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Ele
é casado com a jornalista Márcia Peltier:
“Vamos estar juntos até morrer”, diz Nuzman |
Ele
já disputou uma Olimpíada como atleta, foi o principal
responsável pela evolução do voleibol brasileiro
– durante os 21 anos em que presidiu a Confederação
Brasileira de Vôlei (CBV), entre 1975 e 1996 – e trouxe
para o País os Jogos Panamericanos de 2007, quando o Rio
de Janeiro venceu San Antonio na primeira derrota de uma cidade
americana. Agora, o desafio do presidente do Comitê Olímpico
Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, 61 anos, é maior: trazer
para o Brasil os Jogos Olímpicos de 2012, numa disputa com
outras oito cidades (Havana, Istambul, Leipzig, Londres, Madri,
Moscou, Nova York e Paris), cujo resultado será divulgado
em julho de 2005.
Lembrando
que o esporte o ajudou a superar a morte da mãe, quando tinha
10 anos, Nuzman promete se empenhar ao máximo na briga pela
Olimpíada. “Os Jogos abrem as possibilidades de crescimento
de um país, e o Brasil precisa disso”, diz o pai de
Larissa, 20, filha de seu casamento com Patrícia Nuzman,
e padrasto de Ana Rita, 22, e Ana Clara, 20, filhas da atual mulher,
a jornalista Márcia Peltier, com quem está casado
há 5 anos.
Após
a tentativa frustrada de trazer a Olimpíada de 2004 para
o Rio, acha que agora a cidade tem chances?
A Rio 2004 foi uma candidatura política. O próprio
Comitê Olímpico Internacional mudou o sistema depois,
obrigando os comitês olímpicos nacionais a estarem
na linha de frente das candidaturas. Naquela ocasião, o COB
meramente emprestou o nome e deu apoio. Não acreditava na
vitória naquela época.
E
agora, acredita na vitória do Rio?
Apesar de ser a candidatura mais difícil de todas, porque
as cidades envolvidas são as principais do mundo, o Rio,
como São Paulo também faria se fosse escolhida, parte
de um processo mais pé no chão. Temos um dossiê
feito em nível internacional e as garantias políticas
e financeiras dos governos federal, estadual e municipal.
Na
condição de carioca, como manteve a imparcialidade
na escolha do COB entre Rio e São Paulo?
Segui o que o COI exige como termos de candidatura. Foi instituída
a comissão de avaliação, o colégio eleitoral,
e
eu me abstive de votar. Também não participei das
visitas e nem das reuniões da comissão, que era formada
quase que só por pessoas de fora do Rio e de São Paulo.
A partir do momento que me coloquei dessa maneira, fiquei à
vontade para dirigir o processo.
Torceu
pelo Rio?
Não. Torci pela decisão que melhor repercutiria internacionalmente.
Nessa disputa o Rio teve a vantagem
de ter sido escolhida para sediar o Pan de 2007, porque, graças
a isso, a cidade já tinha um dossiê aprovado pela Organização
Desportiva Panamericana (Odepa). Lógico que o orçamento
de um Pan é de US$ 225 milhões e, numa Olimpíada,
falamos em alguns bilhões de dólares, mas a
vitória no Pan 2007 não deixou de ajudar.
Acha
que a violência na cidade pode atrapalhar a candidatura?
Existe essa questão, só que aqui você sabe quem
é o ini-
migo. Quando há terrorismo não se sabe, e isso não
passa
pelo Rio. Se a violência é um problema para nossa candida-
tura, o terrorismo é um problema muito maior para nossas
principais adversárias, e não é só Nova
York. A Inglaterra e a França também convivem com
isso, a Rússia, enfim, todas as cidades têm problemas
ou de segurança, como nós, ou de terrorismo. É
inevitável, só que aqui temos como identificar o inimigo
e combatê-lo.
Como
seria esse combate?
A linha do COI é que o projeto de segurança de uma
cidade olímpica apresente um comando único nessa área,
que deve ser exercido por um general, até por questão
hierárquica. Todas as polícias e, se preciso, as Forças
Armadas, devem estar subordinadas a esse general, que trabalharia
em conjunto com uma assessoria de segurança internacional.
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