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Ana Lúcia: evite roupas muito justas |
Não
é à toa que a Maitena, a argentina autora da série
Mulheres Alteradas faz tanto sucesso por aqui. Os problemas
vividos pelo sexo feminino só mudam de endereço. Ter
celulite, por exemplo. Quem não tem? Segundo pesquisas, 80%
das mulheres apresentam os famigerados furinhos. Nem top models
e magrinhas são poupadas. E, dizem as más línguas,
enxergaram celulite até nas coxas da Naomi Campbell e de
modelos que desfilaram de biquíni na última São
Paulo Fashion Week!
Ter
celulite é, em parte, uma sina. O nome oficial é meio
escabroso: lipodistrofia ginóide. A aparência casca
de laranja vem do desequilíbrio do metabolismo do tecido
subcutâneo e da circulação periférica.
Ela se forma no tecido gorduroso, entre a derme e os músculos.
É associada ao aumento de células gordurosas (adipócitos).
Se a mulher engorda, essas células inflam. Adipócitos
fazem trocas com o sistema linfático e o sangue. Sugam nutrientes
e água e eliminam toxinas. Se o metabolismo está ruim,
células se juntam, interrompem a circulação,
congestionam o tecido e causam esclerose das fibras de colágeno,
que sustentam a pele. Resultado: celulite.
O
problema tem estreita relação com o hormônio
sexual feminino o que explica o fato de homens raramente
terem celulite e piora com o uso de pílulas, estresse,
gravidez e TPM, além do fator hereditário. Se sua
mãe ou avó têm ou tiveram celulite, você
deverá ver esse filme. Mas em vez de amaldiçoar gerações
passadas é preciso entender que o estilo de vida tem total
influência sobre o grau dos seus furinhos. Não espere
milagres. Há ligação direta entre a alimentação
e suas formas. Quer diminuir os furinhos? Torne-se mais consciente.
Até certo ponto, você produz sua celulite. Mude hábitos.
Limite o acúmulo de toxinas. Elimine enlatados, café
(se não fica sem, tome uma ou duas xicrinhas diárias),
álcool, cigarro, refrigerantes e demais bebidas gasosas,
comidas condimentadas e embutidos. O mesmo vale para roupas muito
justas.
Abrace
a causa da água: entorne de um a dois litros por dia, faça
sol ou chova canivete! Reduza, ao mínimo, sal, açúcar
e doces. Coma proteínas: carnes e queijos magros, aves e
peixes. Seu menu deve contemplar alimentos ricos em iodo, que ajudam
no metabolismo: agrião, arroz integral, batata, banana, alcachofra,
repolho, tomate, vagem, aspargo, cenoura, ervilha, morango e uva.
Mexa o corpo! Não fique horas sentada vendo televisão
ou na internet. Caminhe. A atividade física, moderada e periódica,
é um santo remédio para a circulação
e para vencer a celulite. E, se está
acima do peso, emagreça. Mas sem exageros, magreza demais
piora as deformações.
Consulte
seu dermatologista para indicar o melhor tratamento ou conjugar
métodos. Acredito nos bons resultados da drenagem linfática
(massagem suave que faz o caminho da circulação linfática
e auxilia na eliminação de toxinas); mesoterapia (injeções
com medicamentos que atuam no sangue e na dissolução
dos nódulos); endermologia (massagem feita por um aparelho
computadorizado que age por sucção e rolamento da
pele), ultrassom (aparelho que emite ondas magnéticas, que
estimulam a circulação) e em lasers como Cellulless
e Indermolaser.
Não
é preciso sofrer para tratar celulite. Um bom especialista
pode lhe ajudar a descobrir métodos indicados para você.
Pode indicar um creme manipulado ou industrializado, à base
de cânfora, mentol, xantinas, cafeína ou castanha da
índia, opções de compostos ativos eficazes.
Fortalecem a circulação periférica e dão
uma hidratada na pele, o que disfarça o aspecto casca de
laranja. No caso da celulite, não espere pelo milagre dos
potes. O creme não vai valer de nada se você não
tiver um estilo de vida saudável!
Ana
Lúcia Recio é dermatologista, médica da
Santa Casa de
Misericórdia de São Paulo e membro fundadora da Sociedade
Brasileira de Laser e Cirurgia Dermatológica
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