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18/08/2003

   

Artigo - por José Bonifácio de Oliveira Sobrinho
Roberto Marinho: condenado ao êxito

Jonas Furtado

 
Divulgação/ Rede Globo
Boni com Roberto Marinho
em 1995
: 31 anos na Globo

“Condenado ao êxito” será ou seria o título do livro autobiográfico que Roberto Marinho estava escrevendo com a colaboração do jornalista Cláudio Mello e Souza. Basta um olhar, mesmo que superficial, na trajetória de vida de Roberto Marinho para se constatar que não há nenhum exagero ou sequer pretensão no título do livro.

Com dr. Roberto ainda vivo, declarei a Meio e Mensagem, publicação especializada em publicidade, que um dos principais méritos do grande empresário era a paciência. Creio que esse conceito pode ser extrapolado para toda sua vida. Ele jamais admitiu o imediatismo, preferindo sempre apostar no futuro.

Quando seu pai Irineu Marinho faleceu, dr. Roberto tinha apenas 18 anos. O jornal O Globo havia sido fundado pelo pai apenas 21 dias antes de falecer. Dona Chica, sua mãe, insistiu para que ele assumisse a direção geral. Ou ele assumia o jornal ou o jornal seria vendido. Ele não aceitou vender e nem quis assumir. Esperou. Quando assumiu fez O Globo crescer paulatinamente, de forma segura, embora ousada. Por saber esperar, ele levou anos para transformar O Globo, na época vespertino, em um jornal matutino. Fez isso antecipando, de tempos em tempos, o horário de fechamento e distribuição do jornal e, por fim, lançando o jornal também aos domingos, completando o ciclo.

Na Globo não foi diferente. Inaugurou o canal 4 do Rio de Janeiro, em abril de 1965. Construiu, pacientemente, o primeiro edifício, no Brasil, concebido especialmente para televisão. O prédio, com estúdios pequenos, foi planejado para abrigar uma emissora que exibiria filmes e faria apenas jornalismo. Naquele local, dramaturgia estava fora de cogitação. A estréia da Globo, no Rio, foi muito abaixo da expectativa. A performance
era para abater o ânimo de qualquer empresário, mas não o dr. Roberto Marinho. Ele agüentou um ano. Em 1966 trouxe da TV Rio Roberto Montoro e Walter Clark. Em 1967,
fui trabalhar com eles. As mudanças foram radicais. De assustar qualquer um, menos
dr. Roberto. Do conceito de emissora local, partimos para o ambicioso projeto de montar uma rede nacional. Sabíamos que isso levaria tempo. Mas ele, novamente, soube es-
perar, sem nos cobrar.

Antes mesmo da entrada da Globo-Rio no ar, dr. Roberto havia feito um acordo de assistência técnica com o Time-Life que serviria de cobertura legal para investimentos de US$ 25 milhões na sua emissora. O Time-Life não tinha muita experiência em televisão e, por outro lado, a concorrência, especialmente os Associados, botou a boca no mundo. A gritaria não abalou o dr. Roberto, mas incomodou o Time-Life, que interrompeu gradativamente o aporte de dinheiro. Simultaneamente ocorreu o incêndio da sede da emissora em São Paulo. Os resultados da empresa não eram satisfatórios para sustentar o crescimento previsto. Dr. Roberto autorizou e empréstimos foram obtidos com José Luiz Magalhães Lins, família Malzoni e até com Silvio Santos.

No início dos anos 70 compramos a parte do Time-Life na chamada “bacia das almas”. Joe Wallach, representante do Time na Globo, negociou a compra por US$ 3,4 milhões e ficou conosco. Daí para diante a história é bem conhecida, muito menos por ser recente, mas muito mais por ser apaixonante. Tudo que dr. Roberto fez, fez com muita paixão.

E que dizer da paixão de dr. Roberto por dona Lilly? Ele a conheceu jovem e linda, recém-eleita “Miss França”. Não foi possível, na época, concretizar o romance. O que ele fez? Esperou. Aos 84 anos retomou sua história de amor e, como em um conto de fadas,
casou-se com dona Lilly que o acompanharia até o fim da vida.

Além da paixão pelo trabalho, dr. Roberto exigia lealdade de seus companheiros e com eles sempre foi leal. Fomos parceiros nos sonhos, mas nossa principal afinidade, é que os dois gostávamos mesmo era de realidade. Por isso conseguimos trabalhar juntos por mais de 30 anos, mantendo um ameno convívio diário. O melhor presente que ele me deu foi ter confiado nos profissionais e ter tido paciência para esperar resultados.

Minhas reflexões me levam a crer que a determinação do dr. Roberto jamais foi maculada pela sua maneira de atingir objetivos passo a passo e de construir obras pedra sobre pedra. Pelo contrário. Essa habilidade fortaleceu a sua tenacidade e sua capacidade de acreditar em seus empreendimentos, sempre acreditando no Brasil, sem nunca perder a esperança e sem se deixar abater pelas incertezas de um país ainda em desenvolvimento.

Como sou um amante de vinhos, costumava comparar dr. Roberto a um tinto de alta qualidade, macio, complexo e sempre melhor com a idade. Um vinho de “guarda” pelo qual é preciso saber esperar, como o próprio dr. Roberto Marinho sempre soube.

Quem tem sabedoria tem paciência. Quem tem paciência e sabedoria pode contar com a sorte. É por isso que o dr. Roberto foi condenado ao êxito.

José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, trabalhou na Globo por 31 anos.
Seu primeiro cargo foi como diretor de produção e programação. Ao sair, em
1997, era vice-presidente de Operações.

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O adeus do Imperador

 

 

 

 
 

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