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Entrevista

18/08/2003

   
Felipe Barra

“No dia que eu quiser andar com a juba solta e com os cabelos vermelhos eu andarei, mas isso não combina comigo”, diz ela

CONTINUAÇÃO

A senhora nunca tinha vivido situação parecida?

Não votar ou
votar contra?

O PT é machista?  

 

Heloísa Helena
“Não uso maquiagem”
A senadora rebelde não está à procura de namorado, passa longe de batom, lápis de olho
e rímel e diz que, com a aprovação da reforma
da Previdência, o momento é de muita dor

Cecília Maia

 

Desde que foi suspensa do PT e aguarda a decisão do partido sobre sua expulsão, por se posicionar contra a Reforma da Previdência, a senadora Heloísa Helena, de Alagoas, vem sofrendo problemas de saúde que ela não revela quais são. “Estou vivendo momentos de grande tensão, é natural que atinja a saúde”, diz. Dois casamentos desfeitos, 41 anos, mãe de Ian, 19, e Sacha, 17, ela está mais triste desde a terça-feira 5, quando foi aprovada na Câmara dos Deputados a proposta do governo. Dias antes, a senadora petista enfren-
tou a violência policial para apoiar os servidores que lutam contra a reforma previdenciária.

O governo enfim conseguiu aprovar a reforma da Previdência que a senhora tanto lutou contra. Como
está se sentindo?

Todos os que dedicaram suas vidas para construir o Partido dos Trabalhadores devem estar sentindo que o momento é de muita dor e constrangimento pessoal, até porque nós passamos a nossa história defendendo uma concepção de aparelho de Estado, de aparato público que não se coaduna com a proposta que estamos hoje sendo obrigados a votar. É uma proposta de reforma que tinha sido encaminhada pelo governo Fernando Henrique e o PT foi o grande obstáculo
para a não aprovação. Alardeávamos perante a opinião pública que esse modelo de reforma da Previdência nada mais era do que uma demonstração de subserviência aos gigolôs do FMI e aos parasitas do Banco Mundial. Mas agora, nós acabamos também por romper laços históricos construídos com os trabalhadores do setor público.

Esses mesmos servidores estiveram aqui e quebraram
os vidros do Congresso Nacional.

Eu lamento profundamente que alguns jovens, por mais indignados que estivessem, tenham feito aquilo. Nada justifica a atitude. Não quero me comparar com aquela porta mas eu também fui agredida fisicamente e moralmente junto com outros servidores pelo grupo de operações da Polícia Federal que é preparado para atingir seqüestradores e narcotraficantes. Mentiram ao dizer que os servidores invadiram o prédio. O problema é que talvez num momento de tanta turbulência social e de pouca autoridade o governo tenha utilizado esse episódio para sinalizar ao mercado ou aos setores mais conservadores da sociedade que consegue resolver o problema, nem que seja na paulada.

Disseram que foi a senhora que provocou e que sempre age assim para aparecer.
Deus me livre. É engraçado. Se eu estivesse circulando no palácio, beijando a mão do poder, partilhando da comilança
do poder, talvez eu fosse mais aceita, seria mais cômodo
para mim inclusive. Precisava ser masoquista para estar me expondo às mais diversas humilhações só para aparecer na mídia. É mais fácil estar na mídia quando se está com o poder.

Seus filhos e sua mãe ficaram preocupados ao ver a senhora sendo arrastada por policiais no prédio do INSS?
Sim, claro. Liguei antes dizendo o que havia acontecido para que eles não ficassem assustados quando vissem as imagens. Eu tossia muito e vomitava por causa do gás jogado pela polícia, então conversei com eles e disse que estava bem. Fiquei com a perna machucada e estou mancando. Mas com certeza as marcas maiores estão no meu coração.

A senhora nunca tinha vivido situação parecida?
Já enfrentei episódio semelhante em Alagoas, quando fui arrastada pelos cabelos. Fui expulsa pelo pelotão de choque de um prédio público a mando do governador Divaldo Suruagy. Na época eu estava num movimento com os servidores públicos de lá. Então, sei que as pessoas ficaram revoltadas quando viram a violência da polícia contra mim, mas as pessoas lá de Alagoas, que conhecem a minha história, ficaram muito mais revoltadas. Elas sabem o que já enfrentei num Estado conservador como o meu para defender o PT.

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