, voltava à militância política. Ajudou na reconstrução da União Nacional dos Estudantes (UNE), participou dos movimentos pela anistia e nos de apoio às primeiras greves dos metalúrgicos, quando Luiz Inácio Lula da Silva começou a despontar como uma liderança sindical. “Percebemos que havia algo de novo, era um começo de esperança”, lembra ele.

Entre os operários e parte da intelectualidade brasileira ganhava corpo a discussão sobre a criação de um novo partido. Todos davam opinião e Genoino também foi ao Sindicato dos Metalúrgicos dizer o que pensava. Sentou-se diante de Lula e perguntou:
– Esse partido que vocês estão formando é tático ou estratégico?
– Sei lá, nós só estamos querendo criar um partido de trabalhadores – respondeu o líder sindical, assustado
com a indagação.

Ana Paula Paiva
Candidato a governador de São Paulo em 2002
Até hoje Lula não perde a oportunidade de brincar com ele. Vez por outra, entre gargalhadas, seja qual for o assunto, lança a pergunta: “Isso é tático ou estratégico?”.

Em 1981, Genoino teve seu nome indicado para concorrer a deputado federal. Não tinha chance. Sem carro ou telefone, montou o comitê eleitoral numa das salas do cursinho. Pertencia à esquerda ultra-radical, xiita até mesmo para os integrantes do novo partido. Era a primeira vez que votaria em sua vida, porque só recuperou os direitos políticos com a anistia, em 1979. Votou em seu próprio nome e foi eleito de raspão, como o último deputado por São Paulo, com a ajuda dos alunos que conheceu em cinco anos de aulas no cursinho. “Minha maior votação foi nas universidades”, lembra ele.

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