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Entrevista

28/07/2003

   
Leandro Pimentel

“Se a violência é um problema para nossa candidatura, o terrorismo é um problema muito maior para nossas principais adversárias, e não
só Nova York”

CONTINUAÇÃO

Torceu pelo Rio?

É verdade que tentou ser técnico de vôlei?

 

Carlos Arthur Nuzman
“O Brasil precisa da Olimpíada”
O presidente do COB diz que a candidatura
do Rio para 2012 é a mais difícil entre as concorrentes e fala da morte trágica da mãe,
que o levou para o esporte

Luís Edmundo Araújo

 
Leandro Pimentel
Ele é casado com a jornalista Márcia Peltier:
“Vamos estar juntos até morrer”, diz Nuzman

Ele já disputou uma Olimpíada como atleta, foi o principal responsável pela evolução do voleibol brasileiro – durante os 21 anos em que presidiu a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), entre 1975 e 1996 – e trouxe para o País os Jogos Panamericanos de 2007, quando o Rio de Janeiro venceu San Antonio na primeira derrota de uma cidade americana. Agora, o desafio do presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, 61 anos, é maior: trazer para o Brasil os Jogos Olímpicos de 2012, numa disputa com outras oito cidades (Havana, Istambul, Leipzig, Londres, Madri, Moscou, Nova York e Paris), cujo resultado será divulgado em julho de 2005.

Lembrando que o esporte o ajudou a superar a morte da mãe, quando tinha 10 anos, Nuzman promete se empenhar ao máximo na briga pela Olimpíada. “Os Jogos abrem as possibilidades de crescimento de um país, e o Brasil precisa disso”, diz o pai de Larissa, 20, filha de seu casamento com Patrícia Nuzman, e padrasto de Ana Rita, 22, e Ana Clara, 20, filhas da atual mulher, a jornalista Márcia Peltier, com quem está casado há 5 anos.

Após a tentativa frustrada de trazer a Olimpíada de 2004 para o Rio, acha que agora a cidade tem chances?
A Rio 2004 foi uma candidatura política. O próprio Comitê Olímpico Internacional mudou o sistema depois, obrigando os comitês olímpicos nacionais a estarem na linha de frente das candidaturas. Naquela ocasião, o COB meramente emprestou o nome e deu apoio. Não acreditava na vitória naquela época.

E agora, acredita na vitória do Rio?
Apesar de ser a candidatura mais difícil de todas, porque as cidades envolvidas são as principais do mundo, o Rio, como São Paulo também faria se fosse escolhida, parte de um processo mais pé no chão. Temos um dossiê feito em nível internacional e as garantias políticas e financeiras dos governos federal, estadual e municipal.

Na condição de carioca, como manteve a imparcialidade na escolha do COB entre Rio e São Paulo?
Segui o que o COI exige como termos de candidatura. Foi instituída a comissão de avaliação, o colégio eleitoral, e
eu me abstive de votar. Também não participei das visitas e nem das reuniões da comissão, que era formada quase que só por pessoas de fora do Rio e de São Paulo. A partir do momento que me coloquei dessa maneira, fiquei à vontade para dirigir o processo.

Torceu pelo Rio?
Não. Torci pela decisão que melhor repercutiria internacionalmente. Nessa disputa o Rio teve a vantagem
de ter sido escolhida para sediar o Pan de 2007, porque, graças a isso, a cidade já tinha um dossiê aprovado pela Organização Desportiva Panamericana (Odepa). Lógico que o orçamento de um Pan é de US$ 225 milhões e, numa Olimpíada, falamos em alguns bilhões de dólares, mas a
vitória no Pan 2007 não deixou de ajudar.

Acha que a violência na cidade pode atrapalhar a candidatura?
Existe essa questão, só que aqui você sabe quem é o ini-
migo. Quando há terrorismo não se sabe, e isso não passa
pelo Rio. Se a violência é um problema para nossa candida-
tura, o terrorismo é um problema muito maior para nossas principais adversárias, e não é só Nova York. A Inglaterra e a França também convivem com isso, a Rússia, enfim, todas as cidades têm problemas ou de segurança, como nós, ou de terrorismo. É inevitável, só que aqui temos como identificar o inimigo e combatê-lo.

Como seria esse combate?
A linha do COI é que o projeto de segurança de uma cidade olímpica apresente um comando único nessa área, que deve ser exercido por um general, até por questão hierárquica. Todas as polícias e, se preciso, as Forças Armadas, devem estar subordinadas a esse general, que trabalharia em conjunto com uma assessoria de segurança internacional.

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